<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530</id><updated>2011-07-08T02:35:27.552-03:00</updated><title type='text'>Tempos Difíceis: até quando suportaremos?</title><subtitle type='html'>Pretendo, com esse espaço, expor toda minha indignação com relação a atual situação política e econômica do país, e, quem sabe, contribuir de alguma forma para que as coisas melhorem. O primeiro passo é a CONSCIENTIZAÇÂO... Precisamos entender que o problema é de cada um nós e que se a situação está assim é porque permitimos isso!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>58</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-3574075906098267208</id><published>2010-04-02T23:31:00.000-03:00</published><updated>2010-04-02T23:32:24.086-03:00</updated><title type='text'>A RESSOCIALIZAÇÃO DO PRESO</title><content type='html'>O Direito Penal, ramo de Direito Público, é um conjunto de normas jurídicas que regulam o poder punitivo do Estado, definindo as infrações penais, estabelecendo as penas e as medidas de segurança, cuja finalidade é a tutela dos bens jurídicos fundamentais, como por exemplo, a vida, a integridade física, a honra, o patrimônio, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que diz respeito às penas, o Brasil adotou a Teoria Mista ou Eclética, a qual observa na pena três finalidades, quais sejam prevenir, retribuir e ressocializar o preso. Tal ressocialização é fundamental para trazer o infrator de volta à sociedade, para reintegrá-lo ao meio social depois de cumprida a pena, fazendo com que ele não volte a delinqüir. Entretanto, não é o que vemos acontecer diariamente aos milhares de presos libertos, que se assemelham aos escravos na época da abolição quando “ganharam” sua carta de alforria e que com ela mal sabiam o que fazer, preferindo muitas vezes voltar a ser escravos, para pelo menos ter onde dormir e o que comer, condição primordial para a sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os presos ganham a liberdade, porém sem nenhum tipo de garantia, sem nenhuma segurança de que terá um emprego, de que conseguirá se sustentar ou sustentar sua família. Passam anos e anos presos, sem nenhum tipo de aprendizado, sem nenhum tipo de aperfeiçoamento profissional e, quando saem às ruas, o óbvio acontece: voltam a delinqüir e viram notícia em jornais sensacionalistas, provocando a revolta da população que insiste na aplicação de penas mais graves, aclamando muitas vezes pela prisão perpétua e até pela pena de morte, julgando o Direito Penal como remédio para todos os males da sociedade, como ferramenta de vingança, se esquecendo de que o Estado é falido em termos de políticas públicas, mantendo em péssimas condições nossas escolas, hospitais, transporte público, presídios e tudo o mais utilizado pela população em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou defendendo a criminalidade, porém será que não estamos diante de um tipo de prisão perpétua, já que, uma vez condenado, o indivíduo jamais conseguirá um emprego digno, jamais poderá prestar um concurso público, jamais será tratado como uma pessoa normal, sempre será discriminado e visto como um ex-presidiário, passando o resto da vida à margem da sociedade, tendo como única alternativa de sobrevivência a vida criminosa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que a ressocialização, extremamente fundamental para o indivíduo, aqui no Brasil não passa de teoria, já que vemos presídios superlotados, com os apenados em condições desumanas e cruéis, o que, ao invés de corrigi-los, os torna piores a cada dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos enxergar o Direito Penal como uma ferramenta a ser utilizada para o bem de toda a sociedade, inclusive para os que estão presos, e não como uma ferramenta de vingança ao dispor do povo; precisamos colocar em prática idéias que incentivem tanto presidiários, como ex-presidiários a estudar e a trabalhar, já que a prisão, por si só, de nada adianta. Os presos precisam se qualificar, precisam ter vagas garantidas nas escolas, faculdades, universidades, empresas públicas e privadas, pois só assim terão uma vida digna e dificilmente voltarão a cometer crimes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-3574075906098267208?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/3574075906098267208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=3574075906098267208' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/3574075906098267208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/3574075906098267208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2010/04/ressocializacao-do-preso.html' title='A RESSOCIALIZAÇÃO DO PRESO'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-8494148983050267201</id><published>2010-04-02T23:30:00.000-03:00</published><updated>2010-04-02T23:31:29.901-03:00</updated><title type='text'>UM TEMA POLÊMICO NA SOCIEDADE ATUAL: A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO.</title><content type='html'>Sou totalmente a favor da legalização do aborto, seja nos casos de gravidez decorrente de estupro ou gravidez de risco, já amparadas pela legislação, seja nos casos de gravidez de feto anencefálico ou mesmo a gravidez indesejada, pois a mulher é quem deve decidir se quer levar adiante ou não uma gravidez, já que seu corpo e sua vida estão em jogo, não cabendo a mais ninguém tal julgamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um debate um pouco utópico, pois todos sabemos que abortos acontecem diariamente, sejam em hospitais de classe média-alta, sejam em clínicas clandestinas e aí reside a grande diferença: a mulher de classe alta fará o aborto e ficará “hospedada” num renomado hospital e terá um ótimo tratamento médico, saindo de lá pronta para fazer compras num shopping e se livrar do stress; já a mulher pobre irá a uma clínica clandestina, terá um tratamento digno de tudo, menos de ser humano, de lá será enxotada ainda com hemorragia e com dores, para que ninguém corra o risco de ser preso, e ainda ficará com seqüelas tanto físicas, quanto psíquicas, para o resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos enxergar que o aborto não é uma questão religiosa e que tais discursos devem ser abolidos, pois o que se deve levar em conta é a vida dessa mulher, que será obrigada a ter uma gestação e trazer ao mundo um filho que não quis e que por conseqüência, poderá maltratá-lo, ignorá-lo ou mesmo abandoná-lo nas ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não digo que a gravidez não deva ser evitada, recorrendo-se sempre ao aborto, afinal, temos vários métodos contraceptivos eficazes, entretanto, negar tal direito é extremamente injusto, tanto para com a mulher, quanto para a criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a maioria das pessoas se revolta tanto quando o assunto é legalização do aborto, argumentando que se estaria matando um ser humano, por que esses mesmos demagogos são os primeiros a pedir pena de morte aos menores infratores quando cometem crimes? Não se trata de seres humanos também? E os menores de rua, abandonados pelas mães, que talvez não tenham querido tal gestação, não são seres humanos? Por que então religiosos e afins não fazem campanha a favor da adoção, para tirar crianças JÁ NASCIDAS da miséria, das drogas e da provável morte? Ao invés disso, fecham a janela do carro e fecham os olhos para essas crianças. Então, por que todo esse circo, toda essa demagogia em torno do aborto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Legalizar o aborto é enxergar e regularizar a dura realidade já vivida no país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-8494148983050267201?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/8494148983050267201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=8494148983050267201' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/8494148983050267201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/8494148983050267201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2010/04/um-tema-polemico-na-sociedade-atual.html' title='UM TEMA POLÊMICO NA SOCIEDADE ATUAL: A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO.'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-7203825614401994328</id><published>2010-04-02T23:29:00.000-03:00</published><updated>2010-04-02T23:30:08.626-03:00</updated><title type='text'>GLOBALIZAÇÃO, DIREITO E DISTRIBUIÇÃO DE RENDA</title><content type='html'>Como a globalização é a integração entre os vários países, especialmente no que diz respeito à produção de mercadorias e serviços, mercados financeiros e à difusão de informações e o Direito é o conjunto de normas jurídicas vigentes num país, que tem como principal fundamento a pacificação social, posso dizer que ambos estão intimamente ligados e que o Direito é totalmente afetado pela globalização, já que, com ela, as sociedades vão se modernizando cada vez mais e, com isso, as legislações existentes também precisam se modernizar para que acompanhem tais evoluções, que afetam tanto o direito de contratar, como o direito do trabalho, o direito do consumidor, e todos os outros ramos jurídicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, se por um lado a globalização tem seus aspectos positivos, já que moderniza as tecnologias existentes nas sociedades e amplia a oferta de produtos disponíveis no mercado, por outro é prejudicial, pois aumenta em muito a competitividade entre as empresas, obrigando-as a se modernizar e a reduzir seus custos, barateando o valor da mão de obra e produzindo mais produtos com menos funcionários, fazendo com que os trabalhadores percam seu espaço no mercado de trabalho, gerando assim o alto nível de desemprego que vemos atualmente, e, em conseqüência disso, vão se aumentando as desigualdades sociais, pois, ao que parece, a distribuição de renda, que é a divisão das riquezas produzidas num determinado país, não passa de ilusão, especificamente no Brasil, que é um dos países mais desiguais do mundo, cuja riqueza se concentra nas mãos de uma minoria da população, que domina e manipula o governo e os meios de comunicação, garantindo assim sua rica subsistência e permanência no controle do capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É incontestável que a globalização facilita o acesso às informações e às novas tecnologias, que moderniza as sociedades e, por conseguinte o Direito, todavia, que garantia temos de que tais informações chegam à todas as classes sociais com clareza, sem quaisquer tipo de manipulação? Será que num país tão desigual o acesso à justiça, bem como as garantias constitucionais e Tratados Internacionais a respeito dos Direitos Humanos se estendem a todos? Receio que as respostas sejam negativas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-7203825614401994328?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/7203825614401994328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=7203825614401994328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/7203825614401994328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/7203825614401994328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2010/04/globalizacao-direito-e-distribuicao-de.html' title='GLOBALIZAÇÃO, DIREITO E DISTRIBUIÇÃO DE RENDA'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-2275745426307435629</id><published>2008-11-28T22:05:00.001-02:00</published><updated>2008-11-28T22:07:43.905-02:00</updated><title type='text'>As cores da África-Brasil</title><content type='html'>Pedi dois copos. Enchi o meu de cerveja, e deixei o outro vazio junto à garrafa. Não demorou muito para que um jovem se aproximasse da minha mesa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Augusto Juncal&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Atravessando uma ponte sobre um esgoto, cruzando uma larga avenida confusa de carro e de gente, sob um sol quente que nuvem nenhuma amenizava, do outro lado da avenida eu avistei o começo de Thokozo. Só mesmo um olhar atento, de corte de navalha, para delinear com clareza cirúrgica, e de claridade de céu africano, a confusão da avenida que passava paralela à Thokozo, e a própria confusão do township aglomerada na sua porta de entrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua porta de entrada era um imenso portão metafísico que sinalizava: você está entrando no township de Thokozo. Talvez seja bem-vindo. Talvez não. Depende de quem você seja e do que você quer aqui. Nesse twonship não há pacotes turísticos. Se é isso que você procura, dirija-se a Soweto. Hambakahle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Towship, uma intradução. Uma condição humana materializada em... bairro? aglomeração? gueto? favela? periferia? cidade-satélite? campo de concentração? De quem? Dos brancos? Dos capitalistas? Dos brancos e capitalistas? Dos negros e capitalistas? De quem? Township é uma intradução porque é cidade-satélite, é periferia, é favela, é gueto, é holocausto. E se é preciso buscar as causas, as conseqüências estão ali. Sem esforço nenhum para a percepção. Mesmo para as mais embotadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei por aquele imenso portão, portão para iniciados, com a segurança de quem está com o passaporte carimbado com visto de entrada. Sibusiso era meu passaporte com visto de entrada. Negro e morador local. Com ele entrei. Havia outros motivos, outras razões para minha segurança. Uma confiança em algo que havia em mim, que naquele momento me era obscuro. E que ainda não tenho identificado. Que ainda é negativo de foto não revelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entramos em Thokozo havia muita música. Vários bares, várias músicas. Em um deles identifiquei Zola. Noutro, Hip Hop Pantsula. Tuks. E em outro, o gospel da Rebecca. Pensei no Brasil. Vivemos num país onde a mídia tenta banalizar todas as coisas: a política, a sensualidade, a sexualidade, o afeto, os sentidos diários da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Einstein explica&lt;br /&gt;De São Paulo a Johannesburg tudo me pareceu a mesma realidade reproduzido-se a si mesma. Mas os townships eram novas realidades que começava a conhecer. Estava em Thokozo, e, incrível, estava em Guaianazes. Poderia estar. Como sou do muito pequeno e seleto grupo que sai da universidade contemporâneo de Einstein e não mais de Newton, aceitei, sem problemas a possibilidade de meu corpo único, ocupar dois espaços ao mesmo tempo. Mas claro, nada se repete. Nem o Sol, nem a miséria. Todas as misérias são una, e são cada uma, uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Debaixo daquele Sol e diante daquela expressão da pobreza, eu me perguntei: “Como é possível uma militância política divorciada dos códigos simbólicos, presentes todo o tempo nos cotidianos?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vivência nos centros e nos bairros periféricos de nossas cidades, debaixo dos viadutos e dentro de guetos, revelam-me imagens que antes eu nunca vi. Não poderia ver. Imagens do abandono e da fome que transcendem o corpo físico e o texto específico dos atores. Será que a questão é só a falta de dinheiro ou de trabalho? Será que são esses itens que movem um povo a revolucionar sociedades como as nossas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que a exclusão social, se é que posso usar essa expressão sem a explicar, sugere outras condições humanas, que estão dentro dos sentimentos, dos gestos, do ser e estar na vida desprovida. Estes contatos diários com o lixo, os cheiros que exalam dos esgotos, a angústia da sobrevivência, os medos de não amanhecer, enfim... parecem inscrever formas de sentir no mundo não só desprovido, mas sem qualquer alento, sem qualquer esperança. A única maneira de estar vivo é na alegria, na criatividade da alegria... e aí a mídia pega pesado... e de todos os lados. Por que vamos acreditar na contaminação, se a nós é dado perceber um cotidiano de modo subjetivo? E a maioria dos militantes de esquerda? ... Que tão-pouco se conhecem a si mesmos? Pouco se miram ou fingem em si (sem o saber), um outro personagem, fora, externo ao seu, para explicar, para representar, uma condição que nem sempre “conhece”, ou não a sente...de um Outro?...Talvez por esta razão estejam cansados, ausentes, entregues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meandros próprios&lt;br /&gt;Vou me aprofundando ruas adentro e vou pensando: “Quem vive em São Paulo pode viver em qualquer cidade do mundo”. Inverdade! “Quem anda com uma certa segurança de si em Capão Redondo, Jardim Elba, Glicério, e Gato Preto, não tem porque temer as ruas de Johannesburg. Nem dos townships.” Inverdade! Os acúmulos da miséria têm meandros próprios de culturas e materialização local que uma mente forasteira pode não perceber. Não sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em São Paulo, a pobreza faz privado um espaço que é público. Sempre que passo muito próximo a um morador de rua, tenho a desconcertante impressão que estou entrando numa casa sem ser convidado. Mas eu, ali, em Thokozo, queria fazer público um espaço que era privado. Queria fazer minhas, as ruas para as quais eu era estranho. E pior que estranho, um branco para eles.&lt;br /&gt;Thokozo e todos os townhips de África do Sul eram dos negros. Deles somente. Eram espaços privados. E eu queria me apropriar deles. Não. Na verdade queria ser apropriado por eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manifestei meu desejo por uma cerveja bem gelada. Sibusiso me deixou na casa de sua irmã. Uma irmã de pouco e curto inglês. O inglês era uma condição sócio-educacional. Às vezes, tinha a impressão de que entendia o que ela me falava em zulu. E respondia. Muitas vezes, acertei na reposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma cerveja, please&lt;br /&gt;Meu amigo me deixou em casa e foi visitar uma velha tia. Quis ficar e quis tomar cerveja. “Você não pode sair só. Se quiser tomar uma cerveja, minha irmã vai com você. Você compra e volta para beber aqui em casa. Não quero que você sofra nenhuma agressão verbal. Ou mesmo física.” Disse e foi na direção da casa de sua tia, sua irmã foi arrumar o quarto em que eu ia dormir, e eu fugi para o barzinho mais próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andei por duas, três ruas, seguido por olhares que não soube identificar. Mapeei quatro ou cinco botecos. Escolhi o mais cheio de pessoas e de música. Entrei. Pedi uma Castle no balcão. Um balcão protegido por grades. Todos os bares eram assim: te serviam por trás de grades. Apenas um espaço aberto para a passagem do dinheiro e da cerveja. “Uma Castle, please.” Não tinha. “Heinenken? No. Eu quero south african beer.” “Ah! Hansa.” “South african?”, perguntei. “South african.” “Ok. Hansa.”, então. Ele trouxe, me cobrou e eu pedi dois copos. “Ngiyabonga”, agradeci dizendo obrigado em zulu. Ele respondeu e sorriu. Me sentei, enchi o meu copo, e deixei o outro vazio junto à garrafa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não demorou muito para que um jovem se aproximasse da minha mesa. De pé, com seu copo de cerveja na mão, falou pra mim. Eu não entendi. Mas vi a agressividade do seu tom, e seus olhos quase imóveis, fixos sobre mim. O rapaz do balcão intercedeu falando alguma coisa que também me escapou dos sentidos. Senti que chamava o outro à atenção. O rapaz à minha frente respondeu pra ele, e tornou a me falar. Todos no bar olhavam. Posso ter um problema sério agora, pensei enquanto mantinha meu olhar firme no olho do rapaz. “Igama Iami ngu Augusto. Ngubami igama lakho?” (Meu nome é Augusto. Qual o seu?). Senti um vacilo de confusão no olhar. Não dei tempo e estendi a mão, dizendo: “Unjani?” (Como você está?). Seu olhar era menos inquisidor, e até vislumbrei, com um pouco de esforço, um sorriso zulu no fundo de suas pupilas negras, para as quais eu olhava intensamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem me responder e sem me estender a mão, perguntou: “Uphumaphi?” (De onde você é?). “Brasil”. E ele falou mais. Mas minha cota de zulu tinha acabado. Tinha na manga apenas mais uma frase para uma urgência e fui logo desembolsando ela: “Ngisagala ukufunda isiZulu. I speak isiPortuguese and isiEnglish.” (Apenas comecei a aprender zulu. Falo português e inglês). Soltei meu melhor sorriso. Agora sim, seu olhar tinha vacilado bastante. Era a hora do golpe final: “I don't undersand what you said. But if you are inviting me to drink a beer with you, let me invite you to drink a beer with me” (Não entendi o que você falou, mas se você me estiver convidando com uma cerveja, deixa eu convidar você com uma).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enchi o copo vazio, que aguardava sua hora. Ele recebeu o copo. “Brasil? Ronaldinho!”. Bati a mão no peito da camisa que vestia e disse: “Ronaldinho no! Corinthians!”. E aqui começou uma amizade construída a partir da desconfiança e em segundos. Tinha agora um novo carimbo no meu passaporte: “Augusto, Igama Iami ngu Bhekithemba”. Disse e me estendeu sua mão imensamente negra. Estendi-lhe, outra vez, minha mão marrom. Da cor do apartheid do meu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Augusto Juncal é integrante da torcida organizada Gaviões da Fiel e do Coletivo de Projetos Internacionais do MST.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARA ENTENDER&lt;br /&gt;Township – Durante o apartheid racial da África do Sul, townships eram cidades-dormitório da periferia onde moravam negros e negras. Para ir trabalhar nas grandes cidades, precisavam “passe”. Com o fim do apartheid racial, permaneceu o apartheid econômico e social. Hoje as negras e os negros pobres continuam a viver nos townships.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zola, Hip Hop Pantsula, Tuks e Rebecca são músicos sul-africanos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-2275745426307435629?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/2275745426307435629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=2275745426307435629' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/2275745426307435629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/2275745426307435629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/11/as-cores-da-frica-brasil.html' title='As cores da África-Brasil'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-6141782659079036046</id><published>2008-11-28T21:25:00.005-02:00</published><updated>2008-11-28T21:57:37.856-02:00</updated><title type='text'>Orgulho de ser brasileiro</title><content type='html'>Tenho tentado descobrir a origem da expressão "eu tenho orgulho de ser brasileiro", tão falada entre o povo e entre a mídia... Penso... Penso... E não encontro nenhuma resposta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que todos têm orgulho por morar no "país do futebol"? É uma hipótese, já que o país pára quando acontecem os jogos e acho que até os cérebros das pessoas também param, porque não é possível que se esqueçam de todos os problemas por causa de 90 minutos de futebol...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra hipótese pode ser também por viverem no "país do Carnaval", afinal quando as escolas de samba estão na avenida, tudo é festa!!! E dá-lhe mulatas, samba e cerveja... Mas a festa uma hora acaba...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobres pessoas que por meros detalhes se esquecem que vivem no país mais desigual do mundo. Se esquecem que existem milhares de pessoas morrendo de fome e frio, sem nem ao menos uma casa para morar, sem um salário digno para se sustentar e sustentar sua própria família. Se esquecem de que os serviços públicos não possuem qualidade nenhuma, que as crianças saem das escolas sem saber ler ou escrever corretamente e ainda que saibam, não consegue entender e interpretar textos simples, que os hospitais não possuem condições de atender a população, que os salários de fome que os trabalhadores ganham, não dão nem para comer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior de tudo é ver pobres se sentindo como se fossem da classe média, se sentindo informados porque lêem uma revista que prestigia a burguesia e assistem a uma emissora que favorece somente a classe dominante. O que a mídia não faz com a cabeça das pessoas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que se orgulham também por ficarem revoltados com crimes de grande repercussão mostrados nos mínimos detalhes pelos programas sensacionalistas, a ponto de pedirem a pena de morte, a ponto de tentarem linchar o acusado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal situação é curiosa, já que todos sabemos que milhares de crianças, adultos e idosos morrem todos os dias em razão da violência e da fome, mas nessas situações, ninguém se revolta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém se revolta também com o transporte público, que vai de mal a pior, transportando pessoas como se fossem cargas, todas amontoadas... Mas tudo bem, um dia a carga humana consegue comprar um carro e aí estará livre do problema e é assim que tudo se resolve nesse país de miseráveis: trabalham para comer e, se "deus quiser", um dia poder comprar um carro e uma casa, ocasião em que todos os problemas desse ser humano estarão resolvidos... Só que poucos conseguem fazer isso e milhares continuam em situação degradante!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devem se orgulham também do preconceito enrustido e nojento que possuem, ao tacharem pessoas de acordo com a sua condição social, de acordo com a sua cor, de acordo com a sua opção sexual, se esquecendo que independentemente de qualquer coisa, trata-se de um ser humano, que merece respeito! Mas como definir respeito para um povo que não enxerga o outro, que faz o possível e o impossível para "subir na vida"? Afinal, o que os move é o dinheiro... Se ganha, ótimo, que se dano o outro, se não ganha, planeja formas de transformar pessoas em degraus, usando-as...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É incrível ver tudo isso e saber que todos vivem de braços cruzados, esperando que um dia as coisas melhores, porém não se manifestam para mudar nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer o quê? Tudo é um a festa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Godoi&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-6141782659079036046?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/6141782659079036046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=6141782659079036046' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/6141782659079036046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/6141782659079036046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/11/orgulho-de-ser-brasileiro.html' title='Orgulho de ser brasileiro'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-614302448336634621</id><published>2008-08-07T14:01:00.003-03:00</published><updated>2008-08-07T14:04:19.859-03:00</updated><title type='text'>A Teoria da Conspiração</title><content type='html'>Em vez de Gilberto Kassab estimular a expansão do transporte de massa, pôs a culpa no peão revoltado, que passa mais de 4 horas preso dentro de uma condução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leio nos matutinos que o alcaide de São Paulo, o ‘democrata’ (?) Gilberto Kassab, atribuiu a responsabilidade pela lentidão no trânsito paulista à ação deletéria de alguns “conspiradores”, que estariam empenhados, por meio de verdadeiros atos de ‘terrorismo’, a estabelecer o caos na ordeira e pacífica capital do capitalismo de Bruzundangas. O primeiro ‘terrorista’ flagrado com a boca na botija, ou melhor, com os pregos na borracha, seria o pedestre que furou os pneus de um ônibus e o fez atravancar um corredor viário, depois de tentar embarcar – sem êxito, claro – rumo ao serviço a fim de ganhar seu pão de cada dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sr. Kassab, que há poucos meses ocupava as manchetes da grande imprensa por decretar a interdição espetacular de um dos mais refinados bordéis da burguesia paulista, é realmente um pândego de primeira linha. Em vez de estimular a expansão do transporte de massa no caótico condomínio que ele administra, decidiu catar chifre em cabeça de cobra e, para não trair o costume da terrinha, pôs a culpa no peão revoltado, que passa mais de 4 h de seu dia útil preso dentro de uma condução, chegando atrasado ao trabalho e regressando bem tarde à própria casa, que, durante a semana, nada mais é do que um reles dormitório para milhões de trabalhadores da República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo visto, a teoria conspiratória do capataz paulistano já logrou imediata adesão dos pares democratas. Reunidos em Salvador para o lançamento da candidatura de ACM Neto (ave, misericórdia!) ao trono da velha capital baiana, eles ouviram o alucinado César Maia (saravá, sua banda!), que há pouco desfilava sua desfaçatez por Paris, invocar os orixás da Boa Terra e pedir-lhes que conjurassem os ventos mais pródigos a fim de soprar o malsinado mosquito da dengue em direção ao Oceano Atlântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso da epidemia (ou seria “epidemaia”?) carioca, aliás, tem nos legado algumas pérolas notáveis do Festival permanente de Besteiras que Assola o País, o nosso FEBEAPÁ século XXI. Que o diga a brilhante medida adotada pelo Kaiser para erradicar a doença, instruindo os escolares a vestir meias e calça comprida a fim de dissuadir o mosquito de seus nebulosos planos (será que ele se inspirou na fartura de roupas da Família Real ao desembarcar no Rio em pleno verão de 1808?). Mais atento à sucessão municipal e ainda esperançoso de eleger sua herdeira ao trono, o famigerado alcaide insiste em dizer que não há epidemia alguma – de fato, como diria o irreverente José Simão, são apenas 30.547 casos isolados e 70 mortos que, decerto, se esqueceram de pôr suas meias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mosquitos devem estar, realmente, tramando alguma “conspiração” neste paraíso de (des)equilíbrio ecológico que o grande capital tratou de devastar. Há menos de um ano, era o bando da febre amarela que aterrorizava os caboclos da Amazônia e do Planalto Central. Agora, chegou a vez do Aedes aegypti. O que diria o bravo Oswaldo Cruz, se vivo fosse, deste pitoresco quadro sanitário? Se nada fugir ao script, alerta Simão, em breve teremos epidemia de amarelão, barriga d’água e bicho do pé... O leitor duvida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior é que os ‘teóricos’ das tramas conspiratórias não se restringem a Bruzundangas. A praga, infelizmente, se manifesta em vários rincões da Pátria Grande, conforme atesta o Sr. Uribe, que, teleguiado pelo patrão Bush, acusou as FARC de terem comprado urânio enriquecido para preparar atentados letais contra o governo da Colômbia. Para quem não se esqueceu do conto das “armas químicas” de Saddam Hussein – que nunca existiram, mas justificaram o genocídio infligido pelos EUA ao Iraque –, a história soa até ingênua. Contudo, são esses autênticos conspiradores e inimigos do povo que seguem ditando as ordens em várias nações ao sul do Rio Grande; são eles que roubam a terra dos lavradores e acusam os movimentos sociais de banditismo. Já não seria hora de conjurar os ventos da mudança e varrer essas criaturas pelos ares, com as bênçãos de Oxalá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Luiz Ricardo Leitão é escritor e professor adjunto da UERJ. Doutor em Literatura Latino-americana pela Universidade de La Habana, é autor de Lima Barreto: o rebelde imprescindível (Editora Expressão Popular).&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-614302448336634621?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/614302448336634621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=614302448336634621' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/614302448336634621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/614302448336634621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/08/teoria-da-conspirao.html' title='A Teoria da Conspiração'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-5648714593117098659</id><published>2008-07-23T19:25:00.000-03:00</published><updated>2008-07-23T19:26:04.890-03:00</updated><title type='text'>Mentiras</title><content type='html'>O Brasil é o país das mentiras bem contadas. Uma delas, a de que vivemos num paraíso racial. Mas não é considerada crime a frase escrita na Academia de Polícia de São Paulo: “Negro parado é suspeito; correndo é ladrão”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-5648714593117098659?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/5648714593117098659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=5648714593117098659' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5648714593117098659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5648714593117098659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/07/mentiras.html' title='Mentiras'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-4864590391389281894</id><published>2008-06-25T14:26:00.002-03:00</published><updated>2008-06-25T14:34:58.876-03:00</updated><title type='text'>"A democracia em que vivemos é hipocrisia"</title><content type='html'>João Pedro Stédile, um dos principais líderes do MST conta como iniciou sua militância, explica por que vê a reforma agrária bloqueada, fala sobre comunicação, esquerda e socialismo e sustenta: "os atuais modelos de representação exilam o povo da política"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/_Marcela-Rocha_"&gt;Marcela Rocha&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o levou a participar do processo de criação e construção do MST?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Pedro Stédile: Pelas circunstâncias da vida. Sou filho de pequenos agricultores do Sul. Fiquei até o segundo grau no interior e sempre me mantive vinculado aos temas camponeses. Comecei minha militância ajudando a conscientizar os produtores de uva da região de minha família e atuando com os sindicatos dos produtores na região de Bento Gonçalves. Nos anos duros da ditadura militar, vinculei-me ao trabalho da CPT [Comissão Pastoral da Terra]. Foi quando aconteceu um conflito de terras no Rio Grande do Sul, em que os Kaingang [povo indígena do sul do país] expulsaram de suas terras mais de 700 famílias de posseiros pobres, sem terra. Então, a CPT me pediu para ir até lá para trabalhar com esses posseiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse episódio resultou numa ocupação de terra em duas fazendas, a Macali e a Brilhante, em 1979. Esse processo, não premeditado, desembocou, alguns anos depois, na formação do MST.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro dos moldes de governabilidade e representatividade que temos no Brasil, em que medida é possível uma reforma agrária significativa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: Há muitos tipos de reforma agrária. No Brasil, todas as forças progressistas, ao longo do século 20, sempre trabalharam com a perspectiva de realizar a do tipo clássico. Ou seja, uma reforma agrária que representasse, para os camponeses, a democratização do acesso à terra, sua vinculação ao mercado interno e um processo de combate à pobreza no campo. Um instrumento de distribuição de renda e de estímulo ao mercado interno e industrial. Todos os países hoje desenvolvidos fizeram reformas agrárias clássicas — ou seja, nos marcos do capitalismo, mas como um processo republicano de democratização do acesso aos bens da natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, perdeu-se a oportunidade de fazer esse tipo de reforma agrária, quando terminou a escravidão, em 1888. Os Estados Unidos, por exemplo, a fizeram nessa conjuntura. Depois, perdeu-se a segunda oportunidade na Revolução de 30, quando iniciamos nosso processo de industrialização. Perdemos a terceira oportunidade durante a crise desse modelo, na década de 60, quando o então ministro Celso Furtado convenceu o governo Goulart de que a saída seria uma reforma agrária. A resposta da direita foi um golpe militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdemos a oportunidade na redemocratização formal em 1985, quando Tancredo havia convidado o saudoso José Gomes da Silva para fazer o primeiro PNRA (Plano Nacional de Reforma Agrária). Ele entregou o plano que previa assentar 1,4 milhões de famílias no dia 4 de outubro e caiu em 13 de outubro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chance que teríamos de fazer uma reforma agrária clássica seria se o governo Lula combatesse o modelo neoliberal, articulando forças sociais e políticas do país para um projeto de desenvolvimento nacional e industrial, com distribuição de renda e combate à desigualdade. Como o governo Lula manteve uma política e um modelo econômico que subordina a nossa economia ao capital financeiro e às grandes empresas transnacionais, a reforma agrária está bloqueada. Só haverá chance se derrotarmos o neoliberalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estamos perdendo, no governo Lula, a sexta oportunidade de fazer reforma agrária. O que está havendo é mais concentração fundiária"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o MST avalia o governo Lula quanto ao processo de reforma agrária?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: De certa forma, já comentei na pergunta anterior. Num sentido mais amplo, a reforma agrária, como parte de um projeto de desenvolvimento nacional, de distribuição de renda e de estímulo à industrialização do interior do País está bloqueada pelo atual modelo econômico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista administrativo, acho que a área do governo Lula mais incompetente são os ministérios que têm relação com reforma agrária. Nada funciona. Tudo é demorado e incompetente. E, para não ser injusto, os únicos programas que beneficiaram as áreas dos sem-terra foram o "Luz para todos" — que é um processo de eletrificação do meio rural — e um programa de compra de alimentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ambos são complementares e não afetam a reforma agrária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos que os números reais de famílias assentadas foram maquiados pelo governo FHC e, ao que parece, a ficção foi mantida pelo governo Lula. Quais são os números corretos, na avaliação do MST? O movimento mantém diálogo com os representantes do governo sobre isso? Como é feito esse diálogo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: Primeiro, o processo de reforma agrária não é um problema estatístico. É um problema político, em que o governo deveria enfrentar o latifúndio e o agronegócio para democratizar a propriedade da terra. E isso não está acontecendo. As famílias que estão sendo assentadas são majoritariamente colocadas em projetos de colonização na Amazônia legal. Um grande percentual delas representa ou as que não conseguem nem morar no lote, ou as famílias colocadas em lotes abandonados de antigos projetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós sempre mantivemos diálogo com todos os governos, tanto o federal quanto estadual e municipal, independentemente do ano ou partido. Os movimentos sociais precisam negociar, dialogar e interagir com as autoridades constituídas. Faz parte de nosso trabalho, mas mantendo autonomia no cumprimento dessa missão. Autonomia dos partidos, dos governos e do Estado: é isso que o MST procura fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Procuramos construir uma unidade popular. Infelizmente, os movimentos ainda são muito direcionados por correntes ideológicas"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se sustenta o diálogo do MST com os demais movimentos sociais, incluindo os urbanos? Por que essa busca é necessária?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: No caso da relação com os demais movimentos sociais, não é dialogo. Trata-se de construir uma unidade popular. Nós procuramos nos articular em diferentes espaços para ir construindo essa unidade necessária. Infelizmente, as frentes de massa no Brasil ainda são muito direcionadas por correntes ideológicas, o que é legítimo, mas muitas vezes atrapalha a construção da unidade em função de objetivos partidários ou eleitorais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O MST participa da Via Campesina Brasil como uma forma de construir a unidade no campo. Participa também do Fórum Nacional de Reforma Agrária e da Coordenação Nacional de Movimentos Sociais. Mas priorizamos a construção das Assembléias Populares, por serem um espaço mais amplo de unidade popular entre todas as forças. Foi com esse espírito que atuamos no plebiscito pela reestatização da Vale, impulsionado pela Assembléia Popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O MST, junto com outros movimentos sociais, lançou o jornal Brasil de Fato. Que outras iniciativas o movimento tem em relação ao setor de comunicação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: Nós defendemos a tese de que a classe trabalhadora e todas as suas formas de organização devem construir seus próprios meios de comunicação de massa. Não podemos depender da chamada grande mídia, ela é a voz da classe dominante para formar a sua opinião entre o povo. Lamentavelmente, a esquerda brasileira ainda não entendeu isso e muitas forças ainda se iludem em ficar ocupando pequenos espaços na grande imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos de fazer muito mais esforço para termos nossas rádios, nossos jornais, nossos boletins, ocupar espaço na internet e termos nossos programas de televisão. E, para tudo isso, é preciso ter diretriz política, construir esses meios e priorizá-los. Espero que os movimentos e a esquerda aprendam isso, o quanto antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que se fundamenta a preocupação com comunicação no MST?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: Nós precisamos difundir as notícias, as informações e nossa visão de mundo, tanto à nossa base quanto à classe trabalhadora e população em geral. Para alcançarmos esses objetivos, é preciso termos os meios de comunicação necessários, os mais distintos possíveis, porque são complementares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Queremos reformas políticas que garantam ao povo mecanismos de decisão. Hoje, o povo é mero espectador do que a classe dominante faz"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com freqüência, a chamada "grande mídia" ataca o MST, além de criminalizar os outros movimentos sociais. Como o senhor explica isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: A grande mídia faz o papel dela. Defender sempre os interesses econômicos, políticos e ideológicos da classe dominante. Assim, todo movimento social, todo sindicato e partido que resolvam lutar contra os interesses da classe dominante serão atacados por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Veja, Estadão e Rede Globo falam mal de nós, fazem seu papel e nós não nos preocupamos com isso, mas sim com o fato de que a sociedade brasileira tenha meios de comunicação de massa − em especial rádio e televisão − que a representem. Esperamos que a nova TV pública consiga mudar um pouco esse quadro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor chegou a mover um processo contra a revista Veja. Quais foram as razões para isso, e o que resultou do processo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: Movemos um processo penal, pedindo indenização e direito à resposta porque a matéria de Veja foi ofensiva e mentirosa do ponto de vista pessoal. Me compararam ao James Bond e me atribuíram uma função criminosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor acredita que exista liberdade de imprensa no Brasil? Em termos mais amplos: há realmente democracia em nosso País?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: Não existe nenhuma liberdade de imprensa se considerado o acesso do povo à informação. Ele as recebe repassadas pelas rádios e televisões, grandes jornais e revistas. São filtradas pelo viés ideológico de interesses privados. E isso não é democracia, no que concerne a direitos e oportunidades iguais. Isso, ao contrário, se chama luta de classes. Uma classe, a que tem dinheiro, controla os meios de comunicação e os usa de acordo com seus interesses, visando ao lucro e controle ideológico na sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós ainda estamos distantes de uma democracia formal, burguesa. Esperamos que haja, ao menos, um processo de mobilização, num futuro próximo, para promover reformas políticas que garantam ao povo mecanismos de decisão, de poder político, porque hoje o povo é mero espectador do que a classe dominante faz. Um amigo meu disse, esses tempos: “o povo, no Brasil, está exilado da política”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A democracia em que vivemos é uma hipocrisia.O povo sabe disso. As instituições de menor credibilidade são o Congresso e os políticos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o senhor se posicionou quando o presidente Hugo Chávez suspendeu a licença da RCTV venezuelana? Seria favorável à adoção de procedimentos semelhantes no Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: A decisão foi dentro dos parâmetros legais da Constituição venezuelana, e mais do que necessária. A RCTV era um canal que pregava mentiras o tempo inteiro, distorcendo a opinião pública. E cometeu um grave erro: organizou, estimulou e fez apologia ao golpe de Estado em abril de 2002. O normal teria sido a televisão ter sido cassada naquela época. Mas o presidente preferiu seguir os trâmites normais e esperou vencer a concessão. Como disse Noam Chomski, se o crime da RCTV, de 2002, tivesse acontecido nos Estados Unidos, pelas leis norte-americanas seus proprietários teriam pegado cadeira elétrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, é preciso fazer uma ampla reforma no processo de concessão da radiodifusão para termos democracia. E mais, garantir que todos os setores e grupos sociais tenham seus próprios veículos e se comuniquem com a sociedade. Hoje, vivemos numa ditadura do monopólio de sete grupos econômicos, que controlam, obtêm lucros e manipulam o que quiserem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o senhor avalia a política de comunicação do governo Lula, nos três sentidos: sua relação com a "grande mídia"; sua relação com as mídias dos movimentos sociais e de grupos independentes; e na questão da comunicação pública?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: Não sou “expert” no assunto e tenho acompanhado pouco a política institucional do governo Lula para a comunicação. Mas vejo os resultados. O monopólio da classe dominante continua aumentando. Acho que, além de termos uma televisão pública, deveríamos ter uma política de ampla liberdade para as rádios e televisões comunitárias com sinal aberto. As verbas de publicidade deveriam ser dirigidas para os veículos pertencentes às entidades sociais e sem fins lucrativos. E deveríamos, ainda, ter uma política clara de proibição de campanhas publicitárias responsáveis por problemas sociais, como propagandas de cigarros, bebidas alcoólicas, remédios e agrotóxicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sistema vigente em Cuba é o que pratica mais democracia popular. Mas as experiências socialistas estiveram muito aquém do que se idealizava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vez ou outra, surge alguém na "grande mídia" para acusar o MST de pretender criar um partido socialista para liderar uma revolução no Brasil. O movimento pretende mesmo criar um partido? E qual a sua posição sobre o socialismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: Isso é uma besteira de certos colunistas de plantão, que ficam imaginando coisas. O MST é um movimento social autônomo. Não tem vocação, não será e nem quer ser partido. Se algum dia o MST pretendesse virar partido, acabaria. Talvez seja por isso que eles ficam com essa tese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O socialismo tem várias formas de ser analisado e compreendido. Como modo de produção, será um estágio mais avançado da civilização humana, porque vai organizar a propriedade social dos meios de produção e combater a exploração do trabalho. Como regime político, as experiências socialistas que já tivemos estiveram muito aquém do que idealizavam os clássicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que o socialismo deveria ser um estágio superior de democracia popular, em que as pessoas, os grupos sociais e a classe trabalhadora tivessem, de fato, poder sobre o Estado. E as leis e decisões contassem com a maior participação possível da população, de forma direta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais um aspecto do qual uma sociedade socialista depende: a elevação do nível cultural e a consciência das amplas camadas da população, para que seja uma sociedade fundada nos princípios da prática da solidariedade, justiça social e igualdade, cotidianamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe democracia em Cuba?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: Nenhum processo ou regime político será perfeito. Muitos fatores influem nas condições para que o povo e os setores organizados da população exerçam poder de decisão. Acho que o que há em Cuba está longe de ser um regime amplamente democrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho viajado e lido muito sobre as experiências dos mais diferentes regimes políticos adotados. Estou convencido de que o sistema vigente em Cuba é, ainda, o que pratica mais democracia popular. Isso não se mede pelo exercício do voto ou escolha dos representantes. Devemos medir a democracia cubana pelo real direito de oportunidades que todos têm; pelo acesso à educação, em todos os níveis; ao conhecimento, à informação, ao trabalho e à cultura. Hoje, o povo cubano, em sua amplitude, é um dos povos mais cultos de nosso planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também devemos medir a democracia pelo poder real das pessoas ao se organizarem em grupo para controlar seus bairros, suas cidades. Ou seja, exercendo um poder real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Etanol e óleos vegetais poderiam ser sustentáveis e socialmente mais justos. Mas tudo depende da forma como serão produzidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é sua avaliação sobre o enaltecimento do etanol, atualmente feito pela "grande mídia" e pelo governo Lula?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: Isso é uma vergonha. A fonte de energia proveniente do petróleo está acabando. Então, as petroleiras, empresas automobilísticas e as transnacionais do agronegócio se uniram para produzir uma nova fonte de energia sob seus controles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O etanol e os óleos vegetais, que podem substituir o petróleo, são fontes que poderiam ser sustentáveis do ponto de vista ambiental, além de socialmente mais justas. Mas tudo depende da forma como serão produzidos e quem as controlará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso brasileiro, o governo aceitou entregar a produção para o regime do agronegócio. Ele é agressor do meio-ambiente, porque produz cana ou soja, por exemplo, na forma de monocultivo e usa intensivamente máquinas e agrotóxicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós poderíamos ter um amplo programa de produção de agrocombustíveis, controlado por uma empresa estatal e voltado para uma política de soberania energética — ou seja, um programa onde cada município produziria sua própria energia. Por isso, nós defendemos que os agrocombustíveis somente seriam viáveis se fossem produzidos em policultura, em apenas 20% da área de cada fazenda, para não afetar a produção de alimentos. Seria uma produção voltada para a distribuição de renda, somada à soberania alimentar e energética. Para isso, propomos a fundação de uma empresa brasileira de agroenergia. Uma empresa estatal e pública, sob controle da sociedade, para desenvolver essa política. A Petrobrás, além de ser uma empresa que se preocupa, em primeiro lugar, com o lucro de seus acionistas (40% já são do exterior), nunca terá uma política de soberania energética e muito menos de distribuição de renda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ocupação de um laboratório da Aracruz por mulheres do MST causou grande impacto nacional. O movimento foi acusado de promover a desordem, de ser inimigo da ciência e do desenvolvimento tecnológico e de apostar no atraso brasileiro. Como o Sr. se posiciona? Por que o MST é contra a exploração de culturas transgênicas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: Isso é um exemplo claro de manipulação da opinião pública pelo monopólio da mídia a serviço dos interesses do capital. A Aracruz é uma das empresas que mais agridem o meio ambiente, destruindo a cobertura vegetal original, como a Mata Atlântica, e agora os pampas. Em seu lugar, cultiva plantações homogêneas de eucalipto, que acabam com toda biodiversidade e agridem o meio-ambiente, contribuindo para o aquecimento do clima. Tudo é exportado. Os lucros ficam com as transnacionas. E nós ficamos com o passivo ambiental e social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Aracruz roubou, na década de 1970, 14 mil hectares de terras indígenas e outros 24 mil hectares de terras quilombolas. Nós entramos num viveiro da Aracruz para destruir mudas e impedir a expansão da monocultura do eucalipto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, a imprensa transformou as mulheres da via campesina, que fizeram a manifestação, em bárbaras, prostitutas, contra a ciência... Pura manipulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá, não havia nenhum laboratório de pesquisa. Podem pesquisar nas páginas do MCT [Ministério da Ciência &amp;amp; Tecnologia] ou da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] e verão. A senhora que analisava se as mudas tinham fungo tem apenas o segundo grau. A imprensa a transformou em cientista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o ministério da Justiça baixou a portaria mandando a Aracruz devolver os 14 mil hectares de terras roubadas dos povos tupiniquim e guarani. Nenhuma palavra no Jornal Nacional. Isso foi uma grande vitória daquela manifestação. Seguiremos lutando; agora, para que eles devolvam o que roubaram das comunidades negras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós somos contra as sementes transgênicas por muitas razões. Primeiro, porque são apenas uma forma das empresas transnacionais combinarem o uso de sementes com seus agrotóxicos. Segundo, porque as sementes transgênicas destroem a biodiversidade. Só sobrevive aquela determinada planta. Terceiro, porque eles usam essas sementes para poder patenteá-las como propriedade privada e cobrar royalties dos agricultores. E por último, porque não há nenhuma comprovação de que essas sementes não fazem mal à saúde das pessoas. Ao contrário, temos já diversas provas de que algumas delas fazem mal às pessoas e aos animais que se alimentam delas. Por isso, defendemos a idéia de seguir pesquisando, mas sem fins comerciais. Queremos usar a transgenia apenas para fins terapêuticos — ou seja, produzir plantas que possam ter uso medicinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor ambiciona ser, algum dia, presidente deste país?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stédile: Não sei de onde vocês tiraram essa bobagem. &lt;span style="color:#990000;"&gt;O Brasil precisa que o povo se conscientize, organize e lute por seus direitos. Somente assim poderemos enfrentar os atuais problemas econômicos e sociais a fim de construirmos uma sociedade mais justa, com que todos sonhamos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-4864590391389281894?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/4864590391389281894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=4864590391389281894' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/4864590391389281894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/4864590391389281894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/06/democracia-em-que-vivemos-hipocrisia.html' title='&quot;A democracia em que vivemos é hipocrisia&quot;'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-345632510002762077</id><published>2008-06-01T13:49:00.003-03:00</published><updated>2008-06-01T14:00:09.544-03:00</updated><title type='text'>Beco Sem Saída</title><content type='html'>Às vezes eu paro e reparo, fico a pensar&lt;br /&gt;qual seria meu destino senão cantar&lt;br /&gt;um rejeitado, perdido no mundo, é um bom exemplo&lt;br /&gt;irei fundo no assunto, fique atento&lt;br /&gt;A sarjeta é um lar não muito confortável&lt;br /&gt;O cheiro é ruim, insuportável&lt;br /&gt;O viaduto é o reduto nas noites de frio&lt;br /&gt;onde muitos dormem, e outros morrem, ouviu?&lt;br /&gt;São chamados de indigentes pela sociedade&lt;br /&gt;A maioria negros, já não é segredo, nem novidade&lt;br /&gt;Vivem como ratos jogados,homens, mulheres, crianças,&lt;br /&gt;Vítimas de uma ingrata herança&lt;br /&gt;A esperança é a primeira que morre&lt;br /&gt;E sobrevive a cada dia a certeza da eterna miséria&lt;br /&gt;O que se espera de um país decadente&lt;br /&gt;onde o sistema é duro, cruel, intransigente&lt;br /&gt;Beco sem saída !&lt;br /&gt;Mas muitos não progridem porque na verdade assim querem&lt;br /&gt;Ficam inertes, não se movem, não se mexem&lt;br /&gt;Sabe por que se sujeitaram a essa situação ?&lt;br /&gt;não pergunte pra mim, tire você a conclusão&lt;br /&gt;Talvez a base disso tudo esteja em vocês mesmos&lt;br /&gt;E a conseqüência é o descrédito de nós negros&lt;br /&gt;Por culpa de você, que não se valoriza&lt;br /&gt;Eu digo a verdade, você me ironiza&lt;br /&gt;A conclusão da sociedade é a mesma que,&lt;br /&gt;com frieza, não analisa, generalizae só critica,&lt;br /&gt;o quadro não se altera e você&lt;br /&gt;ainda espera que o dia de amanhã será bem melhor&lt;br /&gt;Você é manipulado, se finge de cego&lt;br /&gt;Agir desse modo, acha que é o mais certo&lt;br /&gt;Fica perdida a pergunta, de quem é a culpa&lt;br /&gt;do poder, da mídia, minha ou sua ?&lt;br /&gt;As ruas refletem a face oculta&lt;br /&gt;de um poema falso, que sobrevive às nossas custas&lt;br /&gt;A burguesia, conhecida como classe nobre&lt;br /&gt;tem nojo e odeia a todos nós, negros pobres&lt;br /&gt;Por outro lado, adoram nossa pobreza&lt;br /&gt;pois é dela que é feita sua maldita riqueza&lt;br /&gt;Beco sem saída !"&lt;br /&gt;-É, meu mano KL Jay. O poder mente, ilude, e domina&lt;br /&gt;a maioria da população, carente da educação e cultura.&lt;br /&gt;E é dessa forma que eles querem que se proceda. Não é verdade?"&lt;br /&gt;-É, pode crê !"&lt;br /&gt;Nascem, crescem, morrem, passam desapercebidos&lt;br /&gt;E a saída é esta vida bandida que levam roubando,&lt;br /&gt;matando, morrendo, entre si se acabando&lt;br /&gt;Ei mano, dê-nos ouvidos!&lt;br /&gt;Os poderosos ignoram os direitos iguais&lt;br /&gt;Desprezam e dizem que vivam comos mendigos a mais&lt;br /&gt;Não sou um mártir que um dia irá te salvar&lt;br /&gt;No momento certo, você pode se condenar&lt;br /&gt;Não jogamos a culpa em quem não tem culpa&lt;br /&gt;Só falamos a verdade e a nossa parte você sabe de cór&lt;br /&gt;Atravesse essa muralha imaginária&lt;br /&gt;em sua cabeça, sem ter medo de falhas&lt;br /&gt;Se conseguiram derrubar uma muralha real, de pedra&lt;br /&gt;você pode conseguir derrubar esta&lt;br /&gt;Leia, ouça, escute, ache certo ou errado&lt;br /&gt;mas meu amigo, não fique parado&lt;br /&gt;Isso tudo vai ser apenas um grito solitário&lt;br /&gt;Em um porão fechado, tome cuidado,&lt;br /&gt;não esqueça o grande ditado :Cada um por si !&lt;br /&gt;Siga concordando com tudo que eu digo (normal)&lt;br /&gt;Pois pra você parece mais um artigo (jornal)&lt;br /&gt;Esse é o meu ponto de vista, não sou um moralista&lt;br /&gt;deixe de ser egoísta, meu camarada, persista,&lt;br /&gt;É só uma questão: será que você é capaz de lutar?&lt;br /&gt;É difícil, mas não custa nada tentar"-&lt;br /&gt;Ei cara, o sentido disto tudo está em você mesmo.&lt;br /&gt;Pare, pense, e acorde, antes que seja tarde demais&lt;br /&gt;O dia de amanhã te espera, morô?&lt;br /&gt;Edy Rock, KL Jay, Racionais!"&lt;br /&gt;Beco sem saída ! (podicrê, né não ?)&lt;br /&gt;Beco sem saída ! (aí mano)&lt;br /&gt;Beco sem saída ! (certo !)&lt;br /&gt;sem saída !Beco sem saída !&lt;br /&gt;Beco sem saída !&lt;br /&gt;Beco...beco...beco sem saída, beco sem saída, beco sem saída!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Racionais MC´s&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-345632510002762077?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/345632510002762077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=345632510002762077' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/345632510002762077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/345632510002762077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/06/beco-sem-sada.html' title='Beco Sem Saída'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-5549723568321360679</id><published>2008-05-14T14:40:00.003-03:00</published><updated>2008-05-14T14:45:24.988-03:00</updated><title type='text'>Soltem os cintos</title><content type='html'>Somos tropicais, somos divertidos e fazemos troças, como características que nos distinguem. E ainda bem que somos assim, porque não suportaríamos sofrer com seriedade. O humor talvez seja aquilo que nos faça sobreviver nos porões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando começou a escrever romances, o Nobel de Literatura V. S. Naipaul, de uma família indiana de Trinidad Tobago, era muito engraçado. Só deixou de ser assim quando percebeu que, para ele, fazer rir era uma armadilha fácil, que anulava as importantes razões pelas quais, oprimidos, todos sofremos. As piadas são carinhosas para com os poderosos, elas o humanizam, ele argumenta. Naipaul sugeriu-me isto numa entrevista há quinze anos, concedida em São Paulo: é como se o riso nos atrelasse ao atraso. Agora, ele escreve em um gênero reportariado sobre as escaramuças e ambiguidades do Oriente, sempre de forma séria, em um belo tom monocórdio, ele que a rainha da Inglaterra acolheu como “sir”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não comentarei o caso de “Monty Python”, e talvez o faça em uma coluna próxima. Aquilo é aula humorística, ensaio e filosofia do deboche acerca de arrogantes dominadores. “Python” parece ser uma das coisas mais profundas e interessantes do humor de todos os tempos. Mas talvez nunca consigamos revivê-lo, por razões históricas e também peculiares a uma nacionalidade. Quem é mais velho sabe que, no começo, havia em “Casseta &amp;amp; Planeta” alguma intenção de se aproximar desses pensadores do humor. Isto acabou por completo com os anos. “Casseta” virou o reino da paródia, um programa de todo voltado à morte dos tipos televisivos, e interessante apenas para quem conviveu com eles. “Python”, pelo contrário, é humor da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filósofo Henri Bergson disse no ensaio “O Riso” (Martins Fontes) que é isto mesmo: rimos para purgar e esquecer. E rimos dos tipos mecânicos, que se sobrepõem aos vivos. Isto precisa de alguma explicação. Um avaro, um ciumento ou um corno não são tipos classificados desta maneira durante todas as horas de um dia. Mas, em uma piada ou uma peça cômica, eles precisam ser assim, típicos. De tanto realçar, ou repetir, suas características ridículas, a comédia torna estes tipos recompensadores, porque diferentes de nós. Rimos, então, daquilo que se repete, daquilo que, para Bergson, é mecânico, irreal, em sobreposição ao que é vivo, variado e nem sempre o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se tratam de três facetas noturnas desta manifestação risível, talvez os programas brasileiros “CQC”, “Pânico” e “Show do Tom” mereçam uma olhadela conjunta. São diversos em alguma medida, tão diferentes quanto reveladores de nosso estado cômico. Mas são, especialmente, fiéis à idéia de Bergson. Há um humor que não é assim, algo que Luigi Pirandello, no ensaio “O Humorismo” (Perspectiva), chamou de “reflexão em água gelada”. Sem purgar a opressão, diante do humorismo nós nos sentiríamos igualados ao ridículo, não sobrepostos a ele. Quando fazemos ou recebemos humorismo, esta categoria que Pirandello destaca, pensamos sobre as coisas e não necessariamente nos sentimos confortáveis diante delas. No Brasil, os filmes de Ugo Giorgetti trazem esta marca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja o “CQC”, que é a novidade da tevê. Não se trata tanto de um programa de humor quanto uma manifestação educativa dele. Nada poderia ser mais corretivo que o sorriso de Marcelo Tas, o outrora Ernesto Varela, decodificando piadas contadas à vontade por seus repórteres. Ele faz humor fino (sem um valor pejorativo no termo). É comedido e correto. Aqueles humoristas estão lado a lado com o poder, em condição de cobrar atitudes dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os CQCs perseguem o burocrata da Educação, cordato com a reportagem e aparentemente desavisado sobre o fato de muitos estudantes do ensino básico municipal, sem direito a perua escolar, terem de andar a pé quilômetros por dia com destino à aula. Vamos fazer a autoridade andar bastante sob o sol, para ver como é bom? Não há cidadão que deixe de se emocionar com a iniciativa, sinceramente aplaudi-la. Agora, quero ver que desculpas esse sujeito que consome nosso dinheiro vai dar para abandonar as crianças! Fico emocionada, seriamente, com a ousadia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o caso dos donos de cachorro que deixam seus bichinhos se esvaziarem à vontade em pleno Parque Ibirapuera? Nós vivemos por lá, somos uma comunidade de fim de semana, e talvez diária, naquele espaço público paulistano. Por que mereceríamos a ação insensível de semelhantes porcalhões? Os CQCs vão até o local, filmam os sugismundos e, depois, catam os cocozinhos dos bichos. Colocam as fezes comprobatórias numa caixa de presente e as oferecem gentilmente aos proprietários dos cães. Antes que soubessem do que trataria a abordagem, os imundos fizeram a récita dos bons costumes para a reportagem: sim, sempre se consideraram civilizados por catar aquilo de seus bichos pelas ruas. Mas, então, recebido o “presente”, vêem a fita que lhes mostra de que forma arrasaram o espaço de lazer, sob olhar indiferente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rir, rir. Talvez eu não consiga me divertir com estas idéias dos caras de pau, mas é fantástico que elas ajam sobre nossas vergonhas com tanta limpeza. Como existimos sem “CQC” por tanto tempo? Já imagino como será penoso exercer a cidadania no futuro, sem eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pânico” é outra história. É de dar medo, de fato, o serviço de utilidade ao público proposto por lá. Igualmente caras de pau, seus humoristas têm intenção parecida de cobrança do poder, neste caso, do poder midiático. Não deixa de ser ótimo, também. Eles se vêem em condição de fazer esta cobrança, porque, durante toda a vida, estiveram diante de uma televisão e almejaram por ela. Usam o programa, até, para que se encontrem próximos aos ícones. Eles ensinam ao ídolo como se comportar ao lhe ressaltar as características visíveis, ora o mau humor, ora as baixezas, ora a vaidade desmedida, as contradições entre ser uma coisa na tevê e outra fora dela, torcendo para que se corrija. Se os humoristas amam Silvio Santos, precisam aperfeiçoar sua imagem, por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em conversa séria a uma jornalista como Marília Gabriela, de cara limpa, contudo, os atores Vesgo e Ceará revelam-se tediosos monumentais. Falam como se precisassem se justificar, como se fossem indispensavelmente célebres de sentimentos e alguém pudesse acreditar em suas boas intenções. Quem deseja vê-los assim? Por que não viram meninos de novela de uma vez? Sabrina Sato parece diferente, de uma inteligência que não se enquadra. Mulher vilipendiada, que tem de pagar pela beleza com algum castigo, como em eterno exercício de fantasia sexual, ela debocha de todos os seus companheiros quando diz saber a “verdade” do que lhes propõem. Talvez ela seja o melhor que o “Pânico” tenha a oferecer, promovendo um serviço de vigilância interno. Ela vira o programa pelo avesso para rejuvenescê-lo criticamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há muitas idéias nem sempre cercadas de um padrão de talento e texto neste “Pânico”. Note que eles sempre voltam à utilidade pública de alguma forma. Lembro-me de uma ocasião em que o Repórter Vesgo cobrou das assessorias de celebridades fajutas notas lançadas à imprensa em que supostamente “a irmã de Carla Perez” anunciava a gravidez. Riram da importância que isto pudesse ter para alguém. Cobrar Petra Gil por ser gorda é um serviço de utilidade, sob um aspecto cruel: já que nós a percebemos e distinguimos, ela precisa emagrecer se quiser circular entre nós. Se não fizer isto, nós a tornaremos risível: ela será o mecânico (repetida e ousadamente gorda) sobre o vivo (magro de biquíni) que desejamos ter como companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meninos da elite intelectual? Parece engraçado, mas não duvide, é tudo verdade. Meninos da elite, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vistos aos pedaços “CQC” e “Pânico”, sinto falta do “Show do Tom”. Está certo, você me odiará por isto. Assumidamente ligado ao baixo cômico, às idéias populares, ele é um programa que vive da vitalidade de dezenas de atores desconhecidos (e que jamais conheceremos, de fato, algum dia), contando piadas velhas. Não me lembro de ter visto cocô exposto no programa (fezes ilustram nossa alegria infantil), como já houve em “Pânico” e no “CQC”. Mas no concurso de piadas promovido por Tom, ficamos entre a drag queen que investe contra os homossexuais e aquele sujeito que imita o Pato Donald, mais afetivo por reproduzir a voz atávica do que por narrar confusamente tiradas ingênuas dos anos 50. Não são pessoas célebres, nem talvez se tornem, os atores deste programa jogado para baixo do tapete. Os polimentos, para ele, são mais que impensáveis. São desnecessários. Falemos de bichas com a mesma insistência com a qual reverenciaremos os bêbados e os machistas. O humor não pode ter correção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tom nos torna à clareza das ruas. É emocionante que dedique horas de improviso a seus personagens, mas, principalmente, aos dos outros, vindos de tantas partes do país e colocados sobre palco iluminado. Estes outros, possivelmente, nunca serão mais nada num cenário global. Nenhum programa brasileiro de humor prescinde da edição nervosa, de gatilho, a não ser o “Show do Tom”. Eu me sinto, nele, em praça da alegria verdadeira, hoje decaída, mas, ainda assim, ocasionalmente, assistível. Golias começou como interventor anárquico, chamando ao combate em pleno ar. Espero que Tom faça seu show por longo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uma nota: não deixe de assistir à baixa comédia “Super-Herói”, dos irmãos Zucker. Lá há um pum demorado, talvez o mais longo da história, proferido pela paródica tia de Peter Parker. O baixo humor dos irmãos faz o papa tirar fotos da genitália de um sujeito com um celular. Quem assiste aos irmãos Zucker há algum tempo, desde “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”, vai entender que eles não perdem uma piada sequer contra as religiões, até aquela que lhes deve ser própria. No filme de 1980, uma passageira pede à aeromoça que lhe entregue uma leitura leve. E a comissária dá à mulher uma folha fina e pequena contendo os feitos do ano dos esportistas judeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Rosane Pavam&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-5549723568321360679?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/5549723568321360679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=5549723568321360679' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5549723568321360679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5549723568321360679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/05/soltem-os-cintos.html' title='Soltem os cintos'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-6412378289494805725</id><published>2008-05-14T14:33:00.002-03:00</published><updated>2008-05-14T14:38:13.544-03:00</updated><title type='text'>A ministra e a morte do torturador</title><content type='html'>Quando alguém era preso entre o final de 1968 e 1977, para fixar um período, era tudo violência. Lembro, para recorrer à minha própria história, que já cheguei sangrando e sem camisa à sede da Polícia Federal em Salvador, no dia 23 de novembro de 1970. Depois, foi pau-de-arara, choque elétrico, afogamento, pancadaria, sangue. Menti que menti. Não conhecia um único endereço em Salvador, onde estava havia quase um ano. E não lembrava o nome de uma única pessoa. Se falasse a verdade, meus companheiros, minhas companheiras, viriam a sofrer as mesmas atrocidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gozado que eu refletia sobre isso logo que caí. É, não estranhem, nós falávamos em queda quando alguém era preso. Dizíamos: o companheiro caiu para nos referirmos à prisão de alguém. Ainda estamos a dever um estudo sobre o nosso discurso particular do período. Pois é, logo que caí, ainda sob pancadas, cercado de tiras, seguindo para a Federal, eu imaginava que tinha de mentir muito para não prejudicar a organização revolucionária à qual pertencia – a Ação Popular. Eu pensava: a mentira está sempre com a ditadura. Hoje eu penso no quanto há de dificuldades para dicionarizar as palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mentira pode ser ruim, não é verdade? Nós não precisamos mais do que a verdade, o revolucionário precisa da verdade. Era o que Gramsci dizia. Mas, a verdade da sobrevivência sob situações de terrorismo de Estado, como aquela em que vivíamos durante a ditadura, podia estar na coragem para sustentar histórias que não tinham nada a ver com a realidade. Devemos, nesse caso, fazer uma discussão ético-moral para saber o que engrandecia o ser humano e o que o diminuía ou até o destruía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a ditadura, com seu séqüito de tortura e morte, o bom sujeito era o que dizia a verdade. Essa denominada verdade era arrancada sob as mais abomináveis torturas de adultos, crianças, velhos, freiras, padres, o que fosse. Para os revolucionários, havia a verdade da revolução, a verdade da luta contra a ditadura. E para tanto, era necessário mentir para que ninguém caísse. Para que outros não sofressem, para preservar os combatentes do lado de fora, para que a luta pudesse continuar. Os revolucionários deviam dizer a realidade dos partidos a que pertenciam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo tem a ver com a discussão que o senador Agripino Maia provocou quando perguntou se a ministra Dilma Roussef havia mentido. E a ministra, com dignidade, respondeu de modo brilhante, porque verdadeiro. Será que o senador sabe o que é suportar o pau-de-arara e nada revelar sobre o paradeiro de companheiros? Sabe o que é lealdade, solidariedade com os parceiros de luta? Não se tratava de verdade ou mentira. Tratava-se, isso sim, de continuar a luta contra a ditadura e, para tanto, era fundamental que outras pessoas não caíssem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na visão da ditadura, encarnada agora pelo senador Maia, o correto seria a ministra delatar seus companheiros. Maia, sem nenhum pudor, pensou certamente na máquina de dar choques, na cadeira do dragão, no pau-de-arara, fixou-se ali ao lado dos torturadores, e não via por que a ministra, então uma jovem de 19 anos, revolucionária convicta, companheira de Lamarca, não falar, não revelar o paradeiro de seus amigos de luta. Essa é a verdade que ele defende. Essa é a mentira que ele pretendeu atacar. O bom, o eticamente defensável, seria a delação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa discussão não se pergunta sequer se havia algum momento em que o diálogo se estabelecia. Não havia diálogo. Não havia sequer resquícios de civilização. Havia o torturador e o torturado ou a torturada. Ninguém perguntava antes se você queria dizer alguma coisa. Primeiro, você era colocado no pau-de-arara. E aí começava o diálogo do senador Maia. Os que mentissem, nesse quadro de horror, eram os mais corajosos, como a ministra Dilma. Ela tem toda razão: é muito difícil sustentar mentiras sob a tortura, sob o terror da tortura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tortura é a expressão tenebrosa da patologia de todo um sistema social e político – no caso, naquele momento, da ditadura. À custa de um sofrimento corporal inimaginável, teoricamente insuportável, a tortura pretende separar corpo e mente, instalar uma guerra entre um e outro, semear a discórdia entre ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo torna-se um inimigo – com sua dor, nos atormenta, nos persegue. A mente vai para um lado, o corpo sofrido para outro. O corpo quer o término da dor. A mente pede que não ceda. Se não há solidariedade entre corpo e mente, o ser torturado fica exposto ao sol e à chuva, ao desabrigo absoluto, sem chão, entregue às ansiedades inconscientes mais primitivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa última parte está no meu livro Galeria F – Lembranças do mar cinzento, volume I, editado pela Casa Amarela. Quando o torturador consegue com que o torturado fale, tem nas mãos os despojos de um ser humano. Tudo isso é fruto da reflexão psicanalítica de Hélio Pellegrino. Se a pessoa não morre – se não fala – morre então o torturador, moralmente destroçado não pela mentira de sua vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O torturador morre porque se defronta com um universo muito mais forte do que todo o terror que ele pode empregar: a lealdade, a solidariedade com os companheiros, a dignidade que se agiganta diante da barbárie, a responsabilidade histórica, coisas intangíveis, que só os espíritos nobres podem abrigar. O torturador – e a ditadura – vive da morte e na morte, sempre. O senador não cometeu nenhum deslize. Apenas revelou o que é: um partidário da tortura e da morte. Não se pode sequer falar em ato falho. Afinal, a esmagadora maioria dos integrantes de seu partido defendeu a ditadura e seus métodos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dilma derrotou seus algozes, os monstros que pretendiam destruí-la. Abrigava sentimentos nobres em seu coração, ideais revolucionários sólidos. Talvez pensasse, então, com Gramsci, ele outra vez, ser uma mulher comum, mas de convicções profundas. Nem Gramsci foi um homem comum, nem Dilma é uma mulher comum, no entanto. E a história dela está aí para provar. Sua dignidade comprovou-se naquele momento sombrio de nossa história. E ela seguiu adiante, inteira, o que não é fácil. Hoje tem o orgulho de falar daquele passado, dizer que não delatou seus companheiros porque estava ao lado da revolução brasileira, pela qual ela continua a lutar até hoje integrando o governo Lula, a mais bem-sucedida experiência de distribuição de renda e de inclusão social de nossa história, a nossa revolução democrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Emiliano José&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-6412378289494805725?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/6412378289494805725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=6412378289494805725' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/6412378289494805725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/6412378289494805725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/05/ministra-e-morte-do-torturador.html' title='A ministra e a morte do torturador'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-3186540272893703618</id><published>2008-05-14T14:28:00.006-03:00</published><updated>2008-11-28T20:52:36.782-02:00</updated><title type='text'>Idéias</title><content type='html'>Se possuir idéias é estar doente, temo então pela saúde,&lt;br /&gt;receio os saudáveis e tenho horror aos puros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frase muito interessante retirada do blog: &lt;a href="http://dexistencialismo.blogspot.com/2007/08/o-autoritarismo-da-opinio-pblica.html"&gt;http://dexistencialismo.blogspot.com/2007/08/o-autoritarismo-da-opinio-pblica.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-3186540272893703618?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/3186540272893703618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=3186540272893703618' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/3186540272893703618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/3186540272893703618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/05/idias.html' title='Idéias'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-5621168340324445866</id><published>2008-05-14T14:28:00.005-03:00</published><updated>2008-11-28T20:52:00.355-02:00</updated><title type='text'>Que sentido dar à vida?</title><content type='html'>Se o sentido da vida é o lucro, qual é então o seu sentido&lt;br /&gt;para quem não pode e não deseja extorquir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frase muito interessante retirada do blog: &lt;a href="http://dexistencialismo.blogspot.com/2007/08/o-autoritarismo-da-opinio-pblica.html"&gt;http://dexistencialismo.blogspot.com/2007/08/o-autoritarismo-da-opinio-pblica.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-5621168340324445866?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/5621168340324445866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=5621168340324445866' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5621168340324445866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5621168340324445866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/05/que-sentido-dar-vida.html' title='Que sentido dar à vida?'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-1053908729108720329</id><published>2008-05-14T14:27:00.002-03:00</published><updated>2008-11-28T20:53:21.175-02:00</updated><title type='text'>Fome e Miséria</title><content type='html'>Se cada um tem o que merece, logo os milhões de&lt;br /&gt;famintos merecem passar fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fossem os miseráveis, não exisitiria a miséria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frase muito interessante retirada do blog: &lt;a href="http://dexistencialismo.blogspot.com/2007/08/o-autoritarismo-da-opinio-pblica.html"&gt;http://dexistencialismo.blogspot.com/2007/08/o-autoritarismo-da-opinio-pblica.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-1053908729108720329?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/1053908729108720329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=1053908729108720329' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' 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matar.&lt;br /&gt;O problema do vilão é que ele tem permissão para morrer.&lt;br /&gt;Da inversão dessa ordem emerge o bárbaro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frase muito interessante retirada do blog: &lt;a href="http://dexistencialismo.blogspot.com/2007/08/o-autoritarismo-da-opinio-pblica.html"&gt;http://dexistencialismo.blogspot.com/2007/08/o-autoritarismo-da-opinio-pblica.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-8137109483623856724?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/8137109483623856724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=8137109483623856724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/8137109483623856724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/8137109483623856724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/05/heri-e-vilo.html' title='Herói e Vilão'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-5858974276424341255</id><published>2008-05-14T14:09:00.002-03:00</published><updated>2008-05-14T14:21:01.735-03:00</updated><title type='text'>JORNALECOS: dominação mental e empresa de capitais</title><content type='html'>A comunicação de massa em Pindorama ressalta coisas sobre guerras, fotografias vermelhas e manchas em meio aos classificados, marcas de hidratante e receitas de como ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordarmos como que se estivéssemos dormindo, sonhos lindos em lugares limpos e saudáveis tomam o nosso redor. Do caos midiático precipitam anúncios de concurso público e a esperança de que tudo deve mudar. (Viva a mídia!) Com ela tudo tem uma “boa explicação”. Até a miséria humana. Despertamos do sono fisiológico para adentrarmos no fabuloso, no fantástico mundo da mídia, que ecoa como o arauto das boas intenções. Nada se explica, nada se discute, a não ser os bumbuns das moças bonitas das novelas e propagandas de cerveja. Nada sobre a possibilidade que Pindorama tem para ser um país de verdade, ao invés desse arremedo insólito de nação multiétnica embutida de objetivos comuns em torno de um mesmo projeto nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na província dos Goyasis, por exemplo, a mídia local, aprendiz de feitiçaria dos engenhos Rio-São Paulo, fala sobre a beleza do burgo descolado pelas bandeiras: praças limpas, arborizadas, canteiros de rosas esparramados nas avenidas, meninas com estilo manequim da Revista Brazil e muita música chula confundida com obra de arte em meio ao calor de deserto. As notícias são tão bem vestidas de palavras e imagens que quase acreditamos em tudo que dizem ser feito nos espaços de circulação da província do pequi. Graças ao quarto poder, o poder de comunicação da mídia, como os hodiernos Dyario de la Manhãna, El Populary, Tevî-Ayangueras e outros associados locais. Que vontade que dá de ser amigo da mídia! Tão competente no exercício do seu metier! Podemos lembrar, que enquanto os “novos” déspotas esclarecidos faturavam com os soldos emitidos pela Avestruz Máster, a mídia pequizeira preferiu incentivar o médio populacho a investir economias inteiras num “negócio da china”, com um lucro que seria garantido por um rendimento mensal que chegaria até os incríveis 5% ao mês. Mas ao preferir incentivar a compra de ações, a mídia também optou pelo oposto da sua virtude e, contrariando os princípios do jornalismo ético, deixou de informar as pessoas sobre como aquela empresa organizava seu caixa para poder redistribuir tais rendimentos com os investidores e nem de longe discutiu a origem e os antecedentes da mesma no interior paulista, onde já havia ocorrido o mesmo tipo de golpe financeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os donos de jornais, senhores de engenho da comunicação local, déspotas esclarecidos numa terra de gente semi-alfabetizada e sedenta por riqueza fácil, nada se falou sobre os fatos que alguns repórteres encontraram nas visitas in locu; nada sobre o número de aves dentro da empresa, inferior ao número dos registros de posse de aves encontrados com os investidores depois da investigação federal; nada de duvidar dos lucrativos juros superiores aos de quaisquer outros tipos de investimento bancário em Pindorama. Depois da derrocada empresarial, Polícia Federal rondando a cidade, coube apenas anunciar aquilo que todo mundo já estava sabendo, tremendo rombo pra quem comprou ações da empresa. Por que não informar as pessoas, os colaboradores da mídia? Isto é sonegar informação! Com certeza é (também) incentivar o instinto patriótico de enriquecimento fácil, existente desde os tempos em que nossos patrícios mancebos e mal cheirosos pisaram aqui em Pindorama. Mas de que vale tal incentivo? “Ora, se o meu lucro pode ser inevitável, por que impedir que ele aconteça?”, argüiria inteligentemente de si para si um bom senhor de gentes.&lt;br /&gt;N.B.P.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-5858974276424341255?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/5858974276424341255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=5858974276424341255' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5858974276424341255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5858974276424341255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/05/jornalecos-dominao-mental-e-empresa-de.html' title='JORNALECOS: dominação mental e empresa de capitais'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-2033093611060735634</id><published>2008-05-02T14:26:00.002-03:00</published><updated>2008-05-02T14:38:52.186-03:00</updated><title type='text'>Caso Isabella: o que está por trás do crime que comoveu o país?</title><content type='html'>• No último domingo, o país inteiro parou diante da televisão para acompanhar a reconstituição do assassinato da menina Isabella. O momento mais esperado foi quando um perito, de porte semelhante ao do pai, soltou pela janela uma boneca que imitava o corpo de Isabella, simulando o momento do crime. Esta cena ficou marcada na cabeça de milhões de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana, o crime que comoveu o país e virou uma novela diária, acompanhada por milhões de pessoas, completa um mês. A maioria da população já tem uma opinião sobre a responsabilidade de Alexandre e Ana Jatobá pela morte de Isabella. A principal discussão agora impulsionada pela mídia, que está lucrando milhões com o caso, é como ocorreu de fato o crime, especulando detalhes sórdidos e por que o pai e a madrasta cometeriam um ato tão monstruoso contra uma criança de apenas cinco anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para além do espetáculo da mídia burguesa com interesses econômicos e da exploração da polícia e da Justiça em proveito próprio, tentando salvar suas imagens caídas em descrédito junto à população, há uma comoção e uma indignação nacional da qual somos parte. O caso entrou nas casas de famílias de trabalhadores e vem despertando inúmeras discussões, reflexões e sentimentos não só individuais, mas coletivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A população inteira se pergunta o que se passa com a “família”, com as relações entre as pessoas, onde está a humanidade, a solidariedade, o afeto? O caso traz discussões profundas, como as de que o ser humano, por natureza, é mau. Afinal como um pai mata a própria filha? Sem dúvida o caso leva a certa “desmoralização do ser humano”. E fica a pergunta: Por quê? Aonde chegamos? O que fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta mais presente para dissipar esses sentimentos é o desejo de punição severa dos culpados, que beira ao desejo de linchamento público. Mas não se trata só disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, o assassinato foi cometido por verdadeiros monstros. Mas revela, também, doenças do conjunto da sociedade, da mesma forma como o assassinato de 13 pessoas numa universidade em Columbine, nos EUA, por dois estudantes, revelou uma deformação na sociedade norte-americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema Isabella, portanto, não é um assunto privado, um caso isolado, ou simplesmente fruto de distúrbios psicológicos de seus agressores. Infelizmente, existem várias “Isabellas” todos os dias nos quatros quantos do mundo que compõem um fenômeno silencioso, mas “comum”. Expressa uma doença da sociedade capitalista: um quadro vergonhoso da violência contra crianças, em especial a violência doméstica praticada pelos pais, mães, madrastas, padrastos e familiares em geral. O caso Isabella e tantos outros são apenas o extremo dessa situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A violência contra as crianças na sociedade capitalista&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso Isabella choca pela história: uma aparente família feliz, perfeita, onde um casal jovem de classe média, com nível superior de instrução, vivendo num apartamento novo e bonito com três crianças, agride e mata uma menina de cinco anos, alegre, carinhosa, cheia de vida. A perplexidade e indignação nacional não poderiam ser maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, casos como este, em que a violência contra as crianças, vinda de dentro da família, levam a morte de inocentes, infelizmente não são raros. O mais grave é que essa violência ocorre principalmente não na rua, mas exatamente nos locais onde as crianças deveriam se sentir mais seguras e receber proteção, que são os lares, escolas e creches.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultimo relatório das Nações Unidas (ONU) sobre a violência infantil publicou dados constrangedores, demonstrando que esta se dá em um número elevadíssimo de crianças em varias partes do mundo. São cerca de 200 milhões de crianças vítimas de diversos tipos de violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando que, em sua maioria, os casos de violência não são documentados nem denunciados, mas tolerados pelos familiares, “educadores” não-agressores, pelas instituições educacionais e escondidos pelos agressores e agredidos, seguramente estes números são de fato muito maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O silêncio dos Inocentes” &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas vítimas, crianças pequenas, não têm como denunciar. Mesmo sendo uma criança um pouco maior, tende a esconder e se calar, por medo ou vergonha, ou pela proximidade e dependência completa do agressor, principalmente econômica. A violência, muitas vezes, é cotidiana e se repete por anos, destruindo a vida desses seres que vivem sob o medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fato que existem muitos casos em que famílias convivem com a agressão às crianças e nada é feito para barrar o agressor. O silêncio motivado pelo medo de se expor ou de assumir as conseqüências da denúncia, por exemplo, transformam esse tipo de crime numa prática silenciosamente cometida longe dos olhos de todos. São crimes ocultos, enterrados num silêncio cúmplice. Alguns poucos casos resultam em punição, mas outros tantos simplesmente não aparecem, nem nas estatísticas oficiais, muito menos recebem qualquer atenção, nem por parte da família, nem por parte do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas crianças, vítimas da violência doméstica, por causa de sua condição social e da impunidade, do medo, não se transformam em notícia, e viram apenas números nas estatísticas. Às vezes, nem isso: são clandestinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A criança vitima da família patriarcal e da alienação dos pais&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A condição das crianças como um ser frágil, dependente, incapaz de garantir sua própria sobrevivência, junto com a família do tipo patriarcal, onde todos são propriedades do pai, ou no caso de famílias só com mãe, ou só com o pai, onde todos são propriedades de quem põem dinheiro dentro de casa, as crianças são vistas como uma propriedade, um objeto de seus pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família criada pelo capitalismo traz para o meio individual e privado obrigações que são do coletivo e, portanto, do Estado. Ao homem é dada à tarefa de trabalhar, à mulher de cuidar da casa, da comida, das vestimentas para as crianças. O marido assume a responsabilidade pela subsistência da mulher e dos filhos como uma obrigação natural. O casamento, a paternidade e a maternidade, que deveriam ser uma relação espontânea de realização da essência humana, afetiva, criadora, passam a ser um peso econômico grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas sociedades de caçadores-coletores, de comunismo primitivo, era toda a comunidade, homens e mulheres, que mantinham e protegiam seus membros e, sobretudo, as crianças, deste o berço até a morte. Com o capitalismo, essa imensa responsabilidade de cuidar, manter, educar, alimentar, abrigar os filhos passa a ser responsabilidade da família isolada e não mais do coletivo. A família e suas relações são profundamente abaladas pelo peso da manutenção da prole, o casamento e os filhos viram um fardo, um peso, uma prisão numa vida de sacrifícios e frustrações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, não há nenhuma garantia de que o pai e ou a mãe continuem empregados e que tenham um salário adequado para responder às necessidades dos filhos e deles mesmos, causando um grau de estresse enorme, insegurança e distorções grandes em relações que deveriam ser de solidariedade, liberdade, criação, afeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto com o desemprego e os baixos salários, a ausência de creches, de escolas em período integral, de restaurantes e lavanderias públicas, leva a mulher, em particular, a uma situação limite. Além de cuidar dos filhos é chamada a trabalhar fora para complementar o salário do marido. A mulher passa a ser vítima da opressão em casa e da dupla jornada de trabalho. Enfim, a superexploração dos pais faz recair, muitas vezes, sobre a criança, toda a frustração, fúria, revolta desses, que passam a ver nos filhos a causa dos seus problemas que, na verdade, estão na sociedade capitalista e não nas relações interpessoais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, a violência é justificada como método educativo: a violência doméstica, os insultos, as ameaças, a rejeição, a indiferença e o menosprezo são algumas das técnicas adotadas por certos pais para educar os filhos. Ainda hoje, a violência infantil dentro das escolas e de outras instituições educativas é autorizada em 106 países, onde os alunos são punidos. No caso do Brasil, a ofensa e agressão à criança são proibidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, mas, como a maioria das leis, esta também não sai do papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual a saída? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser humano se realiza trabalhando, transformando a natureza, criando e se relacionando com outros seres humanos. Mas, na sociedade capitalista, em que a imensa maioria dos homens e mulheres é obrigada a vender a sua força de trabalho em troca de um salário para sobreviver, sendo separados do produto do seu próprio trabalho, tendo sua capacidade criadora retirada e transformada em ações repetitivas em ritmos extenuantes de trabalho, em que, ao final, recebem um mísero salário para seguir sobrevivendo e seguir trabalhando, gera um tipo de homem e de mulher e transfere a eles uma série de relações que estes reproduzem no âmbito privado. O homem vira uma coisa, um objeto, um ser alienado da sua existência, da sua condição humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A opressão às crianças é parte da sociedade capitalista que transforma tudo em mercadoria a venda, em objetos, relações que nascem de uma natureza exploradora, alienante e anti-humana. Somente numa sociedade diferente, socialista, é possível que nossas crianças tenham um pleno desenvolvimento, no marco de relações completamente distintas. A responsabilidade de sua manutenção, alimentação, abrigo, educação serão do coletivo e não do indivíduo. As relações entre pais e filhos, entre pais e mães, entre homens e mulheres, serão livres do peso material e econômico, relações livres, afetivas e verdadeiramente humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa mudança depende da luta da nossa classe, em especial da classe operária que produz, por seu suor e suas mãos, o lucro que sustenta os capitalistas. São aqueles que, uma vez encorajados, conscientes e organizados podem dar um golpe de morte neste sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um novo tipo humano surgirá e se constituirá nesse processo de luta e será o germe da sociedade futura, uma sociedade sem exploradores e explorados, que permita acabar com a opressão entre os desiguais, como a opressão contra os mais frágeis. Assim, nossas crianças poderão crescer e se desenvolver plenamente, criando o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dados da violência infantil&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Mundo:&lt;br /&gt;*223 milhões – vítimas de abuso sexual; o sexo feminino é o mais exposto a este tipo de violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*218 milhões - foram de certa forma, “escravizados” através do trabalho infantil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*275 milhões - foram testemunhas de violência doméstica;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Entre uma e 20 mulheres em cada 100 confirmam ter sido abusadas sexualmente, em casa, antes dos 15 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil:&lt;br /&gt;**São 186.415 denúncias aos conselhos tutelares de violência cometida pelos pais, de 1999 até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***De 1996 a 2007, foram registrados, no país, 49.481 casos de violência grave cometida por familiares contra as crianças em suas casas. Nesse período, contabilizaram-se 532 mortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Relatório "Violência contra os Meninos, Meninas e Adolescentes", elaborado pela ONU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**Denúncias dos Conselhos Tutelares de todo o país, enviadas ao Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***Relatório USP e UNIFESP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dados da violência infantil em São Paulo&lt;br /&gt;- 60% são relacionados a crianças que vão de recém-nascidas a pré-adolescentes de até 12 anos, vítimas de estupro, exploração e abuso sexual&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 66% delas conhecem o agressor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 60% dos casos ocorreram na casa da própria vítima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 44,7% foram vítimas de estupro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 47% dos casos foram praticados por pessoas da própria família (intrafamiliar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 46% por pessoas extrafamilares- Em 54% dos casos, quem fez a denúncia da agressão foi algum membro da própria família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dados da Unifieo e Pastoral do Menor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cilene Gadelha, da Direção Nacional do PSTU&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-2033093611060735634?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/2033093611060735634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=2033093611060735634' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/2033093611060735634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/2033093611060735634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/05/caso-isabella-o-que-est-por-trs-do.html' title='Caso Isabella: o que está por trás do crime que comoveu o país?'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-7283033300835687704</id><published>2008-04-16T08:29:00.002-03:00</published><updated>2008-04-16T08:33:19.138-03:00</updated><title type='text'>“Caso Isabella virou novela doentia”</title><content type='html'>O texto abaixo foi retirado do &lt;a href="http://terramagazine.terra.com.br/index.html" target="_blank"&gt;Terra Magazine&lt;/a&gt;, do portal Terra, onde o antropólogo Roberto Albergaria da Universidade Federal da Bahia fala sobre o que vem fazendo a mídia nesse caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claudio Leal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte da menina Isabella Nardoni, 5 anos, deu início a uma novela midiática à procura de desfecho. Em 29 de março, ela morreu após uma queda da janela do apartamento do pai, Alexandre, na Zona Norte de São Paulo. A polícia investiga a autoria do crime e tem como principais suspeitos o pai e a madrasta de Isabella, Anna Carolina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há indícios de que ela tenha sido assassinada. Esse é o enredo central. O resto, segundo o antropólogo Roberto Albergaria, é a construção de uma novela “trágica” e “doentia”.&lt;br /&gt;Doutor em Antropologia pela Universidade de Paris VII e professor da Universidade Federal da Bahia, Albergaria critica os exageros da cobertura midiática e aponta uma abordagem “classista” e “racialista” do crime. “Porque é uma menina de classe média, bonitinha, e aí vem a estética”, afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há um lado doentio, e quem alimenta essa doença, que se tornou uma epidemia como a dengue, é a própria mídia. Porque há um viés “comunicacionista” ao se alimentar de forma mórbida uma história trágica. E transformar essa história trágica numa novela, no mesmo estilo das novelas das grandes televisões: mexicana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O surgimento de reviravoltas, vídeos da menina, sangue nas camisas, testemunhas surpreendentes (o garçom do bar em que a tia de Isabella estava no dia da morte), os parentes, os vizinhos (personagens fatais na obra de Nelson Rodrigues), compõem o painel da novela. Para Albergaria, a mídia transformou o crime “em metade da pauta da mídia durante semanas e semanas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O caso da menina veio a calhar para a mídia porque junta todas essas determinações: o classismo, o racialismo, o infantilismo… E, sobretudo, o “comunicacionismo”, uma das coisas mais doentias que existe hoje. É você explorar algumas misérias, seletivamente, como forma de emocionar as multidões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O antropólogo exerga outra distorção: ajudada pelo mistério, a novela em que se transformou o caso Isabella vale mais do que os fatos, e tira do debate público temas mais relevantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A mídia é o grande filtro. O espaço ocupado por essa menina é o espaço retirado de coisas muito mais importantes para a vida coletiva. Mas isso é um fato emocionante. A emoção vale mais do que a razão. A novela, o enredo, vale mais do que o fato - analisa Albergaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, a íntegra da entrevista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Terra Magazine -&lt;/strong&gt; Como o senhor analisa a cobertura do caso Isabella na mídia? Os vizinhos, a tia, a roupa, o sangue, os vídeos… Há um lado doentio nesse interesse minimalista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Roberto Albergaria -&lt;/strong&gt; Há, sim. Há um lado doentio, e quem alimenta essa doença, que se tornou uma epidemia como a dengue, é a própria mídia. Porque há um viés “comunicacionista” ao se alimentar de forma mórbida uma história trágica. E transformar essa história trágica numa novela, no mesmo estilo das novelas das grandes televisões: mexicana. É você transformar um fato, evidentemente grave, em metade da pauta da mídia durante semanas e semanas. Até que apareça outro. Não é uma questão puramente brasileira. É como aconteceu na Europa com o caso Madeleine. Por que essa menina foi escolhida como a bola da vez, a coitadinha da vez? Primeiro, porque já havia o modelo europeu. O caso Madeleine é alimentado por jornais sensacionalistas ingleses. Houve até recompensas. Segundo, ela é, digamos assim, “a vítima ideal”. Porque há um viés classista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que classista?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Porque é uma menina de classe média, bonitinha, e aí vem a estética. Se ela fosse muito feia, se ela fosse um pequeno “canhão”, não daria. As revistas semanais escolheram as fotos mais fotogênicas pra ressaltar isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E não é um caso, aparentemente, para um Sherlock Holmes…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É isso. Não existe mais muita diferença entre o jornalismo e a ficção, entre a novela e o jornal das 20h. O tratamento dado a um fato verdadeiro é o mesmo dado a um fato novelesco. Vão fazer render esta novela com todos os ingredientes possíveis. Aí entra o que eu chamei de viés classista. Ela é uma menina de classe média, branquinha. Na maioria dos Estados brasileiros, sobretudo aqui na Bahia, onde você tem uma maioria negro-mestiça, uma menina branca vale mais do que uma menina negra. Do ponto de vista dos Estados nordestinos, há esse lado racialista. A mídia dá um centímetro para as meninas negras que morrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há muitas mortes de crianças na epidemia de dengue no Rio.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;São geralmente crianças pobres. A mídia pega um caso de pobre e dois de ricos. Mas, no Rio de Janeiro, não há o elemento do mistério. Há a política. O que as pessoas querem é o filtro do mistério, da novela, da descoberta… Pra você entender esse caso, há um concurso de causas e circunstâncias. É um infanticídio. Na sociedade ocidental, o infanticídio é um pecado, uma falta muito forte. A possibilidade de ela ter sido morta por um dos pais é também um elemento de grande emoção para o público telespectador caseiro. Hoje se dá muito valor às crianças. Antigamente ela não era importante.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando é que nasce a valorização da infância?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nasce no século XVIII, com o mundo burguês. A criança se tornou o menino-rei, o núcleo simbólico da família nuclear burguesa. Antes, nas famílias aristocráticas, nas famílias pobres, você tinha unidades familiares com vários filhos. A perda de um filho era a perda de um único filho, não fazia tanta falta quanto iria fazer no mundo burguês, que tem no filho o futuro daquela unidade familiar. Além disso, eram poucos os filhos. Agora, há o filho único. Então, há esse viés infantilista, ou juvenicista, que tem a ver com a própria cultura contemporânea. O caso da menina veio a calhar para a mídia porque junta todas essas determinações: o classismo, o racialismo, o infantilismo - e o medo, o assombro, a tragédia do infanticídio. E, sobretudo, o “comunicacionismo”, uma das coisas mais doentias que existe hoje. É você explorar algumas misérias, seletivamente, como forma de emocionar as multidões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual é o grau de envolvimento dos jornalistas com essas tragédias?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O jornalismo passa a se envolver, no Brasil ainda pouco. Os jornais sensacionalistas ingleses chegaram a oferecer recompensas milionárias no caso Madeleine. É como se o jornalismo fosse parte dessa novela, parte integrante das investigações, das denúncias. Sobretudo na definição do que é importante para o telespectador, o ouvinte ou leitor, ter como elemento de reflexão. A mídia é o grande filtro. O espaço ocupado por essa menina é o espaço retirado de coisas muito mais importantes para a vida coletiva. Mas isso é um fato emocionante. A emoção vale mais do que a razão. A novela, o enredo, vale mais do que o fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Terra Magazine&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-7283033300835687704?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/7283033300835687704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=7283033300835687704' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/7283033300835687704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/7283033300835687704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/04/caso-isabella-virou-novela-doentia.html' title='“Caso Isabella virou novela doentia”'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-7890999983487564077</id><published>2008-03-24T14:20:00.002-03:00</published><updated>2008-03-24T14:29:25.705-03:00</updated><title type='text'>Os 200 anos da Imprensa Régia</title><content type='html'>&lt;em&gt;“A revista moralista&lt;br /&gt;mostra uma lista&lt;br /&gt;dos pecados da vedete&lt;br /&gt;E tem jornal popular&lt;br /&gt;que nunca se espreme&lt;br /&gt;porque pode derramar&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;É somente folhear e usar”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;(TomZé - “Parque industrial” - 1967)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OS 200 ANOS – que ora comemoramos – da chegada ao Brasil da família real portuguesa, posta para correr da Europa por Napoleão I e escoltada até nossos portos seguros pela Marinha inglesa, suscitam reflexões sobre vários dos seus aspectos. O mais óbvio, sem dúvida, é a abertura dos portos a nações amigas (leia-se Inglaterra), anunciada ainda na escala feita em Salvador, antes mesmo da corte chegar ao seu destino, o Rio de Janeiro, cidade elevada repentinamente a capital do Reino Unido a Portugal e Algarve. Isto é, a capital do Império Português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos velhos livros escolares brasileiros, essa fuga ganha o título quase mágico de “A Transmigração da Família Real para o Brasil”, do mesmo modo que a debandada, alguns anos depois, das forças de Duque de Caxias – O Pacificador –, nos é apresentada pomposamente, pela historiografia oficial, como “A Heróica Retirada da Laguna”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, o que são capazes de construir as palavras!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade subproduto do prolongamento e expansão da revolução burguesa na Europa, e das aspirações imperiais da França napoleônica que pretendia, através da Península Ibérica – e especialmente através de Portugal –, pôr de joelhos (e fazer rezar) a “Loira Albion”, a chegada da caravana marítima de reinóis lusos acabara por imprimir uma nova dinâmica à velha colônia, acelerando inclusive seu processo de independência monitorada por Londres, na medida dos seus interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disso tudo, porém, nos diz respeito particularmente, neste momento, apenas um dos atos do príncipe regente João VI, que governava em substituição da senhora sua mãe, dona Maria I, acometida de insanidade mental, o que lhe valeu desde então o epíteto de A Louca. Falamos da criação da Imprensa Régia, em 13 de maio de 1808, pouco depois do desembarque no Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que de caráter absolutamente oficial, a Imprensa Régia significou a primeira vez que se imprimiu legalmente no Brasil – o primeiro jornal privado legal e não submetido diretamente aos governantes ou ao Estado, em nosso país, só passará a existir três anos após a independência. Foi o Diário de Pernambuco, fundado em 1825.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As elites sempre souberam da importância e do poder dos meios de comunicação. Por isso mesmo, logo depois da chegada dos portugueses, em abril de 1500, Lisboa garantiu para si alguns monopólios estratégicos na sua nova colônia. O monopólio da terra, da exploração das riquezas, do comércio e da comunicação. No que diz respeito a esse último, todo e qualquer material estava proibido de ser impresso no país – sob pena, inclusive, de punição com morte dos infratores da norma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, Portugal paria assim quadrigêmeos siameses, fantasmas que rondam a classe trabalhadora e o povo brasileiro desde sempre: a propriedade monopolizada da comunicação, da terra, da produção/exploração e do comércio, que depois do período da colônia, passarão a ser controladas inicialmente pelos capitais locais, para hoje – e desde há algum tempo – serem oligopolizadas e apropriadas pelo grande capital internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, apesar de tudo, os trabalhadores e o povo brasileiro poderemos de algum modo comemorar pequenos avanços no dia dos 200 anos de fundação da Imprensa Régia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. A grande mídia brasileira é hoje a instituição nacional mais desmoralizada e menos confiável para amplos setores da população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. A principal revista de circulação nacional, a Veja (Editora Abril), com sua redação povoada por “nossas antas” e outros energúmenos, além de só ter crédito junto à ultradireita, está sendo alvo de absoluto achincalhamento, através de um dossiê do jornalista Luís Nassif, que invadiu e se expandiu via internet, não apenas Brasil afora, mas por todo mundo (veja o dossiê -  &lt;a href="http://luis.nassif.googlepages.com/"&gt;http://luis.nassif.googlepages.com/&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. A Rede Globo (Organizações Globo), o poderoso império construído pelo senhor Roberto Marinho em troca de apoio e outros favores aos sucessivos governos da ditadura, além de reconhecida publicamente pela contumaz falsificacação das informações que transmite, é hoje acusada formalmente e conduzida às barras dos tribunais por estelionato. De acordo com seus acusadores, a poderosa Rede Globo falsificou documentação de compra da antiga TV Paulista (leia reportagem - &lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/impresso/jornal.2008-03-13.1254343899/editoria.2008-03-13.0408421018/materia.2008-03-14.8780657646/"&gt;http://www.brasildefato.com.br/v01/impresso/jornal.2008-03-13.1254343899/editoria.2008-03-13.0408421018/materia.2008-03-14.8780657646/&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardemos até o dia 13 de maio. Quem sabe nos estejam reservadas outras boas surpresas. Mas, em sendo tudo “briga de branco”, acabará tudo em pizza?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-7890999983487564077?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/7890999983487564077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=7890999983487564077' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/7890999983487564077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/7890999983487564077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/03/os-200-anos-da-imprensa-rgia.html' title='Os 200 anos da Imprensa Régia'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-217592698934073003</id><published>2008-03-17T14:23:00.000-03:00</published><updated>2008-03-17T14:31:16.669-03:00</updated><title type='text'>Chamem a juíza Karam!!!</title><content type='html'>Assistir Meu Nome Não é Johnny depois de Tropa de Elite é ótimo para perceber os discursos estéticos e políticos que atravessam os filmes e seus personagens frente a questão das drogas e da violência: de um lado o mais novo herói brasileiro, o garoto propaganda da cerveja turbinado como Capitão Nascimento e defendendo a “moral da tropa”, a “boa” policia que destila ódio e ressentimento contra Ongs de “menininhas bonitas bem intencionadas”, demoniza jovens que fumam maconha (“quantas crianças vão para o tráfico para esse cara fumar um baseado”) , e rotula todos com a mesma insígnia de “inimigos públicos número 1”: consumidores, traficantes, policia corrupta, ongs, todos merecem um “corretivo” dos camisas-preta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme e o personagem não criam nenhuma brecha para qualquer questionamento, a ação arrasta o espectador para um discurso regressivo e vingativo, bastante popular, de culpabilização, moralismo e terror, sintetizados na cena em que o Capitão Nascimento, enfia a cara de um consumidor num cadáver ensangüentado berrando “veado, maconheiro é você que financia essa merda!!!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prazer, o gozo regressivo do personagem em estado de excitação vai produzindo uma comoção fácil na platéia, a verdade da fúria santa e da “indignação”, o mesmo tipo de denuncismo e indignados que a mídia não cessa de repercutir e incensar, com a propagação de idéias e slogans simplórios, “contra a corrupção”, “contra dar dinheiro aos pobres”, contra qualquer política que crie uma real ruptura no estado das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narrados na primeira pessoa, os dois filmes constroem uma identificação imediata, cinematográfica, entre o espectador e os personagens-narradores a partir desses momentos de catarse. O Capitão Nascimento excitando nosso devir-fascista, com sua “expertise”, frases-feitas, camisa-preta e apologia da tortura, do extermínio e celebração da morte. Ou seja, o terror de Estado legitimado cinematograficamente e socialmente. E, de outro lado, o narrador-experimentador, João Estrela, também falando na primeira pessoa do singular e partilhando seu devir-consumidor, devir-traficante, devir-família, devir-presidiário, devir-careta, sem que nada disso seja “incompossível”, nem tenha que ser demonizado e negado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vítima da narrativa de Tropa da Elite é portando o espectador, tornado refém da lógica do Capitão Nascimento e de Matias, aspirante a Capitão, que só têm um devir: virarem assassinos fardados e arrastar o espectador no gozo regressivo da repressão, da tortura, e da infantilização, o Bope é o “bicho papão” de preto e caveira, fantasia carnavalesca que as crianças adotaram no Rio de Janeiro, “e que vai pegar você”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme cola nesse discurso de tal forma que é impossível não querer o que ele quer e não justificar suas ações. O espectador se torna refém. Não é coincidência que o símbolo do Bope é a mesma caveira-símbolo dos esquadrões da morte. A pulsão de morte e a adrenalina, o gozo imperativo e soberano em ver, infligir e se expor a violência está presente em todo o cinema de ação comercial, numa regressão planetária que reafirma a "autoridade absoluta", o poder que normalizaria o caos e regraria a catástrofe, mesmo que utilize para isso a violência e arbitrariedade máximas. Toda a ideologia Bush, anti-terrorista, cabe aí. É o mesmíssimo discurso! A guerra infinita, a guerra total permanente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dualismo e pragmatismo do personagem do Capitão se repetem em cenas catárticas em que esculacha e sufoca com um saco plástico gosmento de sangue um garoto do tráfico, chutado, espancado, torturado, para passar mais informações. O filme justifica a tortura da “boa” policia como parte de sua expertise e eficiência. A tortura é apenas mais uma “tecnologia”, como o Caveirão, totalmente justificada, “moralmente” e cinematograficamente, como num “institucional do Bope”, como já disseram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu nome não é Johnny aposta num anti-Capitão Nascimento, um anti-herói hedonista e sedutor, “no stress”, que cheira para se divertir, para amar, sem deixar de ser afetuoso, família, amigo, amante. A figura não-clichê de João Estrela sugere que o pressuposto de “um mundo sem drogas” é no mínimo hipócrita, e não leva em consideração a cultura e o desejo humano e um componente importante no cenário contemporânea, o risco assumido e livre. Como a gordura trans e o álcool, qualquer droga seria um “direito” do consumidor contemporâneo. Por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sabido que o consumo de drogas não fere nem ameaça a rede social, é uma decisão, um risco individual. O consumo de drogas não seria menos epidêmico e arriscado que o consumo de gorduras, aditivos cancerígenos, miríades de estimulantes, calmantes, excitantes e no máximo poderia ser um caso de saúde pública, não um caso de polícia se não houvesse a ilegalidade na produção e consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a ilegalidade e o proibicionismo que levam a criação de sistemas violentos para assegurar a produção e comércio das drogas. Grupos armados e para-militares para assegurar a produção e venda e defender o negócio da polícia e de outros concorrentes, acertos de contas internos, zonas de controle de territórios pela violência armada, corrupção, subornos, assassinatos para assegurar a lavagem de dinheiro, cultura da delação e da traição, delação premiada, produzindo ódio, desconfiança e vingança generalizados. Sobre a legalização das drogas, o Capitão Nascimento age como uma toupeira. Essa hipótese não existe para o personagem, nem para o filme, dramaturgicamente. Em Meu Nome não é Johnny a questão aparece de forma mais interessante e complexa, mas não faz parte do mundo mental ou social dos personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As hipóteses e explicações nos filmes patinam em clichês já sabidos (mas não custa repetir, Meu Nome não é Johnny é muito mais sofisticado e sutil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, por quê não circulam outros discursos sobre as drogas, como os da juíza de direito Maria Lúcia Karam ou do advogado carioca André Barros, que defendem e militam pela descriminalização, a medicalização e a legalização das drogas, com avanços gradativos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O usuário podendo fazer uso de consumo individual, freqüentar salas de consumo, ter acompanhamento médico e controle da qualidade do produto, até chegarmos a legalização e controle do comércio de drogas, seja por empresas privadas ou pelo estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Legalizar, defende a juíza, é quebrar o ciclo da violência das armas, da corrupção (da policia, de políticos, de empresários), da guetificação da violência e da repressão policial infringida às favelas e aos pobres, do uso e extermínio da mão de obra infantil e de jovens, da degradação da saúde, através do uso seguro, é romper um ciclo vicioso de violência já instalado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Legalizar é acabar com a hipocrisia e combater a violência extrema e o regime de exceção e arbitrariedade legitimados pelo Estado, pela polícia, pela sociedade-anti-pobres e pelo tráfico, sócios na produção da atual barbárie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem corrupção, nem omissão, nem guerra. A questão é de guerrilha, é não ficar refém do Capitão Nascimento, é minar os clichês e discursos conservadores. Chega de vingança regressiva, chamem a juíza Karam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ivana Bentes&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-217592698934073003?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/217592698934073003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=217592698934073003' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/217592698934073003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/217592698934073003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/03/chamem-juza-karam.html' title='Chamem a juíza Karam!!!'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-5506285442936864519</id><published>2008-03-07T13:52:00.000-03:00</published><updated>2008-03-07T14:09:01.039-03:00</updated><title type='text'>Sociologia é retirada do currículo paulista</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Cabe a pergunta: por que será que querem tanto acabar com a Sociologia, com a Filosofia e com as demais disciplinas que são capazes de transformar as pessoas, de fazê-las pensar e refletir sobre nossa situação?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que é porque criar cidadãos críticos é perigoso para os 5% que dominam os outros 95%!!!&lt;br /&gt;Para eles, assim como bandido bom é bandido morto, povo bom é povo burro! E é claro que a mídia dá uma "mãozinha".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;em&gt;Vejam a notícia:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na contramão de decisão federal, tucanos eliminam disciplina no ensino médio; sindicatos tentam reverter situação em 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a atual gestão do governador José Serra (PSDBSP), a disciplina de Sociologia, no ensino médio, não tem importância na educação dos jovens. Contrariando uma norma federal elaborada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) em 2006 – que tornou a disciplina, assim como Filosofia, obrigatória –, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo retirou por completo a Sociologia das salas de aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decisão foi oficializada pela resolução 92, do dia 19 de dezembro de 2007, que reestrutura a grade curricular dos ensinos fundamental e médio paulistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já as aulas de Filosofia ainda são obrigatórias no Estado. No Brasil, todos os demais 25 estados e o Distrito Federal, sem exceção, normatizaram a regra. Anteriormente, ainda no governo de Geraldo Alckmin (1999-2006), os tucanos tinham tirado a obrigatoriedade da disciplina. Lejeune de Carvalho, presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo (Sinsesp), conta que cerca de mil, das 3.750 escolas estaduais, mantinham a disciplina. Com a nova medida, que passa a valer a partir deste ano, cerca de mil pro- fissionais serão demitidos. “Para nós, a decisão é um erro grave, mais um retrocesso na qualidade da educação em São Paulo”, protesta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da nova resolução, o Sinsesp e o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) buscaram apoio junto a parlamentares e ao Ministério Público Estadual (MPE). Duas reuniões com a secretária de Educação, Maria Helena Guimarães, já foram feitas. “Ela, que é socióloga, inclusive, se justifica afirmando que essa determinação já estava em andamento quando assumiu, em julho de 2007, e que está disposta a corrigir o erro”, afirma Carvalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso, foi estabelecida uma comissão tripartite constituída pelo Sinsesp, Apeoesp e pela Secretaria, com acompanhamento de um assessor jurídico. O Grupo de Trabalho formado elaborará um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que, se assinado por todas as partes e também pelo procurador geral do MPE, tem força de lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No texto, Carvalho conta que a obrigatoriedade da disciplina retornará. Entretanto, os estragos da resolução 92 para 2008 já estão feitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não é possível mais reverter a situação deste ano. O TAC só passará a valer em 2009”, aponta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A medida do governo tucano causou indignação até mesmo em sociólogos considerados alinhados ao PSDB. José de Souza Martins, em artigo publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo do dia 10, escreveu que “o movimento pela sociologia no ensino médio se arrasta sem rumo até hoje, perturbado pela compreensão pobre que dele têm os governos, as escolas e o professorado. Uns porque têm como referência uma economia de resultados, em que o bom e apropriado ensino é confundido com o número de alunos que uma escola catapulta no vestibular das boas universidades públicas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Lejeune de Carvalho, a decisão do governo tucano vai ao encontro do aprofundamento das medidas neoliberais. “Serra é o porta-vez desse modelo, e dentro dele não cabe Sociologia. É um absurdo privar a juventude do acesso ao instrumental que a nossa ciência proporciona”, finaliza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dafne Melo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-5506285442936864519?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/5506285442936864519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=5506285442936864519' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5506285442936864519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5506285442936864519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/03/sociologia-retirada-do-currculo.html' title='Sociologia é retirada do currículo paulista'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-5660333742939719798</id><published>2008-03-07T13:43:00.000-03:00</published><updated>2008-03-07T13:46:36.055-03:00</updated><title type='text'>Promessa de mudança!</title><content type='html'>ELE PARECERIA um rei, tamanha a beleza. A bermuda despojada, uma camisa em tom pastel e um boné surrado que gritava, em vermelho sangue, uma palavra muito pouco ouvida na universidade: favela. Ele era um, em meio a uma centena de jovens negros que lotavam o auditório da reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para um dia histórico. O dia em que negros e negras, muitos deles empobrecidos, entraram na universidade, não para uma visita ou para servirem de objetos de estudo, mas para ser aluno, fazer um curso superior. É que, pela primeira vez, a UFSC destinou cotas para negros no seu vestibular de ingresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na comissão de professores que atendia, um por um, os calouros, era visível a alegria e o orgulho de ver uma luta de anos finalmente sendo concretizada na prática. Havia sorrisos, apertos firmes de mão e até abraços. Pelo auditório, passeavam outras cores, cabelos cheios de tranças ou dreads, colares étnicos, risos. Eram negros, centenas, e não aquela meia dúzia, em geral africanos, que a comunidade universitária está acostumada a ver pelo campus. Eu penso que não deveria haver cotas para negros, nem para índios, nem para estudantes da escola pública. Mas, enfim, desde que a universidade surgiu existe uma reserva de cotas. É a cota dos que fazem cursinho pago. Dos que podem ter bons colégios particulare s. Então, isso sempre existiu. E, já que existiam cotas para os ricos, é muito justo que exista também para os negros, para os índios e para os que estudam em escola pública. No regime excludente da universidade pública, estas cotas instituídas agora são muito justas sim. E podem gritar os racistas, os neonazistas, e todos os outros “istas” que existem por aí, enrustidos ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que a luta deve ser por escola para todos. Todo e qualquer ser humano que viva aqui nestas terras devia ter direito a uma universidade pública e de qualidade. Porque gratuita ela não é. Todos nós pagamos para que poucos possam ter uma formação. E até hoje, os empobrecidos, os negros e os índios (estes, na sua maioria, também empobrecidos) não tinham essa chance. Não conseguiam passar a barreira da cota dos cursinhos. Quem pode ter duzentos, trezentos reais, para pagar por mês um curso preparatório?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cotas são um paliativo. Sim, são. Mas elas podem ser fermento de mudança, elas podem escancarar a chaga escondida do racismo .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, na UFSC, eu vi. Aqueles garotos e garotas negros, sempre marcados pelo preconceito, pela exclusão, unicamente por conta da cor, agora dentro da universidade. Não que isso seja muita coisa. Não que seja bom para eles. É bom para a universidade, isto sim! Esta universidade racista, conservadora, por vezes reacionária, precisava se abrir ao outro, ao que sempre esteve fora por conta da sua condição econômica. Esta universidade precisa conviver com a gurizada que vem das escolas públicas, com as gentes das comunidades de periferia, com garotos como aquele do boné que grita: favela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo o que eu queria ver era esses garotos e garotas negros trazerem para dentro dos muros do campus sua música, sua cultura, suas raízes, seu riso, sua crítica, sua raiva, sua doçura, sua esperança, seu jeito de viver. &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;E tudo o que eu quero é que eles não fiquem como a maioria dos universitários: apáticos, egoístas, ambiciosos, pensando só no mercado. Eu quero que eles possam revolver conceitos, inventar o novo.&lt;/span&gt; Eu fiquei olhando para eles, mergulhada em emoção e sonhando. Ainda são poucos, muito poucos, mas podem fazer um grande estrago. Sempre digo que a universidade, tal como é, precisa morrer. &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Há que nascer uma universidade diferente, capaz de pensar a vida real, capaz de caminhar nas estradas secundárias, capaz de construir uma nova sociedade.&lt;/span&gt; Não sei por que, mas creio que pode começar agora. Quando as gentes da periferia, os que estão excluídos da vida digna, os índios massacrados, entrarem e seguirem sendo eles mesmos, ajudando a inventar um tempo novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, ontem, num átimo, me voltou a esperança...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Elaine Tavares é jornalista&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-5660333742939719798?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/5660333742939719798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=5660333742939719798' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5660333742939719798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5660333742939719798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/03/promessa-de-mudana.html' title='Promessa de mudança!'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-8377191469757060436</id><published>2008-03-05T13:51:00.000-03:00</published><updated>2008-03-05T14:11:33.581-03:00</updated><title type='text'>Os milionários de Bruzundangas</title><content type='html'>UMA ‘COLUNISTA social’ da grande imprensa paulistana, bastante afeita à rotina da burguesia tupiniquim, publicou em 2007 uma longa crônica acerca de alguns hábitos cultivados pelos milionários da província. A matéria, obviamente, confere aos “muito ricos” uma aura de poder e superioridade que só as grandes fortunas logram cultivar: eles não se misturam à plebe ignara, nem sequer são vistos nas ruas, lojas ou joalherias; ao contrário, “são elas que vão até eles – muito mais prático”, escreve, deslumbrada, a (pseudo)jornalista. Em compensação, adoram “brincar de pobres” e costumam passar as férias em uma casa simples, mas bastante confortável, “numa praia ainda não descoberta do Nordeste” (decerto a região-símbolo da pobreza nacional, deve supor a colunista).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mito composto pela crônica vai mais além. Ela se preocupa em consignar que “os muito ricos não ostentam”: seus carros costumam ser “pretos, de marca indefinida” e nunca são novos ou “do ano”; as dondocas multimilionárias, por sua vez, não usam roupas ou acessórios ‘identificáveis’ e têm costureiros exclusivos, que só elas conhecem e que tampouco fazem questão de aparecer nas revistas de modas, para que suas criações não se ‘vulgarizem’ na mídia ou na fogueira de vaidades dos artistas. Os realmente ricos, insiste o artigo, “não falam de moda nem de consumo”, e o vinho servido em suas mesas é tão excepcional que vem em garrafas de cristal, sem registro de ano ou origem, pois, afinal, não é preciso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça laudatória se encerra com curiosas observações sobre a vida íntima dos casais milhardários, que, afiança a cronista, dormem em cômodos separados, só saem dos seus quartos vestidos a rigor e sempre se tratam com a maior cerimônia. O texto nos adverte, por fi m, a título de pedigree, que homens e mulheres “muito ricos mesmo” têm uma coisa em comum: eles jamais dão uma gargalhada; no máximo, sorriem... Isso tudo foi escrito em outubro, meu caro leitor. Agora em janeiro, uma pesquisa internacional revelou que, além de ser um dos países em que o número de milionários mais cresce, o Brasil é o segundo na lista das nações onde as fortunas se multiplicam mais rapidamente. Afora isso, dados dos consultores especializados atestam que o comércio de luxo cresceu 17% por aqui em 2007, com uma explosão de vendas de carros de marca, jatos executivos e helicópteros (só para o leitor ter uma idéia, o preço de um Range Rover Vogue é R$ 390 mil, e o de um BMW 760 chega a R$ 700 mil...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda essa desfaçatez reunida me fez lembrar o notável Lima Barreto e sua viagem ficcional à imaginária República de Bruzundangas, cuja elite era formada por latifundiários que viviam nas cidades, “gastando à larga, levando vida de nababos e com fumaças de aristocratas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o café não lhes dava o bastante “para as suas imponências e as da família”, começavam a clamar que o país iria à bancarrota, que era preciso salvar a lavoura, pois o café era o esteio do país; e — zás — arranjavam “meios e modos de o governo central decretar um empréstimo de milhões para valorizar o produto”. O único detalhe é que o genial romancista carioca escreveu essa sátira no início do século XX, quase cem anos antes desta pós-modernidade neoliberal que o grande capital transnacional nos impôs. Talvez tenha mudado o cenário ou alguns figurinos; houve algum arranjo no enredo, decerto, transposto para o novo milênio – mas o leitor mais atento com certeza está a reconhecer que o nosso drama, em essência, pouco ou nada mudou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, caríssimos leitores: carrancuda ou risonha, regada a vinho ou a café, Bruzundangas é aqui; Bruzundangas é agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Luiz Ricardo Leitão é escritor e professor adjunto da UERJ. Doutor em Literatura Latino-americana pela Universidade de La Habana, é autor de Lima Barreto: o rebelde imprescindível (Editora Expressão Popular) &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-8377191469757060436?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/8377191469757060436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=8377191469757060436' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/8377191469757060436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/8377191469757060436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/03/os-milionrios-de-bruzundangas.html' title='Os milionários de Bruzundangas'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-1888321568499390315</id><published>2008-03-05T13:42:00.000-03:00</published><updated>2008-03-05T13:46:32.380-03:00</updated><title type='text'>Uma crônica sem cartões</title><content type='html'>ABRIMOS OS jornais e, afora o copioso noticiário policial ou os calorosos eventos esportivos, só logramos ler caudalosas matérias sobre o uso nebuloso – ou seja, o abuso – dos famosos cartões corporativos da União e do governo paulista (isto é, as tchurmas de Alckmin &amp;amp; Serra), ou então a extensa e quase apaixonada cobertura que os repórteres da colônia realizam sobre as convenções primárias de democratas e republicanos para a escolha dos delegados que definirão os candidatos dos maiores partidos ianques à sucessão do malsinado George W. Bush.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o primeiro tema, cronistas mais célebres do que este escriba, como os mestres Veríssimo e Cony, já se pronunciaram com muita verve e humor na grande imprensa tupiniquim. Quanto ao segundo, julgo até compreensível o interesse exagerado da mídia, já que a aguda crise do império do Norte anda a preocupar bolsas &amp;amp; mercados – e sabe-se lá se todos eles ainda terão emprego ao final do presente ciclo, que se caracteriza não só por uma visível retração da economia, como também por um profundo desgaste no cenário internacional, após as malogradas invasões ao Iraque e Afeganistão. Obama e/ou Hillary não resolverão nada, posso assegurar-lhes, mas oxalá a malta de W. Bush &amp;amp; Dick Cheney volte para o banco de reservas ao longo dos próximos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a esse duopólio da pauta, uma notícia, porém, desperta singular interesse. Trata-se de uma pesquisa coordenada por Ian Rowlands, da University College de Londres, acerca do “Comportamento Informativo do Pesquisador do Futuro”. Em outras palavras, um estudo sobre o suposto mito de que a geração nascida após 1993, mais habituada aos mecanismos digitais, teria maior facilidade em lidar com o mundo virtual e obter informações por meio de ferramentas de busca eletrônica como o Google ou Yahoo. Uma das conclusões mais severas da pesquisa, segundo enuncia o professor inglês, é que “a sociedade está emburrecendo”. Ao consultar portais com dados relevantes (como a Biblioteca Britânica e outros), acadêmicos mais jovens e até mesmo doutores mais experientes “passam os olhos por títulos, índices e resumos vorazmente, sem leitura real”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, há quem discorde dessas avaliações. Um professor da UFMG reconhece que o Google privilegia certas páginas em detrimento de outras, e que os alunos não sabem discernir um portal de artigos acadêmicos do “blog do Joãozinho” – e, pior, são capazes de citar o blog sem o menor pudor, já que lhes falta “juízo de valor”. Contudo, não seria a Internet a responsável por tal tendência: agia-se da mesma forma “quando pesquisávamos nas enciclopédias”, ele adverte; “o que mudou foi a oferta de informação”. A ferramenta eletrônica, como qualquer outra, aliás, apresenta riscos e vantagens. Basta evocar o caso da televisão, cuja difusão entre nós, a partir de 1950, sob os auspícios de Tio Sam, revelou talentos notáveis, mas também se prestou aos mais perniciosos desígnios, que o digam os Robertos Marinhos e Bispos Macedos das nossas “cadeias nacionais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O perigo maior, pois, é torná-la um mero fetiche, esquecendo- se do essencial em qualquer processo civilizatório ou regime social: quem controla essa ferramenta? Ou, parafraseando o velho e sábio Marx, quem é o proprietário desse “instrumento” de produção? Não há dúvida de que o meio eletrônico é um suporte básico para o atual estágio ‘biocibernético’ de acumulação do capital, assim como a máquina a vapor ou o motor a combustão são ícones vitais do capitalismo industrial. Mas ele não deve ser naturalizado como uma prerrogativa inata e exclusiva do capital. A luta em favor da inclusão digital e pela mais ampla democratização do acesso ao universo eletrônico está na pauta dos movimentos sociais em todo o planeta. Conquistemos e socializemos essa arma criada pelo inimigo. Lembremos, uma vez mais, as lições de Macunaíma e dos antropófagos de Bruzundangas: “devorar” o outro e digeri-lo, para assimilar sua força e engenhosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Luiz Ricardo Leitão é escritor e professor adjunto da UERJ. Doutor em Literatura Latino-americana pela Universidade de La Habana, é autor de Lima Barreto: o rebelde imprescindível (Editora Expressão Popular). &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-1888321568499390315?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/1888321568499390315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=1888321568499390315' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1888321568499390315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1888321568499390315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/03/uma-crnica-sem-cartes.html' title='Uma crônica sem cartões'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-2844852219732261170</id><published>2008-02-26T08:04:00.000-03:00</published><updated>2008-02-26T08:05:54.108-03:00</updated><title type='text'>Como superar a lógica esquemática das esquerdas</title><content type='html'>O atual governo e suas políticas são inimigos do avanço das esquerdas e das verdadeiras transformações sociais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo Lula corrói a esquerda silenciosamente, por dentro, nas entranhas, como o câncer. É diferente do que acontece quando se tem a luta aberta contra a direita, quando é possível identificar mais claramente os inimigos. Dizer o óbvio, que a direita é mais truculenta do que a geléia geral do governo Lula, não contribui para definir a tática da esquerda. A geléia geral é sim menos truculenta, mas é mais danosa na medida em que age no interior das fileiras da esquerda, divide as forças, acomoda, corrompe, coopta, quebra a capacidade crítica e a combatividade. A direita no governo é mais dura nas bordoadas, mas causa menos danos à essência dos compromissos políticos e éticos da esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O raciocínio esquemático de setores da esquerda costuma enfatizar que fazer oposição ao governo Lula é apostar no pior, e que o pior só favorece os inimigos da esquerda. De acordo com esse raciocínio, é preferível engolir o governo Lula e a política hegemônica do PT do que entregar o governo para o PSDB-DEM e caterva. Se os inimigos verdadeiros são o capital, a burguesia e seus representantes, no momento atual a situação é altamente favorável aos inimigos, já que o modelo econômico mantido pelo governo Lula – e os grandes negócios do Estado com o empresariado – tem permitido a mais estupenda acumulação, total liberdade de atuação, entrega dos recursos naturais e do patrimônio nacional – praticamente sem restrições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca o capital viveu uma situação tão vantajosa nos mais de cem anos de República. Além disso, contribui para deixar o inimigo à vontade o fato real e concreto de que a força hegemônica nas esquerdas, o PT, consente com as políticas do governo Lula e não oferece nenhuma resistência à espoliação capitalista. O capital está nadando de braçada justamente porque a esquerda dividida fornece um ambiente de “tranqüilidade e paz” para o avanço do capital sobre as forças do trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O raciocínio político que precisa ser colocado na conjuntura não pode ser obviamente em cima das eventuais benesses – circunstanciais e passageiras – proporcionadas pelo atual governo. Mesmo porque não existe nada sob controle no jogo eleitoral. Essa visão é essencialmente fisiológica, na medida em que contempla vantagens e desvantagens da atual aliança com o capital, seja nas políticas assistencialistas, na suposta contenção da selvageria ou nas inúmeras sinecuras a setores da militância antes ignorados e excluídos. Não dá para confundir estratégia política com lealdade e gratidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que precisa ser verificado realmente é a análise se tais ações de governo contribuem ou não para a organização e o acúmulo de forças no campo popular e das esquerdas. E está claro, até o presente momento, desde 1º de janeiro de 2003, que o governo do PT com as forças conservadoras e de direita tem contribuído muito mais para reorganizar esses setores dominantes, revitalizar antigas oligarquias, vitaminar os grupos empresariais – do que fortalecer o outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela lógica dos amigos e inimigos, podemos afirmar que o atual governo e suas políticas são inimigos do avanço das esquerdas e das verdadeiras transformações sociais. É claro que no balanço das relações clientelistas com a sociedade, o atual governo tem ampla vantagem em relação aos anteriores. Mas no processo de lutas de médio e longo prazo, o atual governo é mais corrosivo do que uma eventual articulação das esquerdas para o enfrentamento aberto contra as forças do capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reunificação e o avanço das forças de esquerda, com o respaldo do movimento social popular, só pode acontecer no momento de convergência da análise centrada no combate às oligarquias, ao capital e ao imperialismo; na proposta de construção de uma nova sociedade sem oprimidos e sem explorados. Se o governo federal não soma nesse processo, não viabiliza avanços contra os verdadeiros inimigos do povo brasileiro, o terreno da luta e da aglutinação só são possíveis no campo da oposição. Fazer oposição ao governo, portanto, não é escolher o pior, é impedir que o pior continue inviabilizando a articulação de forças no campo das esquerdas, é estabelecer uma fronteira clara – para ser facilmente identificada pelo povo – entre aquilo que fortalece o modelo hegemônico do capital e o que constitui a alternativa nacional, popular e socialista.&lt;br /&gt;Não dá mais para ficar jogando fumaça no quadro político. O caminho precisa ganhar nitidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor da PUC-SP.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-2844852219732261170?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/2844852219732261170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=2844852219732261170' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/2844852219732261170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/2844852219732261170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/02/como-superar-lgica-esquemtica-das.html' title='Como superar a lógica esquemática das esquerdas'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-5181175926367320783</id><published>2008-02-21T13:35:00.000-03:00</published><updated>2008-02-21T13:37:51.278-03:00</updated><title type='text'>Panem et circenses</title><content type='html'>O POETA latino Juvenal dedicou essas palavras de amargo desprezo àqueles romanos que, em plena decadência do Império, no início da nossa era, dirigiam-se ao Foro apenas para pedir trigo e espetáculos gratuitos, ou seja, “pão e circo”. A velha máxima consagrada em suas Sátiras parece ser o lema adotado pelos políticos de Bruzundangas já há algumas décadas, mas sob a batuta de Lulinha Paz &amp;amp; Amor, o bordão se impôs de modo cabal e irreversível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o agronegócio expulsa os lavradores do campo e o sistema financeiro abarrota os cofres com lucros astronômicos, o governo federal se incumbe das políticas compensatórias, como a badalada “Bolsa-Família”, ou seja: Brasília se ocupa do pão dormido que aplaca a miséria nos grotões e favelas da pátria-mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao circo, há picadeiros e eventos de sobra nestas plagas. Sem falar nos palhaços, como o ‘democrata’ César Maia. Embora o PAN-2007 - verdadeira farra do boi para empresas, empreiteiras e “autoridades” - não tenha solucionado um único problema de infra-estrutura no Rio de Janeiro, o alucinado prefeito, com uma desfaçatez inigualável, ousou declarar que “acumulamos muito em termos de segurança” no Estado. Assim, em meio a balas perdidas e com o país imerso em vários escândalos de corrupção, a saúde pública entregue ao deus-dará (e aos mosquitos...) e a tragédia urbana esgarçando cruelmente nossas tênues estruturas sociais, assistimos há poucos meses à bizarra cerimônia de anúncio do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, para delírio dos cartolas da CBF e da tchurma da Rede Globo, para quem o Brasil é um país de mentirinha que lhes rende milhões de dólares &amp;amp; euros bem reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mais otimistas insistem na tese de que sempre herdaremos alguns “equipamentos” e benefícios com tais iniciativas espetaculares. Suponhamos que seja verdade: como impulsionar essa máquina, se os nossos jovens continuam a receber a pior educação formal da América Latina? Como diria um cronista esportivo mais arguto, “de que adianta o computador na sala de aula, se o professor é semi-analfabeto?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como, no entanto, o show não pode parar, nossos protestos se diluem em meio ao verdadeiro frenesi midiático com que somos bombardeados dia após dia na província. As últimas notícias - e imagens -, por sinal, são de dar náusea a qualquer cidadão decente deste país: à frente do Comitê Olímpico Internacional, lá estão eles, os membros da comitiva que viajou à Suíça (Arthur Nuzman, o presidente do COB, o governador Sérgio Cabral, o secretário Eduardo Paes &amp;amp; cia) com os documentos da candidatura do Rio para sediar as Olimpíadas 2016. Pouco importa se esta é a quarta vez que o país pleiteia sua vaga no grande circo olímpico e que, nas três vezes anteriores, jamais tenha superado a primeira fase do processo de escolha. O time é mesmo da fuzarca: sorriem com gosto e unem suas mãos como se fossem os novos mosqueteiros, a celebrar a típica novela de capa &amp;amp; espada tropical - “um por todos e todos contra o povo!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram até a Europa para levar um dossiê que poderia ser remetido por mera via postal, como fizeram os governantes de Chicago, Tóquio, Madri, Praga, Doha (Qatar) e Baku (Azerbaijão). Hospedaram-se em hotel luxuoso, cuja diária mais barata custa R$ 676,00. E, obviamente, sequer se preocuparam com o orçamento final da campanha, cuja previsão inicial é de US$ 42 milhões, a ser dividido pelas três esferas do poder público - Prefeitura, Estado e União - em partes iguais, o que faz tremer o contribuinte (sobre quem, afinal, recaem todos os custos das orgias oficiais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de Juvenal e constato que o mundo está mesmo de pernas pro ar: afinal de contas, essa gente deveria estar no Coliseu romano, entregue aos leões, para deleite dos plebeus pós-modernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Panem et circenses...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Luiz Ricardo Leitão é escritor e professor adjunto da UERJ. Doutor em Literatura Latino-americana pela Universidade de La Habana, é autor de Lima Barreto: o rebelde imprescindível (Editora Expressão Popular). &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-5181175926367320783?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/5181175926367320783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=5181175926367320783' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5181175926367320783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5181175926367320783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/02/panem-et-circenses.html' title='Panem et circenses'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-8878069675389805513</id><published>2008-02-18T14:18:00.000-03:00</published><updated>2008-02-18T14:21:37.263-03:00</updated><title type='text'>Políticas sociais ainda engatinham</title><content type='html'>BEM-ESTAR Estudo do Ipea conclui que programas do governo são insuficientes, mas ação do Estado é essencial para a população&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EM UM país onde, em média, 32% do orçamento da União é destinado ao pagamento da dívida pública e apenas 5% vai para Saúde, 2% para Educação e 0,3% para reforma agrária, não é de se estranhar que os avanços das políticas públicas ainda engatinhem. Essa é uma das conclusões que podem ser aferidas com base em estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semestralmente, o órgão publica o Boletim de Políticas Sociais – Acompanhamento e Análise, trazendo um conjunto de informações que, como explica Luseni Aquino, pesquisadora, faz um balanço do semestre anterior das ações do governo federal na área social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ressaltar a dificuldade de se fazer uma análise abrangente do desempenho das políticas públicas ao longo dos sete anos em que o estudo vem sendo elaborado, Luseni acredita que, à despeito de um cenário bastante desfavorável economicamente, e também ideologicamente, “por conta de uma visão de que o Estado deve ter um papel menor na área social”, houve uma efetiva expansão da proteção social nesse período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Saímos de um sistema de proteção ainda em montagem e hoje temos algo robusto. Houve ampliação dos direitos sociais dos brasileiros. Acredito que está comprovada a eficiência da política social pública como combate à pobreza”, avalia. Sem a ação do Estado, ou seja, sem a execução de políticas públicas, por mais deficientes que ainda sejam, não seria possível observar uma melhora na área social, mesmo que tímida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre os limites de atuação apontados pela pesquisadora estão os modelos de gestão e o limite orçamentário. “Um desafio geral para todas as áreas é o aprimoramento dos mecanismos de gestão, com mais descentralização, participação social, criação e fortalecimento de conselhos. Tudo isso vem operando, mas ainda carece de alguns aprimoramentos”, aponta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo pode ser verificado nos movimentos populares por moradia que procuram, por meio de mutirões, construir suas próprias habitações, obtendo resultados qualitativos e de preço melhores do que casas construídas por grandes empreiteiras. Entretanto, na maioria das vezes, esbarram em burocracias e não conseguem efetivar sua participação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Educação&lt;br /&gt;Grande parte do estudo se dedica a avaliar a área de educação. O relatório aponta que, desde 2004, as regiões Sul e Sudeste vêm registrando reduções no total de matrículas para o ensino médio. A queda foi compensada, naquele ano, pelo crescimento das demais regiões. Porém, em 2005, o movimento expansionista nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste não foi suficiente para fazer frente às 200 mil matrículas subtraídas aos sistemas educacionais do Sul e do Sudeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as causas do cenário descrito acima, uma situação recorrente no país: ingresso prematuro no mercado de trabalho e a queda continuada no total de concluintes do ensino fundamental. Por outro lado, cresce o interesse e o investimento em programas de alfabetização como o Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2006, o programa apoiou a oferta de vagas para 3,3 milhões de alunos matriculados. Cerca de 1,6 milhão concluem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em que pese serem números expressivos, persistem os problemas, sobretudo no atual processo de alfabetização. Estes revelam-se pela baixa efetividade na redução do analfabetismo no país, onde a relativa estabilidade dos indicadores de resultado sugere que as ações do programa não parecem alcançar a população analfabeta e que mudanças para engajar esse público-alvo permanecem necessárias”, destaca o relatório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudo também aponta o descompasso entre o ensino médio e o superior. Em 2005, as instituições de ensino superior (IES) públicas ofertaram 313 mil vagas, enquanto os diplomados no ensino médio, no ano anterior, somaram quase 1,9 milhão.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dafne Melo&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-8878069675389805513?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/8878069675389805513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=8878069675389805513' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/8878069675389805513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/8878069675389805513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/02/polticas-sociais-ainda-engatinham.html' title='Políticas sociais ainda engatinham'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-3406914062046197644</id><published>2008-02-18T14:13:00.000-03:00</published><updated>2008-02-18T14:16:17.656-03:00</updated><title type='text'>Os brancos são mais iguais</title><content type='html'>O LEMA fundamental da dominação capitalista e imperialista continua sendo “Civilização ou barbárie”. Civilização para os dominantes e barbárie para todos os outros. Civilização para os brancos, ocidentais, protestantes ou católicos, europeus ocidentais ou estadunidenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é a cor da pele a bandeira da sua superioridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por acaso, Hollywood, a maior fábrica de racismo do mundo, promove a criminalização das outras “raças”, sejam índios dos EUA, os africanos, árabes, japoneses, chineses, coreanos, mexicanos ou qualquer outra variante dos não-brancos. O único filme produzido nos EUA contra a potência que promoveu a maior “limpeza étnica” da história da humanidade, a Alemanha, foi realizado por um não-estadunidense, Charles Chaplin, com “O grande ditador”. O clima contra ele ficou tão insuportável que precisou sair às pressas dos EUA antes mesmo do lançamento do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hollywood narrou a história do massacre das populações indígenas nos EUA como uma saga da “civilização”, resgatando palmo a palmo o território dominado por “peles vermelhas “traiçoeiros”. Indômitos cowboys, chamados de “mocinhos”, enfrentando os “bandidos” das populações originárias. Recorrentemente, renascem as teorias e as afirmações racistas sobre a suposta inferioridade intelectual dos negros. Bem antes das declarações do prêmio Nobel sobre o tema, surgiu a “teoria dos sinos”, que repetia a mesma ladainha de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os negros teriam características que os tornam excelentes para as atividades atléticas. Chega-se ao requinte de elaborar mapas da origem dos africanos, pois certas regiões estariam mais adaptadas para a produção de atletas para corridas de longas distâncias, pela resistência, enquanto, outras, produzem os de curta distância, pela rapidez. Este reconhecimento do desempenho atlético é uma espécie de “compensação” à inferioridade intelectual que se lhes querem impor. Um autor que vive recomendando as melhores leituras para todo o mundo, não hesitou em perguntar onde estaria o Shakespeare africano. Um modo de dizer que só está disposto a rever sua tese sobre a inferioridade intelectual e cultural dos africanos quando estes forem capazes de apresentar conquistas intelectuais similares às européias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A colonização e a escravidão, que parecem fenômenos passageiros, que não deixaram marcas na trajetória nem dos que enriqueceram, nem dos que empobreceram com elas, nunca aparecem nos seus preciosos “cálculos” . Colonização e escravidão foram formas de recrutar uma raça inferior para trabalhar para a raça superior, em nome do “progresso” e do “desenvolvimento”. Colonização e escravidão transformam- se em categorias atemporais que beneficiaram a “humanidade”, a “civilização”, apropriada pelos brancos ocidentais cristãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses raciocínios pseudo-científicos procuram desqualificar as outras etnias e combater algumas conquistas políticas, como é o caso especialmente das cotas. Afinal, de que adianta promover os negros, já que sua inferioridade é genética! Quando esta concepção ganhou a Califórnia, o resultado foi arrasador para os negros, pois os brancos e os de origem asiática repartiram entre si as vagas das universidades e os negros foram praticamente excluídos. É uma manobra intelectual para justificar a imposição da hegemonia das idéias dominantes na sociedade mercantilizada dos EUA: os pobres – entre eles os negros - não são produzidos pela estrutura econômica e social capitalista, eles são os “perdedores” de um jogo no qual tiveram as mesmas oportunidades que os outros, mas foram vencidos no concurso meritocrático da excelência, da produtividade, do custo-benefício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos são iguais, mas os brancos são os mais iguais, os mais “civilizados”, os mais inteligentes – e mais ricos, mais poderosos, mais beligerantes, os mais agressivos, os mais discriminadores, os mais exploradores.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Emir Sader é professor de sociologia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-3406914062046197644?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/3406914062046197644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=3406914062046197644' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/3406914062046197644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/3406914062046197644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/02/os-brancos-so-mais-iguais.html' title='Os brancos são mais iguais'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-672791630038131520</id><published>2008-02-08T14:21:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T14:32:42.741-02:00</updated><title type='text'>Homem Na Estrada</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color:#6633ff;"&gt;Ainda que a pena de prisão perpétua seja proibida constitucionalmente, será que não é o que acontece aqui no Brasil?!?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem na estrada recomeça sua vida.&lt;br /&gt;Sua finalidade: a sua liberdade.&lt;br /&gt;Que foi perdida, subtraída;&lt;br /&gt;e quer provar a si mesmo que realmente mudou, que se&lt;br /&gt;recuperou e quer viver em paz, não olhar&lt;br /&gt;para trás, dizer ao crime: nunca mais!&lt;br /&gt;Pois sua infância não foi um mar de rosas, não.&lt;br /&gt;Na Febem, lembranças dolorosas, então. Sim, ganhar&lt;br /&gt;dinheiro, ficar rico, enfim.&lt;br /&gt;Muitos morreram sim, sonhando alto assim, me digam&lt;br /&gt;quem é feliz, quem não se desespera, vendo&lt;br /&gt;nascer seu filho no berço da miséria.&lt;br /&gt;Um lugar onde só tinham como atração, o bar, e o&lt;br /&gt;candomblé pra se tomar a benção.&lt;br /&gt;Esse é o palco da história que por mim será contada.&lt;br /&gt;...um homem na estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Equilibrado num barranco incômodo, mal acabado e sujo,&lt;br /&gt;porém, seu único lar, seu bem e seu&lt;br /&gt;refúgio.&lt;br /&gt;Um cheiro horrível de esgoto no quintal, por cima ou&lt;br /&gt;por baixo, se chover será fatal.&lt;br /&gt;Um pedaço do inferno, aqui é onde eu estou.&lt;br /&gt;Até o IBGE passou aqui e nunca mais voltou. Numerou os&lt;br /&gt;barracos, fez uma par de perguntas.&lt;br /&gt;Logo depois esqueceram, filhos da puta!&lt;br /&gt;Acharam uma mina morta e estuprada, deviam estar com&lt;br /&gt;muita raiva.&lt;br /&gt;"Mano, quanta paulada!".&lt;br /&gt;Estava irreconhecível, o rosto desfigurado.&lt;br /&gt;Deu meia noite e o corpo ainda estava lá, coberto&lt;br /&gt;com lençol, ressecado pelo sol, jogado.&lt;br /&gt;O IML estava só dez horas atrasado.&lt;br /&gt;Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim, quero que meu&lt;br /&gt;filho nem se lembre daqui, tenha uma vida&lt;br /&gt;segura.&lt;br /&gt;Não quero que ele cresça com um "oitão" na cintura e&lt;br /&gt;uma "PT" na cabeça.&lt;br /&gt;E o resto da madrugada sem dormir, ele pensa&lt;br /&gt;o que fazer para sair dessa situação.&lt;br /&gt;Desempregado então.&lt;br /&gt;Com má reputação.&lt;br /&gt;Viveu na detenção.&lt;br /&gt;Ninguém confia não.&lt;br /&gt;...e a vida desse homem para sempre foi danificada.&lt;br /&gt;Um homem na estrada...&lt;br /&gt;Um homem na estrada..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhece mais um dia e tudo é exatamente igual.&lt;br /&gt;Calor insuportável, 28 graus.&lt;br /&gt;Faltou água, ja é rotina, monotonia, não tem prazo pra&lt;br /&gt;voltar, hã! já fazem cinco dias.&lt;br /&gt;São dez horas, a rua está agitada, uma ambulância foi&lt;br /&gt;chamada com extrema urgência.&lt;br /&gt;Loucura, violência exagerada. Estourou a própria mãe,&lt;br /&gt;estava embriagado.&lt;br /&gt;Mas bem antes da ressaca ele foi julgado.&lt;br /&gt;Arrastado pela rua o pobre do elemento, o&lt;br /&gt;inevitável linchamento, imaginem só!&lt;br /&gt;Ele ficou bem feio, não tiveram dó.&lt;br /&gt;Os ricos fazem campanha contra as drogas e falam sobre&lt;br /&gt;o poder destrutivo delas.&lt;br /&gt;Por outro lado promovem e ganham muito dinheiro com o&lt;br /&gt;álcool que é vendido na favela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empapuçado ele sai, vai dar um rolê.&lt;br /&gt;Não acredita no que vê, não daquela maneira,&lt;br /&gt;crianças, gatos, cachorros disputam palmo a palmo seu&lt;br /&gt;café da manhã na lateral da feira,&lt;br /&gt;Molecada sem futuro, eu já consigo ver, só vão na&lt;br /&gt;escola pra comer,&lt;br /&gt;Apenas nada mais, como é que vão aprender sem&lt;br /&gt;incentivo de alguém, sem orgulho e sem respeito,&lt;br /&gt;sem saúde e sem paz.&lt;br /&gt;Um mano meu tava ganhando um dinheiro,&lt;br /&gt;tinha comprado um carro,&lt;br /&gt;até rolex tinha!&lt;br /&gt;Foi fuzilado a queima roupa no colégio, abastecendo a&lt;br /&gt;playboyzada de farinha,&lt;br /&gt;Ficou famoso, virou notícia, rendeu dinheiro aos&lt;br /&gt;jornais, hu!, cartaz à policia&lt;br /&gt;Vinte anos de idade, alcançou os primeiros lugares...&lt;br /&gt;superstar do notícias populares!&lt;br /&gt;Uma semana depois chegou o crack, gente rica por trás,&lt;br /&gt;diretoria.&lt;br /&gt;Aqui, periferia, miséria de sobra.&lt;br /&gt;Um salário por dia garante a mão-de-obra.&lt;br /&gt;A clientela tem grana e compra bem, tudo em casa,&lt;br /&gt;costa quente de sócio.&lt;br /&gt;A playboyzada muito louca até os ossos!&lt;br /&gt;Vender droga por aqui, grande negócio.&lt;br /&gt;Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim,&lt;br /&gt;Quero um futuro melhor, não quero morrer assim,&lt;br /&gt;num necrotério qualquer, como indigente, sem nome e&lt;br /&gt;sem nada,&lt;br /&gt;o homem na estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assaltos na redondeza levantaram suspeitas,&lt;br /&gt;logo acusaram a favela para variar,&lt;br /&gt;E o boato que corre é que esse homem está, com o seu&lt;br /&gt;nome lá na lista dos suspeitos,&lt;br /&gt;pregada na parede do bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite chega e o clima estranho no ar,&lt;br /&gt;e ele sem desconfiar de nada, vai dormir&lt;br /&gt;tranquilamente,&lt;br /&gt;mas na calada caguentaram seus antecedentes,&lt;br /&gt;como se fosse uma doença incurável, no seu braço a&lt;br /&gt;tatuagem, DVC, uma passagem, 157 na lei...&lt;br /&gt;No seu lado não tem mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Justiça Criminal é implacável.&lt;br /&gt;Tiram sua liberdade, família e moral.&lt;br /&gt;Mesmo longe do sistema carcerário, te chamarão para&lt;br /&gt;sempre de ex presidiário.&lt;br /&gt;Não confio na polícia, raça do caralho.&lt;br /&gt;Se eles me acham baleado na calçada, chutam minha cara&lt;br /&gt;e cospem em mim é..&lt;br /&gt;eu sangraria até a morte...&lt;br /&gt;Já era, um abraço!.&lt;br /&gt;Por isso a minha segurança eu mesmo faço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É madrugada, parece estar tudo normal.&lt;br /&gt;Mas esse homem desperta, pressentindo o mal, muito&lt;br /&gt;cachorro latindo.&lt;br /&gt;Ele acorda ouvindo barulho de carro e passos no&lt;br /&gt;quintal.&lt;br /&gt;A vizinhança está calada e insegura, premeditando o&lt;br /&gt;final que já conhecem bem.&lt;br /&gt;Na madrugada da favela não existem leis, talvez a lei&lt;br /&gt;do silêncio, a lei do cão talvez.&lt;br /&gt;Vão invadir o seu barraco, é a polícia!&lt;br /&gt;Vieram pra arregaçar, cheios de ódio e malícia, filhos&lt;br /&gt;da puta, comedores de carniça!&lt;br /&gt;Já deram minha sentença e eu nem tava na "treta", não&lt;br /&gt;são poucos e já vieram muito loucos.&lt;br /&gt;Matar na crocodilagem, não vão perder viagem, quinze&lt;br /&gt;caras lá fora, diversos calibres, e eu apenas&lt;br /&gt;com uma "treze tiros" automática.&lt;br /&gt;Sou eu mesmo e eu, meu deus e o meu orixá.&lt;br /&gt;No primeiro barulho, eu vou atirar.&lt;br /&gt;Se eles me pegam, meu filho fica sem ninguém, e o que&lt;br /&gt;eles querem: mais um "pretinho" na febem.&lt;br /&gt;Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim, a gente sonha a&lt;br /&gt;vida inteira e só acorda no fim, minha verdade&lt;br /&gt;foi outra, não dá mais tempo pra nada... bang! bang!&lt;br /&gt;bang!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem mulato aparentando entre vinte e cinco e trinta&lt;br /&gt;anos é encontrado morto na estrada do&lt;br /&gt;M'Boi Mirim sem número.&lt;br /&gt;Tudo indica ter sido acerto de contas entre quadrilhas&lt;br /&gt;rivais.&lt;br /&gt;Segundo a polícia, a vitíma tinha vasta ficha&lt;br /&gt;criminal."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Racionais Mc's&lt;br /&gt;Mano Brown&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-672791630038131520?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/672791630038131520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=672791630038131520' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/672791630038131520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/672791630038131520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/02/homem-na-estrada.html' title='Homem Na Estrada'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-1315629263437166347</id><published>2008-02-08T14:17:00.001-02:00</published><updated>2008-02-08T14:17:42.043-02:00</updated><title type='text'>Racismo É Burrice</title><content type='html'>Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado&lt;br /&gt;do oceano&lt;br /&gt;"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o&lt;br /&gt;sangue é mais forte que a água do mar"&lt;br /&gt;Racismo, preconceito e discriminação em geral;&lt;br /&gt;É uma burrice coletiva sem explicação&lt;br /&gt;Afinal, que justificativa você me dá para um povo que&lt;br /&gt;precisa de união&lt;br /&gt;Mas demonstra claramente&lt;br /&gt;Infelizmente&lt;br /&gt;Preconceitos mil&lt;br /&gt;De naturezas diferentes&lt;br /&gt;Mostrando que essa gente&lt;br /&gt;Essa gente do Brasil é muito burra&lt;br /&gt;E não enxerga um palmo à sua frente&lt;br /&gt;Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido&lt;br /&gt;de forma mais consciente&lt;br /&gt;Eliminando da mente todo o preconceito&lt;br /&gt;E não agindo com a burrice estampada no peito&lt;br /&gt;A "elite" que devia dar um bom exemplo&lt;br /&gt;É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento&lt;br /&gt;Num complexo de superioridade infantil&lt;br /&gt;Ou justificando um sistema de relação servil&lt;br /&gt;E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da&lt;br /&gt;discriminação&lt;br /&gt;Não tem a união e não vê a solução da questão&lt;br /&gt;Que por incrível que pareça está em nossas mãos&lt;br /&gt;Só precisamos de uma reformulação geral&lt;br /&gt;Uma espécie de lavagem cerebral&lt;br /&gt;Racismo é burrice&lt;br /&gt;Não seja um imbecil&lt;br /&gt;Não seja um ignorante&lt;br /&gt;Não se importe com a origem ou a cor do seu&lt;br /&gt;semelhante&lt;br /&gt;O quê que importa se ele é nordestino e você não?&lt;br /&gt;O quê que importa se ele é preto e você é branco&lt;br /&gt;Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil&lt;br /&gt;somos todos mestiços&lt;br /&gt;Se você discorda, então olhe para trás&lt;br /&gt;Olhe a nossa história&lt;br /&gt;Os nossos ancestrais&lt;br /&gt;O Brasil colonial não era igual a Portugal&lt;br /&gt;A raiz do meu país era multirracial&lt;br /&gt;Tinha índio, branco, amarelo, preto&lt;br /&gt;Nascemos da mistura, então por que o preconceito?&lt;br /&gt;Barrigas cresceram&lt;br /&gt;O tempo passou&lt;br /&gt;Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor&lt;br /&gt;Uns com a pele clara, outros mais escura&lt;br /&gt;Mas todos viemos da mesma mistura&lt;br /&gt;Então presta atenção nessa sua babaquice&lt;br /&gt;Pois como eu já disse racismo é burrice&lt;br /&gt;Dê a ignorância um ponto final:&lt;br /&gt;Faça uma lavagem cerebral&lt;br /&gt;Racismo é burrice&lt;br /&gt;Negro e nordestino constróem seu chão&lt;br /&gt;Trabalhador da construção civil conhecido como peão&lt;br /&gt;No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu&lt;br /&gt;apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia&lt;br /&gt;É revistado e humilhado por um guarda nojento&lt;br /&gt;Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças&lt;br /&gt;ao negro, ao nordestino e a todos nós&lt;br /&gt;Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói&lt;br /&gt;O preconceito é uma coisa sem sentido&lt;br /&gt;Tire a burrice do peito e me dê ouvidos&lt;br /&gt;Me responda se você discriminaria&lt;br /&gt;O Juiz Lalau ou o PC Farias&lt;br /&gt;Não, você não faria isso não&lt;br /&gt;Você aprendeu que preto é ladrão&lt;br /&gt;Muitos negros roubam, mas muitos são roubados&lt;br /&gt;E cuidado com esse branco aí parado do seu lado&lt;br /&gt;Porque se ele passa fome&lt;br /&gt;Sabe como é:&lt;br /&gt;Ele rouba e mata um homem&lt;br /&gt;Seja você ou seja o Pelé&lt;br /&gt;Você e o Pelé morreriam igual&lt;br /&gt;Então que morra o preconceito e viva a união racial&lt;br /&gt;Quero ver essa música você aprender e fazer&lt;br /&gt;A lavagem cerebral&lt;br /&gt;Racismo é burrice&lt;br /&gt;O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista&lt;br /&gt;É o que pensa que o racismo não existe&lt;br /&gt;O pior cego é o que não quer ver&lt;br /&gt;E o racismo está dentro de você&lt;br /&gt;Porque o racista na verdade é um tremendo babaca&lt;br /&gt;Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca&lt;br /&gt;E desde sempre não pára pra pensar&lt;br /&gt;Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar&lt;br /&gt;E de pai pra filho o racismo passa&lt;br /&gt;Em forma de piadas que teriam bem mais graça&lt;br /&gt;Se não fossem o retrato da nossa ignorância&lt;br /&gt;Transmitindo a discriminação desde a infância&lt;br /&gt;E o que as crianças aprendem brincando&lt;br /&gt;É nada mais nada menos do que a estupidez se&lt;br /&gt;propagando&lt;br /&gt;Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de&lt;br /&gt;racismo - se justifica&lt;br /&gt;Ninguém explica&lt;br /&gt;Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse&lt;br /&gt;lixo que é uma herança cultural&lt;br /&gt;Todo mundo que é racista não sabe a razão&lt;br /&gt;Então eu digo meu irmão&lt;br /&gt;Seja do povão ou da "elite"&lt;br /&gt;Não participe&lt;br /&gt;Pois como eu já disse racismo é burrice&lt;br /&gt;Como eu já disse racismo é burrice&lt;br /&gt;Racismo é burrice&lt;br /&gt;E se você é mais um burro, não me leve a mal&lt;br /&gt;É hora de fazer uma lavagem cerebral&lt;br /&gt;Mas isso é compromisso seu&lt;br /&gt;Eu nem vou me meter&lt;br /&gt;Quem vai lavar a sua mente não sou eu&lt;br /&gt;É você.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gabriel O Pensador&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-1315629263437166347?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/1315629263437166347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=1315629263437166347' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1315629263437166347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1315629263437166347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/02/racismo-burrice.html' title='Racismo É Burrice'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-2113398994868916382</id><published>2008-02-08T08:04:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T08:06:04.439-02:00</updated><title type='text'>A nova tentação da eugenia</title><content type='html'>As afirmações racistas dos cientistas James Watson e Charles Murray deveriam disparar um sinal de alerta. Em sociedades hierarquizadas, é cômodo enxergar na suposta "fraqueza" do oprimido a causa da desigualdade. No Brasil, isso sempre foi o primeiro passo para ampliar a discriminação e exclusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O geneticista norte-americano James Watson, considerado pai da biologia molecular e quem desvendou a dupla hélice do DNA, afirmou recentemente, sem bases científicas, o mito racista de que os povos da África são menos inteligentes em comparação aos do hemisfério Norte. Sua declaração foi recebida com duras críticas pela maioria da intelectualidade internacional, o que o obrigou a escrever um artigo de retratação. Entretanto, suas desculpas tiveram caráter apenas formal, pois no mesmo artigo ele afirma: “Eu sempre defendi que nós devemos basear nossa visão do mundo no nosso conhecimento, nos fatos, e não naquilo que gostaríamos que fosse”.&lt;br /&gt;Dias depois, Charles Murray, cientista político norte-americano e autor do livro The Bell Curve (A Curva do Sino, Free Press, 1994), saiu na defesa das idéias de Watson. No seu livro, afirma que testes de QI (quoficiente de inteligência) apontavam que há diferenças entre raças, com brancos saindo-se em média melhor do que negros. Além de ressaltar a precariedade do testes de QI, que tentam quantificar a subjetividade da inteligência, não podemos considerar as teses de Watson e Murray como novas. Esta insistente defesa de diferenças entre a raça humana, tem reaparecido com certa rotina, tanto no debate científico quando na política&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a campanha eleitoral deste ano na Suíça, a UDC (União Democrática do Centro, partido da direita nacionalista), utilizou em campanha um cartaz que representa uma ovelha negra sendo expulsa por ovelhas brancas. Transmitiu deliberadamente uma mensagem racista, num país que sempre reivindicou a defesa dos direitos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, reavivou velhas feridas históricas, ao declarar que é favorável ao aborto como forma de controle da violência e que as mulheres grávidas das favelas são “fabricas de marginais”. Por lançar declarações polêmicas e se referir às teses do livro Freakonomics, que segue a velha fórmula da antropologia criminal de Cesare Lombroso (1835-1909), Cabral pisou em terreno perigoso e colocou em risco seu histórico democrático. De quebra, fez coro com as declarações e ações racistas pelo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da crença nas habilidades "raciais" à tentativa de tornar o Brasil europeu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tentativa de explicar e classificar as diferenças entre culturas e povos foi uma tendência marcante do cientificismo e do positivismo no século 19. Primo de Charles Darwin e descobridor das impressões digitais humanas, o antropologista Francis Galton (1822 – 1911) cunhou o termo ideologia eugênica, em seu livro intitulado Inquires into human faculty, de 1883. Lecionou na universidade de Londres, realizou muitos estudos em conjunto com seu primo sobre antropologia, QI humano, doenças físicas e mentais possivelmente herdadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como descreve de forma brilhante Nancy Leys Stepan, em The Hour of Eugenics, a ação dos eugenistas na América Latina parte da aplicação e difusão dos conceitos de Galton afirmava que as habilidades naturais dos homens são derivadas por herança. O raciocínio eugênico argumenta que para obter "boas" raças de cachorro ou cavalos basta realizar uma seleção permanente de espécimes que possuem, por exemplo, um peculiar poder para correr. As características serão mantidas por gerações. Portanto, se mulheres de boa raça se casarem com homens de boa raça, poderemos obter boas raças em gerações seqüenciais. (Stepan, 1991)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil a eugenia teve grande importância no pensamento hegemônico que fundou as bases do Estado moderno no final do século 19 e durante a primeira metade do século 20. Em certa medida, o movimento higienista e sanitarista, que teve Osvaldo Cruz (1872-1917) como um de seus principais defensores, foi incorporado oficialmente ao Estado em 1903. Nomeado pelo presidente Rodrigues Alves para a direção do serviço de saúde pública do Rio de Janeiro, seu pensamento e ordens deram suporte para o surgimento, em 1917, do pensamento eugênico no Brasil, por meio do médico Renato Kehl.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O higienismo de Osvaldo Cruz foi ideologicamente incorporado pela eugenia de Kehl, incorpando e consolidando as teses racistas na superestrutura do Estado brasileiro, reforçando a brutal exclusão econômica promovida contra a população negra, mestiça e indígena em favor de um clareamento do fenótipo brasileiro e a conseqüente aproximação do ideal republicano europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se a favela, "criadouro de pobres e de vícios" fosse a causa de nossos males sociais&lt;br /&gt;A visão criminalizante usada por Sérgio Cabral para defender a legalização do aborto como forma de prevenir a criminalidade e a violência, promove uma confusão dentro do debate sobre o próprio aborto, que deve ser tratado no campo da saúde pública e como problema da sociedade brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro personagem brasileiro que acaba fazendo eco numa proporção menor, é o médico Drauzio Varella. No dia 14.04.2007, publicou, na Folha de S.Paulo um artigo intitulado Tal qual avestruzes, no qual resgata uma resolução da World Scientific Academies, de 1993, que afirma: “A humanidade se aproxima de uma crise. Durante o tempo de duração da vida de nossos filhos, nosso objetivo deve ser o de atingir crescimento populacional igual a zero”.&lt;br /&gt;Em um dos artigos, intitulado Os filhos deste solo, ele aponta uma visão determinista, condena a pobreza à não reprodução e evoca conceitos elaborados por Malthus, como a teoria da taxa de reposição - quando afirma que Para manter constante a população de um país, cada casal deveria ter dois filhos. Um para substituir a mãe quando ela morrer, e outro para substituir o pai. É a chamada "taxa de reposição".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paradigma malthusiano [&lt;a class="spip_note" id="nh1" title="[1] Thomas Malthus trabalhou sob as “leis” da inevitabilidade biológica de (...)" href="http://diplo.uol.com.br/2007-11,a2047#nb1" name="nh1"&gt;1&lt;/a&gt;] apresentou um bode expiatório - o crescimento ilimitado da população - para explicar a fome, as guerras e os vícios. Varella segue a mesma receita. Usa os gráficos de crescimento populacional brasileiro que apontam uma taxa média de filhos por família de 6,3 em 1950, contra 2,3 em 2000 (IBGE, 2000). Ele questiona a média e os dados dizendo: “No Brasil, há 40 anos, cada família tinha, em média, seis filhos. Hoje, as estatísticas mostram que estamos muito próximos do equilíbrio populacional, com pouco mais de dois filhos por mulher. Mas as estatísticas refletem a média, e as médias podem ser traiçoeiras...”.&lt;br /&gt;Em seu livro Cidade Febril, Sidney Chalhoub resume a visão da elite no auge do higienismo no Brasil "(...)os pobres passaram a representar perigo de contágio no sentido literal mesmo. Os intelectuais médicos grassavam nesta época como miasmas na putrefação, ou como economistas em tempo de inflação: analisavam a “realidade”, faziam seus diagnósticos, prescreviam a cura, e estavam sempre inabalavelmente convencidos de que os hábitos de moradia dos pobres eram nocivos à sociedade, e isto porque as habitações coletivas seriam focos de irradiação de epidemias, além de, naturalmente, terrenos férteis para a propagação de vícios de todos os tipos(...)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incorporados à administração estatal, os preconceito perduram até os dias de hoje&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se trata de formular políticas públicas de saúde, a favela é onde, supostamente, há um descontrole demográfico, apesar de as estatísticas oficiais negarem. “A Favela Jardim Edith, em São Paulo, é cheia de crianças. Construídas quase na rua, as casas de madeira e papelão ocupam toda a calçada de uma das avenidas mais movimentadas da cidade.” [&lt;a class="spip_note" id="nh2" title="[2] Ver em http://drauziovarella.ig.com.br" href="http://diplo.uol.com.br/2007-11,a2047#nb2" name="nh2"&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;Inspirados pelos ideais da medicina social, como aponta Michel Foucalt, e o papel da intelecualidade na formação da superestrura do Estado, como sugere Gramsci, os médicos foram incorporados à administração estatal e auxiliaram na legitimação científica e moral das ações.&lt;br /&gt;Como intelectuais e detentores dos conhecimentos das ciências naturais, não poderiam ser contestados em plena era da razão e da ciência. O que se seguiu foram ações que modificaram profundamente, além da paisagem urbana, também as relações do Estado com a população da nova sociedade em formação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, as desigualdades sociais e o racismo possuem um ponto de partida semelhante. Isso possibilita uma investigação a partir da construção dos pressupostos eugenistas e higienistas que colocaram os negros e seus descententes em uma escala de inferioridade social. Para conduzir tal processo, o papel do pensamento biologizado difundido pelos intelectuais, principalmente os médicos, é sentido até os dias atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;a class="spip_note" title="info notes 1" href="http://diplo.uol.com.br/2007-11,a2047#nh1" name="nb1"&gt;1&lt;/a&gt;] Thomas Malthus trabalhou sob as “leis” da inevitabilidade biológica de uma superpopulação humana e afirma que a economia do século 19 não daria conta de prover os meios necessários para alimentar todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;a class="spip_note" title="info notes 2" href="http://diplo.uol.com.br/2007-11,a2047#nh2" name="nb2"&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;a class="spip_out" href="http://drauziovarella.ig.com.br/"&gt;Ver em http://drauziovarella.ig.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/_Alexandre-Machado-Rosa_"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;Alexandre Machado Rosa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-2113398994868916382?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/2113398994868916382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=2113398994868916382' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/2113398994868916382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/2113398994868916382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/02/nova-tentao-da-eugenia.html' title='A nova tentação da eugenia'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-4154566125067359290</id><published>2008-01-04T07:55:00.000-02:00</published><updated>2008-01-04T07:57:09.166-02:00</updated><title type='text'>2007: a profecia se fez como previsto</title><content type='html'>Há uma década, os Racionais lançavam Sobrevivendo no Inferno, seu CD-Manifesto. O rap vale mais que uma metralhadora. Os quatro pretos periféricos demarcaram um território, mostrando que as quebradas são capazes de inverter o jogo, e o ácido da poesia pode corroer o sistema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma década se passou e a profecia anunciada pelos Racionais MC’s vem se confirmando a cada ano. Em 1997, Mano Brown, Ice Blue, Edy Rock e KL Jay trouxeram ao mundo uma obra que marcou o rap nacional em definitivo e lançou as bases do que, hoje, chamamos de Cultura de Periferia. Estou falando do CD Sobrevivendo no Inferno. Esse disco alçou o grupo à condição de maior representante, no Brasil, de um gênero musical que renovou a música no planeta. Pode observar. Quando algum artista quer dar uma roupagem moderna às suas canções, o produtor bota lá uns scratches, faz uma colagem com letras de rap ou tenta copiar os manos que dominam a composição rimada e ritmada do rythman and poetry.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a qualidade artística de Sobrevivendo no Inferno é apenas um lado desse marco. O CD é um manifesto. Do começo ao fim, canção por canção, os Racionais vão compondo a carta de intenções do gueto. Uma declaração de revolta — revide de quatro sobreviventes. Suas armas? O rap que vale mais do que uma rajada de metralhadora. Com seu “verso violentamente pacífico” os quatro pretos periféricos demarcaram um território, até então, definido apenas pela concentração da pobreza, violência e descaso das autoridades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse disco, os Racionais mostraram uma periferia poderosa, capaz de reverter o jogo. Uma periferia altiva, consciente de sua condição social e do quanto lhe foi negado. Um povo que, durante décadas, foi amontoado nos arrabaldes, volta-se agora contra os que a empurraram pro gueto. “A fúria negra ressuscita outra vez…”, anuncia Mano Brown. E vestidos com “as roupas e armas de Jorge”, esses quatro jovens, na faixa dos 27 anos, convocavam, na época, todo povo pobre do Brasil. “Periferia é periferia em qualquer lugar”, dizia Edy Rock em inspirada canção. Estava decretado o orgulho e a exaltação do ser periférico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com mais de 1 milhão de discos vendidos oficialmente (e, pelo menos, a mesma quantidade reproduzida, digamos, extra-oficialmente...), esse poderoso manifesto, até hoje, cala profundamente e ainda vai influenciar multidões. Os Racionais mostraram que a poesia pode corroer o sistema, constranger as elites. Um ano depois de lançar o Sobrevivendo no Inferno, o grupo ganhou o Vídeo Music Award da MTV com o clipe da canção mais famosa do disco — Diário de um Detento. Surpreendendo a todos, ao aparecer para receber o troféu Mano Brown disparou: “dedico este prêmio a minha mãe que me criou lavando muita roupa suja de playboys como vocês…”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não, Mano, o sistema não está sob teus pés. Mas a periferia tornou-se altiva, admirada, consicente de sua condição e do quanto lhe foi negado&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em uma das faixas do CD, a que mais gosto, Estou ouvindo alguém me chamar, a letra fala de um jovem que se inicia no mundo do crime. Seu batismo foi num assalto a uma butique do Itaim. “Todo mundo pro chão, pro chão, o cofre já estava aberto, o vigia tentou ser mais esperto…”, e por aí vai. Em tom reflexivo, vem conclusão dessa parte da história: “Pela primeira vez eu vi o sistema aos meus pés, apavorei, desempenho nota 10”. Imagino que o Mano Brown e seus amigos, diante daquela platéia de brancos bem-nascidos no evento da MTV, tenham pensado o mesmo. De repente, diante dele, centenas rapazes e moças de bochecha rosada aplaudindo-o por ter feito um clipe falando do massacre de 111 presos, quase todos pretos, todos pobres, gente encarada pelo Estado como entulho. Não, Mano Brown, o sistema ainda não está sob seus pés. Como você próprio diz, és um “efeito colateral que seu sistema fez…”. Mas os Racionais abriram um caminho. Como é dito no CD/Manifesto: “eu sou apenas um rapaz latino-americano apoiado por mais de 50 mil mano…”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que a “base social” dos Racionais tenha multiplicado- se pelo menos dez vezes. Depois de Sobrevivendo no Inferno, veio o Ferrés, mostrando que na Favela tem escritor de qualidade. Surgiram o Samba da Vela, o Sarau da Cooperifa e outros tantos movimentos que engrandecem a periferia. A última canção do disco chama-se Salve. Nela, os músicos dos Racionais citam mais de 60 quebradas: Jardim Ângela, Jardim Ebrom, Vaz de Lima, Vila Calu, Grajaú, Cidade Tiradentes, São Mateus, Brasilândia etc. São regiões da metrópole paulistana que só apareciam nas páginas policiais e nos registros dos detentos nas delegacias e no extinto Carandiru. Mas hoje, caros racionais, graças ao talento e à firmeza ideológica, para usar uma expressão cara ao MST, de artistas como vocês, esses bairros periféricos aparecem, cada vez mais, como redutos de uma arte original, bela e comovente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por acaso surgiu a Agenda Cultural da Periferia. O movimento cultural já justifica um Guia próprio. Uma novidade surgida em 2007 que nos enche de orgulho. De São Mateus, vem o melhor disco de samba do ano com o registro fonográfico do Berço do Samba de São Mateus. Um dos projetos literários mais interessantes do ano é a Coleção Literatura Periférica, da Global Editora, que trouxe, nos três primeiros volumes lançados neste ano, Sergio Vaz, Sacolinha e Alessandro Buzo. O Sacolinha já foi escolhido para a Jornada Literária de Passo Fundo do ano que vem. O Vaz recebeu proposta para traduzir sua obra na França. O Buzo logo será assediado por cineastas em busca de uma história original, veloz e instigante. E para 2008 teremos mais.&lt;br /&gt;Dez anos depois, a profecia se cumpre outra vez. Neste grande ano, o exemplo maior, entre tantos outros, da força da cultura suburbana, foi a realização da Semana de Arte Moderna da Periferia, realizada em novembro, liderada pelo Sarau da Cooperifa. Nesse evento, o povo do gueto mostrou bem o que diz o belo samba interpretado por Beth Carvalho: “da fruta que eles gostam, eu como até o caroço…”. Salve Racionais MC’s. Salve Periferia. Que 2008 tenha muito mais arte. Não tenho dúvida. Por meio da cultura, pode-se virar o jogo.&lt;br /&gt;&lt;a class="spip_out" href="http://diplo.uol.com.br/_Eleilson-Leite_"&gt;&lt;em&gt;Eleilson Leite&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; é colunista do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique. Edições anteriores da coluna:&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-4154566125067359290?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/4154566125067359290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=4154566125067359290' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/4154566125067359290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/4154566125067359290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2008/01/2007-profecia-se-fez-como-previsto.html' title='2007: a profecia se fez como previsto'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-55264398977335245</id><published>2007-12-28T14:28:00.000-02:00</published><updated>2007-12-28T14:34:30.319-02:00</updated><title type='text'>Por que ainda somos diferentes</title><content type='html'>Apoiado no fim do "socialismo real" e em certo desencanto com o governo do PT, o pensamento conservador alardeia o fim das fronteiras entre esquerda e direita. E no entanto, elas ressurgem em toda parte: por exemplo, na resistência ao Bolsa Família, às cotas nas universidades e à ação do MST&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem duas obras paradigmáticas à reflexão sobre a díade esquerda-direita, ambas publicadas em 1994: Direita e esquerda — razões e significados de uma distinção política, de Norberto Bobbio e Para além da esquerda e da direita, de Anthony Giddens. Os dois autores, cada qual à sua maneira, buscavam refletir sobre os rumos a serem tomados pelos órfãos do socialismo que, no imediato pós-Guerra Fria, estavam epistemologicamente enlutados pelo que percebiam ser o fim de suas utopias mais caras, ainda sob o impacto do mundialmente famoso artigo de Francis Fukuyama – "O fim da história e o último homem", de 1992. Bobbio defendia a legitimidade da díade esquerda-direita para analisar e entender o cenário político atual. Já Giddens acreditava que o mundo mudou radicalmente e que, por isso, os conceitos de esquerda e direita são anacrônicos. Fukuyama, por fim, dizia acreditar que a humanidade chegara ao seu estágio máximo de evolução com a universalização da democracia liberal ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma obra menos conhecida entre os brasileiros, até mesmo porque não foi traduzida para o português, é La Droite et la Gauche – Qu’est-ce qui les distingue encore? [A Direita e a Esquerda - O que ainda as distingue], de Claude Imbert, diretor de redação da revista Le Point e Jacques Juliard, articulista da revista francesa Nouvel Observateur. O livro, de 1995, é construído na forma de um diálogo respeitoso e construtivo entre dois amigos. Imbert representa o pensamento “de direita” e Julliard o pensamento “de esquerda”. Nessa obra, os autores apresentam um panorama crítico e intelectualmente impecável do que vem a ser a direita e a esquerda num mundo onde a clivagem ideológica bipolar não mais existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos pensar que algumas bandeiras da esquerda tradicional sejam anacrônicas para a maioria dos países do "primeiro mundo", que já possuem redes de proteção social e uma política sólida de distribuição de renda, duramente conquistadas no período pós-Segunda Guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, vemos na França de hoje uma repetição de discursos que nos são velhos conhecidos, enunciados pelo atual presidente Nicolas Sarkozy, acerca da ineficiência do Estado e da conseqüente necessidade de sua “modernização”. Se Madame Tatcher e Fernando Collor de Mello não estivessem vivos e gozando de boa saúde, era de se imaginar que estivessem encarnados no presidente francês. Ele busca, tardiamente, colocar a França nas regras ultrapassadas do Consenso de Washington, subtraindo da nação francesa um papel mais efetivo que pode, e deve, ter na discussão de alternativas ao modelo hegemônico da atualidade. Atlético, “jovem” e dinâmico, Sarkozy tenta passar a imagem do reformador valendo-se de estratégias discursivas perlocutórias, no intuito de induzir os cidadãos a concordar com a velha novidade de mudanças que visam agradar o sistema financeiro internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula versus Chávez? Quem vê a esquerda sul-americana dividida "esquece" que a região não é homogênea&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na América Latina, por outro lado, os líderes de esquerda mais expressivos do momento, Evo Morales e Hugo Chavez, efetuam o retorno a um discurso castrista que, na visão de muitos analistas, é um anacronismo impensável dentro de padrões contemporâneos. Mas de qual contemporaneidade estamos falando? Um capitalismo predatório só pode ser amenizado com uma esquerda mais incisiva. Talvez estejamos assistindo, em tempo real, um conjunto de situações históricas de um passado que insiste em se fazer presente. Posto que a situação sócio-política da América Latina difere, e muito, daquela dos países desenvolvidos, podemos perguntar aos críticos de Chavez e Morales se conhecem as bases absurdamente arcaicas que o capitalismo ainda possui nesses países e o trabalho que seus chefes de Estado vêm fazendo no sentido de resgatar sua soberania, o poder sobre seus recursos naturais e sua dignidade no cenário internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito dessas diferenças, em um badalado artigo publicado na Foreing Affairs, em 2006, Jorge Castañeda se propôs a explicar ao público leitor de língua inglesa que existem duas esquerdas na América Latina – uma moderna e outra populista. O primeiro grupo teria em Lula e na presidente chilena Michelle Bachelet seus principais representantes; o segundo, seria encabeçado por Chávez e Morales. O que talvez tenha escapado à compreensão de Castañeda é que o Brasil e o Chile são países mais modernos e desenvolvidos do que o são a Venezuela e a Bolívia. Portanto, é de se esperar que nos dois primeiros a esquerda tenha modernizado seu discurso e sua plataforma. Já na Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, e na Venezuela, que vive quase que exclusivamente de renda de petróleo, o suposto populismo do qual seus governantes são constantemente acusados talvez seja uma resposta ao populismo fundamentalista de mercado que varreu a América Latina no período crítico da globalização e que piorou significativamente os índices sociais dos países mais vulneráveis ou mais adesistas às novas orientações — como a Argentina, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando especificamente da realidade brasileira, após a ascensão do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder, as forças de esquerda passaram por uma séria crise de identidade, quase como um processo de luto da utopia perdida. Aquilo que esperavam do primeiro governo de esquerda brasileiro não se concretizou — ou seja, um reforma estrutural profunda em relação às regras rígidas do neoliberalismo mundial. Não foram poucos os intelectuais que se alternaram em posições ora extremamente críticas, ora extremamente lenientes, na avaliação do governo Lula, principalmente nos eventos recentes. Se levarmos em conta as opiniões dominantes na grande mídia, o Brasil enfim teria descoberto a corrupção, o clientelismo e outras práticas supostamente nascidas com o governo petista — malgrado os quinhentos anos de “cultura da cordialidade” que parecem ter sido esquecidos pelos neo-oposicionistas do momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No Brasil, cotas nas universidades e Bolsa-Família despertam o elitismo arraigado entre as elites&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No Brasil contemporâneo, a díade esquerda/direita adquire caracteres bem mais amplos e sutis do que a possibilidade de uma mudança radical de um modo de produção capitalista para uma economia socialista. Existem componentes periféricos que não podem ser negligenciados nesse debate. Cabe à esquerda ficar alerta às tentativas de distorção e neutralização de seu conteúdo programático, que freqüentemente chegam disfarçadas em cientificismos, pseudo-humanismos e uma gama infinita de argumentos retóricos e assustadoramente tributários do senso comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao reconhecermos as diferenças entre os sistemas econômicos de exclusão dos países latino-americanos, estendemos o nosso olhar à necessidade imperiosa de ações que revejam o legado capitalista em nossa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas se dão na forma de algumas proposições políticas atuais que enfrentam um alto grau de reação por parte da mídia e da inteligentsia brasileira. Convidam a perguntar o que nos faz atores políticos de esquerda em um país como o Brasil, que não empreende medidas rupturais profundas em relação ao seu modelo econômico — e possui sérias limitações internacionais de atuação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamos que o posicionamento de um cidadão frente a cotas nas universidades públicas, programa Bolsa Família e reforma agrária é um bom indicativo de suas posições políticas: se são de esquerda, ou de direita. Acreditamos que o engajamento de esquerda no Brasil passa (não exclusivamente, mas necessariamente) pelo posicionamento favorável a essas políticas. Ser a favor, nem sempre significa ser 100% a favor. Não esperamos que alguém seja ingênuo para pensar que a política de cotas, o programa Bolsa Família (PBF) e a atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em prol da reforma agrária não sejam passíveis de críticas. Mas essas não podem paralisar um debate maior sobre a brutal desigualdade social brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atual política de cotas envolve importantes mudanças políticas rumo à redução de desigualdades históricas. Isso não significa que as cotas irão apagar, como num passe de mágica, os séculos de exploração e injustiças praticadas contra os afro-descendentes brasileiros. Mas representam, sim, um avanço importantíssimo que provoca reações incríveis por parte daqueles que compõem a nossa direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os Diogos Mainardis, alimentos permanentes ao preconceito contra a modesta redistribuição de riqueza&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Recorre-se ao conceito de meritocracia para negar a validade da política de cotas. Ora, desde quando a meritocracia reina neste país? Se respondermos positivamente a essa pergunta, seremos forçosamente conduzidos a uma conclusão evidente de que pobres e negros estão na situação vulnerável em que se encontram por sua própria culpa, e que nossas elites trabalharam duro para chegar onde estão – no topo da pirâmide de um país com um dos piores níveis de distribuição de renda do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistimos, espantados, as mais sofisticadas descobertas científicas que revelam a forte carga genética européia contida em nossos negros, que não seriam tão negros quanto pensam e, logo, a política de cotas seria uma fraude. Outros alegam, alarmados, a introdução oficial do racismo no Brasil, a incitação ao ódio inter-racial e outras pérolas. Elas denunciam um mal-estar significativo frente à hipótese de um negro sentar-se ao lado daqueles que julgam ocupar o lugar de núcleo pensante de nossas universidades públicas por conta, única e exclusivamente, de seus méritos. E a situação poderia ficar pior, caso nossos negros, além de tudo, queiram dar uma outra interpretação à nossa história: não aquela positivista, heróica e branca, em um país cuja dívida com índios, negros, pardos e mulatos ainda precisa ser paga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro argumento contrário à política de cotas baseia-se no entendimento de que deveríamos melhorar a educação de base, para que egressos de escolas públicas e privadas estivessem em nível de igualdade ao fim do Ensino Médio. Certamente essa é uma ótima idéia, mas quantas décadas, ou mesmo séculos, precisaríamos esperar para que pudéssemos presenciar os resultados dessa medida? Esse tipo de proposta parece um típico discurso brasileiro utilizado quando se quer deixar as coisas como estão: alegar a necessidade de algo mais profundo quando se tem a urgência de algo imediato. O resultado final é que, geralmente, nada é feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro passo coerente é o posicionamento em relação ao Programa Bolsa Família (PBF), que efetua uma transferência direta em favor das famílias em situação de pobreza (com renda mensal por pessoa de R$ 60,01 a R$ 120,00) e extrema pobreza (com renda mensal por pessoa de até R$ 60,00), de acordo com a Lei 10.836, de 9 de janeiro de 2004 e o Decreto nº 5.749, de 11 de abril de 2006. Novamente, nesse caso, assistimos à santa à santa indignação daqueles que afirmam que o ideal seria um programa de geração de empregos. Para eles, o PBF é esmola e estimula a vadiagem de quem, ao invés de produzir, contenta-se com o dinheiro “fácil” recebido mensalmente. Em um país que ocupa uma posição vergonhosa em termos de distribuição de renda — o décimo mais desigual do mundo — não deveria uma solução dessas ser aplaudida como algo que visa reduzir minimamente a nossa brutal desigualdade, em um arremedo de estado de bem-estar social que nunca tivemos, já que pela percepção da facção radical de nossos representantes liberais, pobre só é pobre porque é vagabundo? Para entender como se processa essa apreensão tão rasteira da realidade, temos as colunas do caricato Diogo Mainardi e seus seguidores, que fornecem dados semanais à ignorância e ao preconceito de nossos conservadores anônimos, ou nem tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resgate da dignidade dos mais pobres: o que a mídia faz questão de esconder sobre o MST&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Bolsa Família restitui a dignidade de muitas famílias que são beneficiadas pelo programa. Sim, mas existem distorções, dirão alguns, “tem gente que está trabalhando e ainda assim está inscrito no PBF, recebendo regularmente o benefício”. Logo, o programa deve ser extinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro dessa linha de raciocínio, deveríamos extinguir também o INSS, o SUS, quem sabe até o Congresso Nacional, e todas as instituições passíveis de corrupção nesse país e deixar o incorruptível e isento mercado dar o rumo às nossas vidas – embora os liberais mais esclarecidos já não compactuem com semelhante discurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ignoramos a urgência de medidas que visem a resolução estrutural de problemas nacionais e que tornariam desnecessário o Bolsa Família, tais como a redução nas taxas de juros, a criação de novos postos de trabalho com o incentivo ao capital produtivo entre outras medidas de médio e longo prazo. Contudo, não são excludentes à aceitação do PBF como uma medida eficaz de redução da desigualdade em curto prazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, finalmente, a reforma agrária e sua expressão maior no país: o MST, que, para alguns (de esquerda), simboliza a luta pela justiça no campo, e para outros (de direita), são os Talibãs tupiniquins, inimigos do agro-business, ameaças à sacra propriedade privada e aos latifúndios formados “meritoriamente” no decorrer de nossa história. O MST é internacionalmente conhecido e respeitado como o maior e mais organizado movimento pela reforma agrária do mundo. Mas aqui, os sem-terra são demonizados pela grande mídia, que se concentra tão somente no fato de haver ocupações de terra, cuja violência é sempre parte da reação dos fazendeiros na proteção de seus direitos sagrados à terra de que o próprio Deus parece ter-lhes passado a escritura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais se mostra, em qualquer mídia, o trabalho social engendrado pelo movimento, que ajuda pessoas em estado de miserabilidade total, alcoolistas e candidatos ao lumpensinato, rumo ao pertencimento a um grupo e ao compartilhamento do sonho de uma vida mais digna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se está negando que o MST cometa alguns excessos e que possui falhas – são suficientemente denunciados casos de famílias que ganham terra, vendem e voltam de novo para a fila. Mas como esperar, em um país onde todas as instituições de Estado são falhas, que um movimento social seja perfeito? Nossa situação agrária é herdeira do passado colonial desse país. Nossos latifúndios prosperaram durante séculos com a mão de obra de escravos que foram jogados à margem da sociedade quando da mudança para a mão de obra assalariada e européia (não é difícil perceber a relação entre a luta pela reforma agrária e as políticas de cotas ...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa situação agrária retrógrada e concentradora de renda e a esses latifúndios cuja construção histórica passou longe de qualquer meritocracia, o MST é uma justa resposta. Vem exercendo uma resistência pacífica contra a injusta distribuição de terras, denunciando ao Brasil e ao mundo há décadas que somos um país vergonhosamente desigual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A díade esquerda/direita está mais viva do que nunca, ainda que exista um imenso esforço rumo a um consenso centrista radical que nega a validade de posicionamentos mais assertivos. Michel Foucault afirmava que “onde há poder, há resistência”. Quanto mais vertical e impermeável se apresenta esse poder, mais se necessitam ações que não obstruam um tensionamento político necessário para que os dados continuem rolando, sob pena de cair no totalitarismo em suas múltiplas formas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Direitos não são concessões, são conquistas. Talvez atores políticos como Hugo Chavez e Evo Morales e programas de cotas, PBF e reforma agrária nos termos propostos pelo MST não sejam indicados no Canadá, Noruega, Inglaterra e outros países onde o capitalismo se mostra mais domesticado e reformado. Mas dentro da realidade brasileira e latino-americana, essas ações sustentadas pela esquerda e pela maioria de seus apoiadores tornam-se uma real esperança de superação de desigualdades. Para que sejam dispensáveis no futuro, são atualmente imprescindíveis.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/_Claudio-Cesar-Dutra-de-Souza_"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;Cláudio César Dutra de Souza&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/_Silvia-Ferabolli_"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;Sílvia Ferabolli&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-55264398977335245?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/55264398977335245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=55264398977335245' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/55264398977335245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/55264398977335245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/12/por-que-ainda-somos-diferentes.html' title='Por que ainda somos diferentes'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-3968886921272389526</id><published>2007-12-27T14:01:00.000-02:00</published><updated>2007-12-27T14:16:12.820-02:00</updated><title type='text'>O retorno do(s) idiota(s)</title><content type='html'>Numa América Latina que se redescobre e reinventa, um setor social continua a crer que o debate de temas complexos é aborrecido, e que o ideal de liberdade é a disputa egoísta nos mercados. Tal público é o alvo das obras medíocres de auto-ajuda política, como as de Alvaro Llosa e seus valetes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2007, completou-se uma década da publicação de um livro intitulado Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano, cujos autores são o colombiano Plínio Apuleyo Mendoza, o peruano Álvaro Vargas Llosa e o cubano Carlos Alberto Montaner. Nessa obra, os referidos escritores fazem uma apreciação sarcástica dos textos, ações e idéias pertinentes à luta das esquerdas na América Latina, embasada em um duvidoso humor, que busca ridicularizar todos aqueles que construíram, no século 20 a história da resistência contra as ditaduras e o liberalismo selvagem no continente. Livros assim conferem fama instantânea a seus autores. São leves, fáceis de ler e descompromissados com uma análise séria daquilo que pretendem simplesmente demolir, utilizando a velha tática da terra arrasada e jogando com os medos e preconceitos de uma classe média economicamente combalida — reforçando-os, e angariando novos soldados às suas pequenas tropas de elite de extrema direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, os autores lançaram sua mais nova obra, intitulada O Retorno do Idiota em que prosseguem projetando seus piores medos e preconceitos contra aqueles que designam de idiotas — ou seja, quem não reza pelo código canônico do liberalismo econômico cego e fundamentalista. Em tempos em que o ateísmo entra na ordem intelectual do dia, através de obras como a do francês Michel Onfray (Tratado de Ateologia) e do britânico Richard Dawkins (Deus, um Delírio) a tríade de autores, que considera idiotas quaisquer manifestações oriundas da esquerda na América Latina, não vai além de uma profissão de fé, composta por palavras de ordem vazias, ironias e muito pouca informação real. Apesar de tendencioso e mal escrito, não podemos deixar de reconhecer que esse tipo de literatura propicia um conforto pseudo-intelectual aos chamados reacionários que, nas palavras de Norberto Bobbio, são aqueles que reagem ante a ruptura de uma ordem histórica sagrada, criada e conservada por uma providência imperscrutável. Religiosos e intelectualmente limitados, autores e leitores desses livros constituem uma tipologia que podemos reconhecer como o “Perfeito Idiota de Direita Latino Americano” que será, doravante, tratado como PID.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das características mais importantes para se reconhecer um PID é a sua fé cega no mercado e a sua luta em prol da liberdade que este propicia. Ele acredita que a livre iniciativa nos torna mais iguais, porque cada um de nós sai do mesmo ponto e tem a capacidade de tornar-se um “vencedor” tão somente obedecendo a algumas regras fartamente distribuídas nos mal-escritos manuais de auto-ajuda que tanto consome – inclusive os que deram base a este artigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PID considera que só é pobre quem merece e, nesse instante, o pequeno Capitão Nascimento que habita dentro dele se corporifica nas telas de cinema e o tranqüiliza em relação a sua segurança. Intelectualmente, identifica-se com os ricos e poderosos, grupo do qual não faz parte, e que freqüentemente o despreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mentes pequenas, que detestam qualquer rumor ligado mais à dúvida que às quimeras da certeza&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os leitores de Álvaro Vargas Llosa e seus dois valetes aprendem que Noam Chomsky, autor de vários livros nos quais critica a postura dos Estados Unidos nos processos de norte-americanização e exploração do mundo atual, é um idiota. Isso deve ser reconfortante às mentes pequenas, que historicamente sempre detestaram qualquer rumor intelectual calcado na mais dúvida do que nas quimeras da certeza. Também odeiam Harold Pinter, Nobel de Literatura em 2005, que afirmou em seu discurso de aceitação do prêmio que "Os Estados Unidos finalmente derrubaram o governo sandinista (...) Os cassinos voltaram ao país. Saúde e educação gratuitas acabaram. As grandes empresas voltaram com ímpeto" e Joseph Stiglitz, Nobel de Economia de 2001, segundo o qual “O Chile teve muito sucesso nos últimos quinze anos... [O país] introduziu controles de capital. Privatizou apenas parte de suas minas de cobre, e as minas privatizadas não tiveram um desempenho melhor do que as minas estatais, sendo que os lucros das minas privatizadas foram enviados para o exterior, enquanto os lucros das minas estatais puderam ser investidos nos esforços de desenvolvimento da nação" (International Herald Tribune, 14 de fevereiro de 2007).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Le Monde Diplomatique é “a gazeta oficial dos idiotas latino-americanos e europeus” (sic), o jornal onde se “condena a globalização, se estigmatiza o mercado e se elogiam líderes “carnívoros” [1], tendo o seu editor Ignacio Ramonet — e conseqüentemente nós e vocês, leitores — irmanados na mais pura e idiota oligofrenia. Também são consideradas como “idiotas” a revista Le Nouvel Observateur, o livro de Eduardo Galeano, As Veias Abertas da América Latina. Enfim, toda e qualquer discussão que remeta à forma na qual espanhóis e portugueses mataram, espoliaram e escravizaram as populações pré-colombianas, os negros e todos aqueles que, nos alvissareiros tempos contemporâneos, insistem em lutar pela sua liberdade real e não aquela outorgada de forma parcial e leviana pelos donos do poder, que há séculos se beneficiam das desigualdade no continente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma tática antiga e fascista, a de simplificar complexidades a fim de conquistar seguidores e agradar os discípulos do pensamento PID. É que nada que pareça em si muito difícil lhe é agradável; portanto, a solução de todos os males sempre tem uma causa única e uma solução rápida, eficiente e sempre muito pontual. Pelo discurso de Berlusconi e de toda a extrema-direita européia, basta expulsar os imigrantes e “endurecer” com essa gentalha que promove distúrbios e solapa a ordem para que tudo se resolva. O PID detesta tudo o que cheire a “baderna” e acha que esse negócio de direitos humanos é coisa de homossexuais. Aliás, a manutenção da ordem é sempre um apelo irresistível ao PID, que acredita que apontar tanques para as favelas seria uma solução viável, já que seus habitantes não passam de lixo não reciclável, algo desagradável que não demanda nem uma solução, sequer compaixão ou solidariedade, como bem lembra Luis Fernando Veríssimo em crônica de 29 de novembro publicada nos principais jornais do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Relações de poder, opressão e racismo seriam conversas de intelectuais, que complicam coisas muito simples&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O PID pode ser perigoso, invejoso e cruel quanto mais esteja abaixo do padrão que considera ser o seu de direito. Ele é o “Zé Ninguém”, imortalizado por Wilhelm Reich em seu desabafo histórico. É o capitão do mato, o capataz da fábrica, enfim, todos os subtipos capturados pelas elites, que os usam para o serviço sujo, pois eles são fáceis de manipular. Sendo ganancioso e um pouco estúpido, logo serve como um perfeito idiota pronto para massacrar seus próprios irmãos, em troca da liberdade de escolher seu próprio mecanismo de endividamento, a fim de adquirir sua TV de plasma, seu notebook, seu celular e todos os brinquedinhos que o hipnotizam e sedam a sua capacidade crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma literatura que é a predileta do idiota: a auto-ajuda, que confere o poder “do it yourself” de mudar a vida pelas próprias mãos, através de toneladas de frases e conceitos roubados de uma sub-física quântica, misturada a filosofias de botequim que o reforça em seu individualismo atroz [2]. A mensagem de todas as obras do gênero é só uma: convencer que fatores externos não são condicionantes de nossos problemas. Política internacional, relações de poder, opressão e racismo — tudo isso são conversas de intelectuais embriagados, que complicam coisas muito simples e consistem basicamente em manipular as forças do universo a seu favor. Quanta ilusão e quanto narcisismo envolvidos nesse processo de bestialização do PID e que truque perfeito pra desviar a atenção de todos para as realidades aborrecidas e complicadas do mundo contemporâneo. Na verdade, o PID odeia as ideologias sem perceber que está mergulhado nelas até o pescoço, porque são vendidas como naturais, lógicas e democráticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos destacar a atualidade de Sérgio Buarque de Hollanda para entendermos um pouco do horror e do ódio cordial , que mantêm no Brasil, em pleno século 21, estruturas colonialistas de favorecimentos e sentimentos reativos em relação aos que não fazem parte da casa grande de Gilberto Freire. Poucos de nós possuímos condições de nos deitar na rede da varanda ao entardecer, com mucamas nos coçando as costas — mas como estamos arraigados nesse sonho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como adoramos ter empregadas domésticas a quem tratamos como bestas de carga, como adoramos nos sentir diferentes e pertencentes a uma suposta casta superior. Como é fácil jogar com essas ilusões como um mecanismo fundamental de contenção, a fim de que nossos corpos sejam dóceis e nossas mentes sintonizadas nos confins do universo, que nos dará tudo aquilo que mentalizarmos com fé e perseverança... Como somos idiotas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma crise social gravíssima que não ser minimizada com objetos de consumo e promessas de bem-estar restrito&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O alvo de todas essas maquinações é sempre a parcela PID da classe média, que vive hoje, no Brasil, um processo de profundo esgotamento, capturada nas estruturas de mídia que vendem qualquer tipo de sonho em seis, doze e até trinta prestações. Igualmente enfrenta o colapso de seus valores materiais e morais mais caros, tais como o emprego estável, a casa própria, o carro do ano e o fato de ser um grupo formador de opinião, o sustentáculo de um pensamento que os muito ricos nunca tiveram e os muito pobres já não almejam. Desvalorizado e iludido com a promessa do paraíso do consumo, este setor da classe média se estupidifica a passos largos, em sua tentativa de resguardar o poder moral de ser o baluarte de uma cultura que já não permite construções sólidas em todos os sentidos, vide o conceito desenvolvido pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman de “Modernidade Líquida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As dificuldades cada vez maiores de inserção profissional e obtenção de ganhos pecuniários necessários a uma sobrevivência digna orquestram-se com o espetáculo das ofertas de produtos dispensáveis, que acabam tendo como efeito o consumir-se no próprio consumo, negligenciando e até mesmo ridicularizando outras formas de vida que ensaiam uma crítica e uma saída desse círculo vicioso. O pensamento torna-se cada vez mais escravo de teorias esdrúxulas e opiniões formatadas na mais pura tendenciosidade daqueles que se julgam aptos a diagnosticar as idiotices de quem ousa pensar para além de uns poucos clichês repetidos ad nauseum pelos representantes da Lumpem-Inteliggentzia de nossos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só deixaremos de pertencer à casta do “Perfeito Idiota de Direita Latino Americano” no momento em que conseguirmos olhar para nós mesmos da forma como realmente somos, tarefa necessária, mas nem sempre agradável. E o que realmente somos é um somatório histórico de lutas e conquistas dentro de uma América Latina em que as esquerdas tiveram e ainda têm um papel fundamental com seus erros e acertos nas últimas décadas. Todos estes fatores estarão presentes por muito tempo em nosso continente e os inadaptados famélicos e todos os que estão na periferia do capitalismo continuarão a fazer ouvir a sua queixa, às vezes de forma incisiva, para muito além do admirável mundo novo dos profetas de gabinete que preconizam um darwinismo social excludente e cada vez mais sem disfarces. Há uma crise social gravíssima que não pode mais ser ignorada ou minimizada com objetos de consumo e promessas de um bem-estar restrito a grupos cada vez menores e temerosos de seus semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que Plínio Apuleyo Mendoza, Álvaro Vargas Llosa e Carlos Alberto Montaner, nossos companheiros latino americanos, representem o que existe hoje de mais atrasado em reflexão política e econômica internacional é algo preocupante. Que fornecem subsídios ao conformismo e à conivência das elites e de quem orbita em torno delas, com a desinformação cínica sobre o abismo econômico que atravessa os agrupamentos sociais contemporâneos, isso é um fato consumado. E é preciso ser um perfeito idiota de direita latino americano para não ver isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Carnívoros e Vegetarianos são distinções que os autores utilizam a fim de escalonar os “graus de idiotice” observados na América Latina. Chavez e Morales, por exemplo, seriam “carnívoros”, pelo radicalismo de suas posições, ao passo que Lula e Michele Bachelet, atual presidente do Chile, seriam “vegetarianos” por terem, na concepção dos autores, se distanciado do esquerdismo mais radical e assimilado algumas regras fundamentais da economia de mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Nada do que foi escrito até agora supera o famigerado Segredo. Na chamada de tão auspiciosa obra lemos: “Ele viajou através dos séculos. Ele resistiu à passagem do tempo. Ele chegou até você”. Cremos que poucas obras superam essa em termos de boçalidade e exaltação a um individualismo pequeno-burguês. O grande segredo consiste em saber que nós e apenas nós somos responsáveis por todos os acontecimentos dessa vida; que nosso destino é habitar o nirvana capitalista; e, se isso não ocorre, adivinhem, a culpa é toda nossa! O livro, bem como o filme, tem pérolas do tipo “você não vai mudar o mundo, mas pode mudar a si mesmo” e outras babas do gênero, todas balizadas pelos testemunhos de eminentes sábios de todos os tempos que, supostamente, teriam posto em prática tão complexa sabedoria – obviamente todos mortos, a fim de não gerar processos judiciais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/_Claudio-Cesar-Dutra-de-Souza_"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Cláudio César Dutra de Souza&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://diplo.uol.com.br/_Silvia-Ferabolli_"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Sílvia Ferabolli&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-3968886921272389526?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/3968886921272389526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=3968886921272389526' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/3968886921272389526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/3968886921272389526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/12/o-retorno-dos-idiotas.html' title='O retorno do(s) idiota(s)'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-2197530219303519106</id><published>2007-12-26T14:09:00.000-02:00</published><updated>2007-12-26T14:11:19.805-02:00</updated><title type='text'>Aumento de temperatura da Terra abre brecha para se discutir padrão de vida da sociedade capitalista</title><content type='html'>O debate sobre o aquecimento global ganhou força em 2007 com a divulgação de uma série de relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU). No horizonte, previsões nada animadoras. Na melhor das hipóteses, a temperatura global deverá subir 1,8 ºC até 2100. Na pior, subirá em torno de 4ºC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ambos os casos as conseqüências serão altamente danosas para os ecossistemas. Esse aquecimento, segundo o IPCC, estaria sendo causado pela ação humana, principalmente por meio da queima de combustíveis fósseis desde o começo da era industrial (ao redor de 1750).&lt;br /&gt;&lt;a name="DDE_LINK"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, essa posição não é consenso. Tarik Rezende de Azevedo, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) acredita que possa estar ocorrendo um aquecimento, mas discorda das causas apontadas pelo estudo. “Evidentemente há um aquecimento, mas a discussão maior é em cima das causas. Há tantas outras coisas que pesam – e muito – que é difícil isolar cada uma delas (a ação humana) para ver o peso que tem. No caso do clima há um caso extremo de dificuldade. Como dizer que é a ação humana que mais afeta?”, questiona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Azevedo também contesta a projeção do relatório. “Dizer que vai aumentar de 2 a 4 graus é adivinhação”, afirma. O geógrafo acredita que mais complicado ainda é quando o relatório faz projeções sócio-econômicas baseadas nas mudanças climáticas. “A história da humanidade é muito mais complicada do que equações matemáticas. Em Economia isso também ocorre. É possível prever com exatidão o que vai acontecer na bolsa de valores em seis meses?”, relativiza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Debate&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Artaxo, professor de Departamento de Física Aplicada da USP e participante do IPCC acredita que as divergências são naturais. “Em ciência sempre existe diferenças de opinião. Há divergências em relação a abordagens que o IPCC tomou. Isso é obviamente legítimo, faz parte do sistema científico global”, aponta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pesquisador acredita que é perfeitamente plausível defender uma posição mais “cética” cientificamente. Alerta, entretanto, que essa posição também tem sido adotada por uma parcela da comunidade científica cooptada pelas transnacionais do petróleo e do carvão, por exemplo. “A indústria está se armando do ponto de vista científico, pois o debate é político também. Então, fazem pesquisas que tentam enfatizar pontos positivos do aquecimento global. Por exemplo: parte da Rússia e parte do Canadá poderiam se tornar agricultáveis; mas não leva-se em conta o fato de que o restante do planeta vai ter conseqüências muito danosas”, defende Artaxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o físico, uma posição contrária à idéia da ação humana como principal causa do aquecimento que seja bem argumentada e com bases científicas consistentes é válida, mas acaba sendo vista injustamente com desconfiança por conta do uso desses mesmos argumentos pelas grandes transnacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarik Azevedo também relembra que o painel montado pela ONU é intergovernamental, como diz o próprio nome. “Ou seja, são Estados discutindo a questão do aquecimento global, é uma instituição política, assim como a ONU. São feitas por cientistas escolhidos pelos Estados”, opina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seu ver, muito mais do que preocupações ambientais existe a necessidade de resolver o problema da escassez de petróleo. “É preciso convencer as pessoas. O clima está sendo usado como elemento de convencimento para se mudar a matriz energética do mundo”, sustenta o geógrafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capitalismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michel Löwy, sociólogo, também está convencido de que há aquecimento global e de que a ação humana é a sua principal causa. Mas especifica: “o que causa isso não é a ação humana em geral, mas uma forma muito específica de vida social: a civilização capitalista baseada na extensão e acumulação infinita do capital e do lucro, num modo de consumo irracional e insustentável, em particular das elites ocidentais. O modo de produção, de vida, de transporte de pessoas e mercadorias – todo baseado nas energias fósseis – do capitalismo gera, inevitavelmente, a produção, em proporções assustadoramente crescentes, dos gases de efeito estufa que trazem como resultado o aquecimento global”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Löwy aponta que alguns dos principais governos do mundo capitalista – como o estadunidense e o canadense – apontam que o problema não é grave e que bastam alguns “truques tecnológicos” para se resolver a questão. “George W. Bush (presidente dos Estados Unidos) já explicou que o modo de vida americano não é negociável”, aponta o sociólogo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dafne Melo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-2197530219303519106?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/2197530219303519106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=2197530219303519106' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/2197530219303519106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/2197530219303519106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/12/aumento-de-temperatura-da-terra-abre.html' title='Aumento de temperatura da Terra abre brecha para se discutir padrão de vida da sociedade capitalista'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-1601560687180581822</id><published>2007-12-18T08:22:00.000-02:00</published><updated>2007-12-18T08:24:42.808-02:00</updated><title type='text'>Polícia Decadente</title><content type='html'>você sai de casa e não sabe se vai voltar&lt;br /&gt;a sociedade está em apuros, quando isso vai mudar?&lt;br /&gt;com sua violência e corrupção a polícia não ajuda o pobre cidadão&lt;br /&gt;segurança é o que queremos&lt;br /&gt;violência é o que nos temos&lt;br /&gt;polícia decadente......decadente&lt;br /&gt;o sistema penitenciário está falido&lt;br /&gt;os criminosos nunca são detidos&lt;br /&gt;e se forem fogem da detenção&lt;br /&gt;cavando um túnel por debaixo da prisão&lt;br /&gt;segurança é o que queremos&lt;br /&gt;violência é o que nos temos&lt;br /&gt;polícia decadente......decadente&lt;br /&gt;o suborno e a propina estão em todo lugar&lt;br /&gt;quem tem dinheiro não é preso não&lt;br /&gt;é o pobre que rouba um pão&lt;br /&gt;fica mais de 5 anos na prisão&lt;br /&gt;segurança é o que queremos&lt;br /&gt;violência é o que nos temos&lt;br /&gt;polícia decadente........decadente, decadente, decadente, polícia decadente&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Garotos Podres&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-1601560687180581822?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/1601560687180581822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=1601560687180581822' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1601560687180581822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1601560687180581822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/12/polcia-decadente.html' title='Polícia Decadente'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-2262407708019020380</id><published>2007-11-30T13:51:00.000-02:00</published><updated>2007-11-30T13:57:07.372-02:00</updated><title type='text'>Brasil ocupa piores posições em lista de educação</title><content type='html'>Pesquisa da OCDE coloca o país entre na 52ª posição entre 57 países na comparação do desempenho de estudantes do ensino médio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil é um dos países com pior nível de educação de ciências para estudantes do segundo grau. O país ficou na 52ª posição em uma lista de 57 países. A informação é de uma pesquisa desenvolvida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O estudo, realizado em 2006, é o principal instrumento de comparação internacional do desempenho entre alunos do ensino médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de medir o ensino de ciências, o levantamento mediu a capacidade de leitura, noções de matemática, e como os estudantes aplicavam esse conhecimento para resolver problemas do dia-a-dia. Outros quatro países latino-americanos ficaram à frente do país: Chile, Uruguai, Argentina e México. Dos países da região que foram pesquisados, apenas a Colômbia teve desempenho abaixo do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é a primeira vez que o Brasil apresenta maus resultados em uma pesquisa sobre educação. Em setembro deste ano, outro estudo da OCDE mostrou que o Brasil é o que menos gasta com educação, numa lista de 34 países.De acordo com um relatório elaborado pela Câmara de Educação Básica (CEB) do Conselho Nacional de Educação, divulgado em julho, o Brasil possui uma defasagem de 235 mil professores para o ensino médio. As disciplinas mais afetadas segundo o relatório são as de Física, Química, Matemática e Biologia. (&lt;a href="http://www.radioagencianp.com.br/" target="_self"&gt;com informações da Radioagência NP&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-2262407708019020380?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/2262407708019020380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=2262407708019020380' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/2262407708019020380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/2262407708019020380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/11/brasil-ocupa-piores-posies-em-lista-de.html' title='Brasil ocupa piores posições em lista de educação'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-4801810430357432826</id><published>2007-11-26T14:13:00.000-02:00</published><updated>2007-11-26T14:16:50.405-02:00</updated><title type='text'>Se correr o bicho pega, se ficar...</title><content type='html'>ELE COME e fim de papo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bicho parece bonzinho, mas é devorador e diabólico. Está na cabeça e nas entranhas das pessoas; no mercado, na rua, na mídia, na empresa, na família... e adora também dar uma entrada nas igrejas. Atende por nomes diversos. Porém, um dos mais usados é neoliberalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho muito medo desse bicho. Ele vive matando. Prefere o sangue de crianças, trabalhadores, indígenas e pobres em geral. Seu lema é antigo e atual: “decifra-me ou devoro-te”. Sua base é o mercado. Seu negócio é vender. Para isso, trabalha com o desejo dos consumidores. “E quem pensa a partir do desejo nunca tem o suficiente”, explica o professor Jung Mo Sung. Entre os efeitos mais notórios do “bicho papão”, acham-se os seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Exclusão social: Cresce a categoria dos considerados “não gente”. Hoje, quem “não tem” poder econômico “não é”. Os excluídos não contam porque, ao sistema, nada acrescentam. Por esse motivo, são tratados como “coisas que falam”, expressão utilizada pelos romanos em se referindo aos escravos. Existiam “as coisas que falavam” e as “coisas que não falavam”. Escravos eram “coisas que falavam”, mas não eram escutados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Culpabilização da vítima: O sistema leva você a acreditar que todo o fracasso é culpa sua. Quem não consegue competir, passa a pensar que ele é o incompetente e que sua incompetência tem um preço. Quem se sente culpado, habilita-se a aceitar que deve pagar uma pena. E, quem é penalizado constantemente vai perdendo a auto-estima e a dignidade. Quem perde a dignidade, passa a pensar que não têm direitos. E quem acha que não têm direitos, perde também a vontade de lutar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Crescimento da violência: O fenômeno é complexo. A violência não se reduz a um impulso oriundo de quem tem fome e está sem “comida”. Entretanto, sem comida distribuída entre todos os que têm direito a sentir fome, não pode existir paz. Vale lembrar que, no mundo, de cada cinco pessoas, duas vivem com menos de R$ 6,00 por dia. As causas da violência são múltiplas, mas não podem ser ignoradas as de caráter socioeconômico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Consumo ilimitado: O neoliberalismo cria símbolos e ídolos. O ídolo passa a estimular “desejos miméticos”. Instiga a querer o mesmo que o outro deseja. Assim, se fortalece a concorrência e a corrida ao consumo. Imprimir essa lógica nos indivíduos é tudo o que o sistema de mercado deseja. Se você entrar nesse esquema, o bicho já te pegou. Livrar-se dele não é tarefa fácil. Se, por um lado, há desejos que são necessidades e precisam ser satisfeitos; por outro, existem desejos que devem ser vigiados e controlados, pois são verdadeiros instintos do sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Estresse globalizante: Hoje vivemos os efeitos de uma globalização sedentária. O capitalismo nos quer assim: não críticos e ativos, mas ativistas (ou desocupados) ingênuos. Enquanto fazemos coisas, não paramos para pensar. E se não paramos para pensar, não questionamos. Não questionar, é tudo o que ele espera. O ativismo tem seus agregados: a irritação, a angústia existencial, a tensão, a intolerância etc., levando à depressão, à doença e até a morte. De tudo é salutar livrar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para impedir que o “bicho” nos pegue e nos devore de vez é preciso prendê-lo pelos “chifres”. E não adianta ir sozinho, pois ele tem força. É fundamental resistir, articulando as múltiplas forças que desejam alcançar outros horizontes: da sociedade justa, solidária e sustentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos imitar o bicho que exclui, devora e depreda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se estivermos bem organizados, quem vai ter que correr é o bicho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podes crer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dirceu Benincá é doutorando em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-4801810430357432826?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/4801810430357432826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=4801810430357432826' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/4801810430357432826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/4801810430357432826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/11/se-correr-o-bicho-pega-se-ficar.html' title='Se correr o bicho pega, se ficar...'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-6933969280297658421</id><published>2007-11-26T14:01:00.001-02:00</published><updated>2008-11-28T21:04:14.165-02:00</updated><title type='text'>Mais uma vez, o presidente será o último a saber</title><content type='html'>Editorial do Jornal Brasil de Fato, Edição 245, de 6 de novembro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um leal deputado do governo descobre o plebiscito“Fiz uma pesquisa e constatei que na maioria dos países desenvolvidos o presidente tem o poder de convocar plebiscitos para consultar a população sobre temas importantes. Aqui, só o Congresso pode fazer isso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração é do deputado federal Devanir Ribeiro (PT-SP), ex-dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, que priva do círculo mais íntimo de compadres-colaboradores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir dessa pesquisa , o parlamentar prometeu apresentar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que dê ao presidente o poder de convocar plebiscitos. Na próxima semana, o deputado Devanir vai ao Senado, a convite da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), para explicar seu projeto à bancada do partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes tarde do que nunca, diríamos da descoberta do deputado (e do presidente). Há décadas diversos movimentos e organizações dos trabalhadores e do povo vêm alertando para a importância dos plebiscitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Três plebiscitos históricos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Essas organizações e movimentos têm insistido que, para a construção de uma democracia de interesse popular, os mecanismos de representação existentes são insuficientes. Seria necessário combiná-los com intrumentos de democracia participativa e outros de democracia direta. Entre os últimos, apontam o plebiscito como imprescindível para que a maioria possa opinar e decidir sobre as questões estratégicas que envolvam os destinos do país e do povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, sob a iniciativa de diversas dessas organizações e movimentos, e à revelia do Estado e dos governantes, foram realizados três plebiscitos: o Plebiscito da Dívida Externa (2000), o da Área de Livre Comércio das Américas – Alca (2002) e, em setembro deste ano, o da Companhia Vale do Rio Doce, todos bem sucedidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que tudo indica, o deputado Devanir e o presidente não estiveram informados sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antecedentes nada exemplares&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o deputado dá mostras de lidar com referências históricas defasadas: desconhece as recentes experiências plebiscitárias e parece se inspirar em antecedentes históricos pouco recomendáveis: sua proposta tem como objetivo central conferir ao presidente Luiz Inácio o poder de convocar plebiscito sobre sua própria reeleição. Ou seja, o plebiscito é apenas um expediente, como vários outros já foram usados, com objetivos semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1965, o marechal-presidente Humberto de Alencar Castello Branco traiu aliados golpistas, decretando o Ato Institucional nº 2, que prolongou seu mandato e estabeleceu eleições indiretas para a Presidência. Um dos resultados – ainda que natimorta – foi a Frente Ampla, que tentou reunir o governador Carlos Lacerda, o presidente deposto João Goulart, o ex-presidente Juscelino Kubitschek e outros tantos, numa miscelânea inimaginável. Algo como se algum dia flagrássemos a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), tucanos, pefelistas e o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) de braços dados, dançando uma quadrilha naturalista (vulgo cancan) durante CPIs promovidas por probos tucanos e ilibados pefelistas, contra membros do governo do presidente Luiz Inácio e do PT – certamente hipótese absolutamente improvável, e só possível enquanto fruto das nossas mais pervertidas fantasias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1977, o general-presidente Ernesto Geisel ampliou de cinco para seis anos o período de mandato do seu sucessor, o general-presidente, João Baptista de Oliveira Figueiredo. Mas esses seis anos durariam somente até o governo do presidente José Ribamar Sarney: então, volta tudo para cinco anos.Daí, tivemos até um plebiscito (1993), onde enfrentamos o ridículo de ter de escolher entre República e Monarquia (além de presidencialismo X parlamentarismo). Na ocasião, decidiu-se também que o mandato presidencial seria de apenas quatro anos, mantida a cláusula que proibia a reeleição em mandatos consecutivos para o cargo. Essa cláusula seria derrubada a peso de ouro garimpado pelo ministro Sérgio Motta (PSDB-SP), e distribuído a mãcheias no primeiro grande “mensalão tucano”, para permitir a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Me engana que eu gosto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas, além dos maus antecedentes que o inspiram, o deputado Devanir Ribeiro, candidamente, insiste em afirmar que sua iniciativa não reflete o desejo do presidente Luiz Inácio. Teme-se que, depois de expor seu projeto aos seus companheiros no Senado, ele e sua colega senadora Ideli resolvam contar uma piada de papagaio e outra de português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A negociação possível&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Caso as organizações e movimentos de trabalhadores e do povo que organizaram os plebiscitos sobre a Dívida Externa, a Alca e a Vale prossigam sua trajetória e sejam capazes de garantir sua unidade, a única negociação possível (pelo menos nos atuais horizontes) para apoiar um plebiscito pela reeleição presidencial seria que este se fizesse preceder de alguns outros, sobre temas como a Dívida, a Alca, a Vale, a limitação de remessas de lucros pelas empresas estrangeiras e vários assuntos desse porte e relevância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso parece improvável: a PEC proposta pelo nobre deputado- amigo do presidente Luiz Inácio certamente visa manter o cumprimento da agenda neoliberal em curso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-6933969280297658421?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/6933969280297658421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=6933969280297658421' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/6933969280297658421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/6933969280297658421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/11/mais-uma-vez-o-presidente-ser-o-ltimo.html' title='Mais uma vez, o presidente será o último a saber'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-1112656887292650127</id><published>2007-11-17T18:41:00.000-02:00</published><updated>2007-11-17T18:42:10.138-02:00</updated><title type='text'>Filosofia da História</title><content type='html'>(...) não devemos cair nas ladainhas das lamúrias, dizendo que, no mundo, muitas vezes ou quase sempre, os bons e piedosos são infelizes, ao contrário dos maus e perversos. Por felicidade entendem-se coisas bem diversas, como fortuna, honra mundana e coisas semelhantes. Mas quando se trata de um fim em si e por si, o que se chama ventura ou infortúnio deste ou daquele indivíduo particular não pode ser tomado como momento da ordem racional do universo. Aqui não é o interesse nem a paixão individual que exigem satisfação, mas a razão, o direito, a liberdade.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;G.W.F. Hegel&lt;br /&gt;1770 - 1831&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-1112656887292650127?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/1112656887292650127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=1112656887292650127' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1112656887292650127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1112656887292650127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/11/filosofia-da-histria.html' title='Filosofia da História'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-7724944036299516758</id><published>2007-11-17T18:40:00.001-02:00</published><updated>2007-11-17T18:40:59.700-02:00</updated><title type='text'>"Por que Socialismo"</title><content type='html'>"A realização do socialismo requer a solução de alguns problemas sócio-políticos extremamente difíceis: “como é possível, considerando a muito abarcadora centralização do poder, conseguir que a burocracia não seja todo poderosa e arrogante? Como podem proteger os direitos do indivíduo e mediante ele assegurar um contrapeso democrático ao poder da burocracia?”&lt;br /&gt;Ter claras as metas e problemas do socialismo é de grande importância nesta época de transição."&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Albert Einstein&lt;br /&gt;1879 – 1955&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-7724944036299516758?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/7724944036299516758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=7724944036299516758' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/7724944036299516758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/7724944036299516758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/11/por-que-socialismo.html' title='&quot;Por que Socialismo&quot;'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-7316352914474237650</id><published>2007-11-17T18:35:00.000-02:00</published><updated>2007-11-17T18:36:54.315-02:00</updated><title type='text'>A Organização das Massas Operárias Contra o Governo e os Patrões</title><content type='html'>Nós já o repetimos: sem organização, livre ou imposta, não pode existir sociedade; sem organização consciente e desejada, não pode haver nem liberdade, nem garantia de que os interesses daqueles que vivem em sociedade sejam respeitados. E quem não se organiza, quem não procura a cooperação dos outros e não oferece a sua, em condições de reciprocidade e de solidariedade, põe-se necessariamente em estado de inferioridade e permanece uma engrenagem inconsciente no mecanismo social que outros acionam a seu modo, e em sua vantagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os trabalhadores são explorados e oprimidos porque, estando desorganizados em tudo que concerne à proteção de seus interesses, são coagidos, pela fome ou pela violência brutal, a fazer o que os dominadores, em proveito dos quais a sociedade atual está organizada, querem. Os trabalhadores se oferecem, eles próprios (enquanto soldado e capital), à força que os subjuga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca poderão se emancipar enquanto não tiverem encontrado na união a força moral, a força econômica e a força física que são necessárias para abater a força organizada dos opressores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve anarquistas, e ainda há, que, ainda que reconhecendo a necessidade de organização na sociedade futura e a necessidade de se organizarem agora para a propaganda e para a ação, são hostis a qualquer organização que não tenha por objetivo direto a anarquia e não siga os métodos anarquistas. E alguns se afastaram de todas as associações de resistência existentes, consideraram quase uma defecção tentar organizar novas associações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para esses camaradas, todas as forças, organizadas em um objetivo que não fosse radicalmente revolucionário, seriam, talvez, subtraídas à revolução. Acreditamos, ao contrário, e a experiência já nos mostrou isso muito bem, que seu método condenaria o movimento anarquista a uma perpétua esterilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se fazer propaganda é preciso estar no meio das pessoas. É nas associações operárias que o&lt;br /&gt;trabalhador encontra seus camaradas e, em princípio, aqueles que estão mais dispostos a compreender e a aceitar nossas idéias. E mesmo que se quisesse fazer intensa propaganda fora das associações, isto não poderia ter efeito sensível sobre a massa operária. Excetuando um pequeno número de indivíduos mais instruídos e capazes de reflexões abstratas e de entusiasmos teóricos, o operário não pode chegar de uma só vez à anarquia. Para se tornar anarquista de modo sério, e não somente de nome, é preciso que comece a sentir a solidariedade que o une a seus camaradas, é preciso que aprenda a cooperar com os outros na defesa dos interesses comuns e que, lutando contra os patrões e capitalistas são parasitas inúteis e que os trabalhadores poderiam assumir a administração social. Quando compreende isso, o trabalhador é anarquista, mesmo que não carregue o nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, favorecer as organizações populares de todos os tipos é a conseqüência lógica de nossas idéias fundamentais e, assim, deveria fazer parte integrante de nosso programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um partido autoritário, que visa controlar o povo para impor suas idéias, tem interesse em que o povo permaneça massa amorfa, incapaz de agir por si mesma e, conseqüentemente, sempre fácil de dominar. É lógico, portanto, que só deseje um certo nível de organização, segundo a forma que ajude na tomada do poder: organização eleitoral se espera atingir seu objetivo pela via legal; organização militar se conta com a ação violenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, anarquistas, não queremos emancipar o povo, queremos que o povo se emancipe. Nós não acreditamos no fato imposto, de cima, pela força; queremos que o novo modo de vida social saia das entranhas do povo e corresponda ao grau de desenvolvimento atingido pelos homens e possa progredir à medida que os homens avançam. Desejamos, portanto, que todos os interesses e todas as opiniões encontrem, em uma organização consciente, a possibilidade de se colocar em evidência e influenciar a vida coletiva, na proporção de sua importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós assumimos como objetivo lutar contra a atual organização social e destruir os obstáculos que se opõem à realização de uma nova sociedade, onde a liberdade e o bem-estar estarão assegurados a todos. Para perseguir este objetivo, unimo-nos em partido e procuramos nos tornar os mais numerosos e os mais fortes possível. Mas os outros também estão organizados em partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os trabalhadores permanecessem isolados como tantas unidades indiferentes umas das outras, ligadas a uma cadeia comum; se nós mesmos não estivéssemos organizados com os trabalhadores enquanto trabalhadores, não poderíamos apenas nos impor... E então não seria o triunfo da anarquia, mas o nosso. E não poderíamos mais dizermo-nos anarquistas, seríamos simples governantes, incapazes de fazer o bem, como todos os governantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala-se com freqüência de revolução e acredita-se por esta palavra resolver todas as dificuldades. Mas o que deve ser, o que pode ser essa revolução à qual aspiramos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abater os poderes constituídos e declarar extinto o direito de propriedade é desejável: um partido pode fazê-lo além de suas forças, conte com a simpatia das massas e com uma suficiente preparação da opinião pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, e depois? A via social não admite interrupções. Durante a revolução ou a insurreição, como queiram, e imediatamente após, é preciso comer, vestir, viajar, imprimir, tratar dos doentes etc., e estas coisas não se fazem por si mesmas. Hoje o governo e os capitalistas as organizam para delas tirar proveito; quando eles tiverem sido abatidos, será preciso que os próprios operários o façam em proveito de todos, senão verão surgir, sob um nome ou outro, novos governantes e novos capitalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como os operários poderiam prover as necessidades urgentes se eles não estão agora habituados a se reunir e a discutir, juntos, os interesses comuns, e ainda não estão prontos, de certo modo, a aceitar a herança da velha sociedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa cidade onde os cerealistas e os donos de padarias tiverem perdido seus direitos de propriedade e, por conseguinte, o interesse em abastecer o mercado, será preciso, a partir do dia seguinte, encontrar nas padarias o pão necessário à alimentação do público. Quem pensará nisso se os empregados das padarias já não estiverem associados e prontos a trabalhar sem os patrões, e se, esperando a revolução, eles não tiverem pensado de antemão em calcular as necessidades da cidade e os meios de abastecê-la?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, nós não queremos dizer que para fazer a revolução seja preciso esperar que todos os operários estejam organizados. Seria impossível, tendo em vista as condições do proletariado, e felizmente não é necessário. Mas é preciso que pelo menos haja núcleos em torno dos quais as massas possam reagrupar-se rapidamente, tão logo elas sejam liberadas do peso que as oprime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é utopia querer fazer a revolução somente quando estivermos todos prontos e de acordo, é ainda mais utópico querer fazê-la sem nada e ninguém. É preciso uma medida em tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto esperamos, trabalhemos para que as forças conscientes e organizadas do proletariado cresçam tanto quanto seja possível. O resto virá por si só.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Errico Malatesta&lt;br /&gt;1897&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-7316352914474237650?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/7316352914474237650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=7316352914474237650' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/7316352914474237650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/7316352914474237650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/11/organizao-das-massas-operrias-contra-o.html' title='A Organização das Massas Operárias Contra o Governo e os Patrões'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-1413398190738912736</id><published>2007-11-14T13:39:00.000-02:00</published><updated>2007-11-14T13:42:11.761-02:00</updated><title type='text'>O Brasil de Hoje é Fruto do Golpe de 1964</title><content type='html'>O golpe militar de 1964 impôs não apenas 21 anos de ditadura, mas também o ambiente político e cultural que possibilitou – no período da “redemocratização” – ao neoliberalismo aportar com tudo no território brasileiro, estimulado pelas elites empresariais, saudado pelas classes médias e engolido pelos trabalhadores sem maiores resistências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em plena Guerra Fria, com o imperialismo norte-americano jogando pesado contra os blocos socialista e terceiro-mundista, o golpe interrompeu o processo de reformas de base articulado por lideranças trabalhistas com o governo João Goulart. As reformas faziam sentido no bojo do desenvolvimento industrial das décadas de 40 e 50, e representavam a justa cobrança dos trabalhadores no acerto de contas com o capital, especialmente para virar a página do atraso oligárquico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o golpe, a experiência educacional transformadora foi duramente reprimida e todo o sistema passou a ser controlado de cima para baixo, com rígida vigilância. Tanto é que inúmeros professores e projetos educacionais foram banidos. Ao mesmo tempo acelerou-se o processo de privatização do ensino superior. Foram criadas as “fundações sem fins lucrativos” que enriqueceram tanta gente. As fábricas de diplomas ganharam status de faculdades e universidades. O sistema criado na ditadura permanece intacto, não apenas vigora até hoje, como é um dos pilares de formação e sustentação intelectual do neoliberalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto de reforma agrária de Celso Furtado, que o governo João Goulart ensaiava colocar em prática, previa a desapropriação de todas as terras ao longo das rodovias e ferrovias, de forma que se pudessem assentar rapidamente todas as famílias que quisessem trabalhar na terra. O golpe de 1964 abortou a reforma agrária e até hoje o Brasil não conseguiu resolver a secular questão agrária e nem criar um modelo para o desenvolvimento da agricultura familiar, a produção de alimentos e a proteção ambiental. Ao contrário, o Brasil agora convive com o latifúndio improdutivo e com o latifúndio do agronegócio – a concentração da terra voltada para a exportação (soja, eucalipto, cana e pecuária), altamente destruidora das reservas florestais, dos recursos hídricos e do meio ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem bem o Brasil saiu da ditadura militar, em 1985, e as elites brasileiras já estavam salivando para privatizar o patrimônio público acumulado nos anos de centralização e de estatização, quando os gestores do regime endividaram o País e o povo brasileiro com inúmeros projetos faraônicos. A ditadura acelerou a destruição da Amazônia com a rodovia Transamazônica e os projetos fracassados de colonização; a ditadura acelerou a destruição dos recursos hídricos com os projetos de grandes hidrelétricas; a ditadura acelerou a destruição cultural do Brasil com os seus projetos autoritários de educação e comunicações. O apoio da ditadura à TV Globo e às demais redes de televisão foi decisivo para “formar” gerações alienadas com a cabeça no consumo e no circo. O sistema de controle da informação e da cultura montado pela ditadura continua intacto até hoje – sob o domínio de alguns grupos empresariais e coronéis eletrônicos espalhados no território nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem bem saiu da ditadura e ingressou no neoliberalismo, as elites brasileiras avançaram sobre os direitos dos trabalhadores, retiraram conquistas de décadas, investiram pesado nas “flexibilizações” e “desregulamentações” da legislação trabalhista e social, passaram a arrochar sistematicamente os salários, colocaram milhões na informalidade e multiplicaram várias vezes o exército de reserva – também chamado de desemprego estrutural. Isso só foi possível porque a sociedade brasileira moldada pelos 21 anos de ditadura apagou da memória e da história oficial as lutas feitas e as reformas sonhadas antes de 1964. Depois do último embate, nas eleições de 1989, quando as forças democráticas e populares foram derrotadas – em “eleições livres” – pelo neo-coronelismo apoiado pela velha imprensa empresarial e pelo aparato televisivo construído pelo regime militar, a resistência democrática e popular entrou em declínio, importantes setores da esquerda se renderam ou foram cooptados pelo modelo político-econômico, as propostas transformadoras e socializantes desapareceram dos sindicatos e das universidades. É nesse quadro que o movimento social ainda tenta se reerguer – com muita dificuldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta lembrar que toda a imprensa brasileira – com exceção do jornal Ultima Hora – apoiou o golpe militar de 1964, na defesa dos interesses dos fazendeiros, do capital industrial nacional e do capital estrangeiro. Da mesma forma, hoje, a grande maioria da imprensa brasileira defende ardentemente os postulados do neoliberalismo, apóia a entrada desenfreada do capital estrangeiro, o sistema financeiro concentrado em grandes bancos e a concentração da terra para o agronegócio. Os motivos de fundo para o golpe de 1964 constituem ainda hoje o programa em vigor das elites dominantes. Isso significa que o golpe de 1964 pode ser considerado completamente vitorioso, pois interrompeu de forma duradoura – há 43 anos – o que estava sendo ensaiado de transformações em favor das classes trabalhadoras. Desde então os trabalhadores não vivenciaram mais nenhum processo de reformas que pudesse mudar as estruturas do País. O Brasil é hoje mais capitalista do que já foi em toda a sua história. Com todos os problemas que esse sistema produz.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hamilton Octávio de Souza&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-1413398190738912736?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/1413398190738912736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=1413398190738912736' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1413398190738912736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1413398190738912736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/11/o-brasil-de-hoje-fruto-do-golpe-de-1964.html' title='O Brasil de Hoje é Fruto do Golpe de 1964'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-5355079015712976824</id><published>2007-11-13T14:05:00.000-02:00</published><updated>2007-11-13T14:06:12.615-02:00</updated><title type='text'>Os Indiferentes</title><content type='html'>Odeio os indiferentes.&lt;br /&gt;Acredito que viver&lt;br /&gt;significa tomar partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indiferença é apatia,&lt;br /&gt;parasitismo, covardia.&lt;br /&gt;Não é vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, abomino os indiferentes.&lt;br /&gt;Desprezo os indiferentes,&lt;br /&gt;também, porque me provocam&lt;br /&gt;tédio as suas lamúrias&lt;br /&gt;de eternos inocentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo, sou militante.&lt;br /&gt;Por isso, detesto&lt;br /&gt;quem não toma partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odeio os indiferentes.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Antonio Gramsci&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-5355079015712976824?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/5355079015712976824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=5355079015712976824' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5355079015712976824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5355079015712976824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/11/os-indiferentes.html' title='Os Indiferentes'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-1116774686839385366</id><published>2007-11-12T13:31:00.000-02:00</published><updated>2007-11-12T13:34:45.315-02:00</updated><title type='text'>Copa do Mundo no Brasil, para além do debate econômico</title><content type='html'>Para antropólogos, torneio expõe a apropriação da paixão pelo futebol como instrumento de dominação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A realização da Copa do Mundo de futebol no Brasil constitui um evento cuja força escapa a toda e qualquer tentativa de domesticação política”, pondera José Paulo Florenzano, antropólogo da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), antes que surja qualquer argumento que reforce a antiga idéia, a saber, “futebol é alienação”. Para Florenzano, a Copa comporta riscos simbólicos para as instâncias de poder que sonham em manipulá-la em proveito próprio; expõe a todos os perigos o discurso televisivo que pretende imprimir-lhe uma significação nacionalista-patriótica; e possui uma dinâmica que pode cimentar a unidade nacional, tanto quanto, inversamente, expor as fraturas do corpo social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que organização da Copa de 2014 não quer é expor tal fratura. Comemorada, em viagem à Suíça no dia 30 de outubro por cartolas, governadores e até pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a confirmação de que o evento será realizado no Brasil pode ser um risco para a elite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela pensa à frente. Por que não transformar a paixão pelo esporte em ufanismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com Luiz Henrique de Toledo (o Kike), antropólogo da Universidade de São Paulo (USP), será uma boa oportunidade para avaliar o significado da seleção brasileira, “valor tão atacado e fustigado em tempos de globalização de times e selecionados”.&lt;br /&gt;&lt;a name="DDE_LINK"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para a antropóloga Bernadete Castro Oliveira, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, a “paixão” pelos clubes é manipulada pela mídia em prol da idéia de um selecionado que represente um “Brasil homogêneo”. “Todo o brasileiro tem uma paixão por um time. Do ponto de vista antropológico, o time funciona como se fosse um clã, reúne os indivíduos por um sentimento, por um ideal comum. Na seleção, se toma essa sensação de clã para um ideal manipulado de naçãoh, explica. Assim, para ela, a identidade é transportada de um plano para outro que, de certa maneira, vai servir como uma apropriação do povo pela elite, por meio da mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dominação&lt;br /&gt;“(O futebol) se tornou um instrumento de dominação. Na década de 1970, por exemplo, o Estado autoritário tentou forçar a construção de um imaginário de povo-nação por meio da seleção”, lembra Bernadete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kike reforça esse pensamento. Para ele, a identidade não é uma representação que se sustenta por si mesma, “antes de tudo é projeto político de grupos, de elites, dos governos que se sucedem. Mas acho que, nos últimos tempos, houve pouca instrumentalização do futebol como o maior índice identitário”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com toda a força da mídia, a tentativa de homogeneizar o povo brasileiro não “fez gol”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O futebol não pode ser culpado pelas rixas, essas têm a ver com processos históricos e políticos mais complexos que, de vez em quando, destilam pelo futebol tais rivalidades regionais, mas não vejo como uma Copa do Mundo, um evento episódico, possa fazer da nação um corpo político e cultural homogêneo”, aponta Kike&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais. O antropólogo da USP não acredita nesse tipo de identidade homogênea: “é ingenuidade pensar assim”. E provoca. “A pergunta é, o futebol é amado por muitos povos e por que só aqui insistimos que ele seja um dos índices de identidade, será que isso se repete na Alemanha, Itália e etc. a despeito da sua enorme popularidade? Popularidade e símbolo de identidade nem sempre estão associados. Nós queremos que seja, pelo enquanto (estiver ganhando)”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasilidade&lt;br /&gt;Na Copa, a brasilidade pode ser reatualizada. “Simbolicamente, o futebol nos diz algo daquilo que convencionalmente chamamos de brasilidade, mas isso também não é algo mecânico e a-histórico, para isso tem que ser reatualizado, ritualizado, reproduzido e reproduzindo seus jogadores, seus especialistas e continuar sendo um fenômeno midiático, outro elemento fundamental para que qualquer fenômeno ganhe modernamente esse status de signo identitário”, afirma Kike.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noves fora o patriotismo “idiotizado” pela mídia, o fato é que a imagem do brasileiro está sempre ligada ao futebol. “Uma coisa é Copa do Mundo, outra coisa é o futebol”. Essa foi a primeira frase do meia Sócrates em entrevista ao Brasil de Fato. Com Magrão o papo é reto. “Futebol é essência. É o exercício dessa prática. Outra coisa é a Copa, que é um negócio, onde tem um 'monte de ladrão roubando dinheiro'”, afirma, sem rodeios, um dos grandes ídolos do futebol brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ícone da seleção brasileira, o atacante Tostão acredita que a festa de 2014 será um motivo de congraçamento dos Estados brasileiros e de unificação do conceito de pátria. “Isso é bom, desde que não seja uma coisa ufanista, de glorificar algo que não é para glorificar e iludir as pessoas”, afirma.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eduardo Sales de Lima                                                                                                                             &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-1116774686839385366?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/1116774686839385366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=1116774686839385366' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1116774686839385366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1116774686839385366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/11/copa-do-mundo-no-brasil-para-alm-do.html' title='Copa do Mundo no Brasil, para além do debate econômico'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-7466877323284234702</id><published>2007-11-06T13:53:00.000-02:00</published><updated>2007-11-06T14:05:12.769-02:00</updated><title type='text'>De acordo com o filme “Tropa de Elite”, “favelado bom é favelado morto”</title><content type='html'>“HOMENS DE preto, qual é sua missão? É entrar na favela e deixar corpo no chão”. Começo este artigo copiando a abertura de outros dois artigos dos que mais gostei no mar de análises sobre o filme “Tropa de elite”. Cláudia Santiago e Ivan Pinheiro iniciam seus textos reproduzindo o refrão cantado pelo Bope nos seus treinamentos. É nele, exatamente, que está a linha geral do filme que, independentemente das intenções do produtor e dos atores, é um hino ao Bope (Batalhão de Operações Especiais que atua nas favelas do Rio). Nesse refrão, está a mensagem central do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discute-se muito se o filme é de direita, se é fascista ou nazista. Para mim, ele contribui para consolidar, entre a população, a idéia de legitimidade das ações policiais que exterminam pobres e moradores de favelas no Rio de Janeiro. E faz isso no momento em que militantes de direitos humanos travam, na cidade, uma luta para pôr fim a essa violência. Fruto dessa batalha, inclusive, foi criada a Rede Nacional de Jornalistas Populares que, em seu lançamento, contou com a presença da mãe de uma das vítimas da violência policial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, independentemente da vontade de seus executores, o filme serve muito bem às idéias que a direita semeou: todo pobre é perigoso, é ladrão, é bandido. Todos. Basta ser pobre, de preferência negro, para ser, no mínimo, suspeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a missão do Bope é “entrar na favela e deixar corpo no chão”, a mensagem que o filme passa é de que na favela só tem criminoso, assassino, traficante a ser deixado no chão. Essa é a primeira, a segunda, a terceira, a quarta idéia do filme. É a idéia mais nociva. Ivan Pinheiro, ao final do seu artigo, propõe uma interpretação, com a qual estou de acordo, sobre o resultado ideológico- político do filme: “Em qualquer país em que “Tropa de elite” passar, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, o filme estará contribuindo para que a sociedade se torne mais fascista e mais intolerante com os negros, os imigrantes de países periféricos e delinqüentes de baixa renda”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um festival de idéias de direita&lt;br /&gt;Há um hábito, no Brasil, de quase ninguém se assumir como de direita. Hoje, esse costume se reforça com a balela de que direita e esquerda não existem mais. Acabou tudo. O filme nos mostra que, ao contrário, a diferença entre direita e esquerda está mais viva do que nunca. “Tropa de elite” não só apresenta, por meio da narrativa da filosofia do Bope, um grande quadro de idéias de direita, mas também as mostra de maneira simpática, dinâmica e as justifica. O público, obviamente, se comove com o policial com síndrome de pânico, embora este seja torturador de homens, crianças e mulheres e assassino. E se encanta com aquele que reconhece a miopia do menino. Se é tão bom, é possível compreendê-lo quando se transforma, devido à perda do amigo que queria ajudá-lo, em assassino e torturador. Então, justifica a barbaridade dos homens de preto que têm como missão “entrar na favela e deixar corpo no chão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, não interessa se de propósito ou não, o filme faz campanha e reforça, no coração e na mente de milhões, idéias contra as quais a esquerda se bate há séculos. No artigo de Cláudia Santiago existe um roteiro de algumas das idéias altamente nocivas do filme. Ela afirma: “Os membros do Bope são mostrados como heróis incorruptíveis, dispostos a combater o crime a qualquer custo, mesmo que esse custo seja ‘esculachar moradores’, condenar sem julgamento, torturar crianças e companheiras de traficantes e matar”. Para ela, a prática da tortura, da pena de morte aplicada de maneira informal e a ridicularização da luta pelos direitos humanos são algumas das várias lições de direita que o filme dá aos espectadores. A culpa do tráfico jogada em jovens estudantes “maconheiros”, sem procurar os grandes responsáveis pelo tráfico que não querem que ele acabe, é outro ponto forte do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extermínio dos moradores&lt;br /&gt;O filme faz sucesso por dois motivos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Trata do tema que mais preocupa a sociedade brasileira: a violência e a segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Retrata e reproduz as idéias dominantes da sociedade sobre a favela, os pobres, os negros, ideologia espalhada pelos quatro Cavaleiros do Apocalipse da comunicação de direita nacional: Folha de S. Paulo, Estadão, Globo e Veja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capa dessa revista, no seu número 2.030, do dia 17, não deixa dúvidas sobre o caráter do filme. A manchete é “Pegou geral”. Em seguida, Veja nos esclarece com a seguinte legenda: “O filme ‘Tropa de elite” é o maior sucesso de nossa história porque trata bandido como bandido e mostra usuário de droga como sócio dos traficantes”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa mensagem, que tanto agrada à revista, não é novidade. Não foi o José Padilha quem as inventou. Sempre se falou que “Bandido bom é bandido morto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre, entre a classe dominante, desde o tempo da casa-grande e da senzala, existiu o pavor-pânico das “classes perigosas”, isto é, dos pobres. Sempre se confundiu pobre com criminoso. São idéias que têm origem na tradição secular de uma sociedade escravocrata dividida entre a casa-grande e a senzala. O que o filme faz é simplesmente reforçar toda essa ideologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há várias falas e imagens, ao longo do filme que consagram a idéia de que a favela é lugar de bandido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O farda preta entra na favela para matar”, se ouve lá pelas tantas. Sim, matar. Matar quem? Lógico, aqueles bandidos favelados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A raiz da guerra do tráfico&lt;br /&gt;Desde as primeiras cenas aparece a tal “guerra”. Guerra de quem contra quem? A quem interessa essa guerra? Por que não se acaba com ela? A única solução que o filme aponta é o extermínio. De quem? Dos generais dessa guerra? Não. Não há chefões, não há gente interessada em não acabar com essa guerra. Ela existe e ponto final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem disse que essa guerra precisa existir? Não há outras hipóteses? Não há a possibilidade de as “drogas serem vendidas em drogarias”? Não há a possibilidade, por meio da liberação, de acabar com o tráfico e com essa guerra? Há muita gente que acha que assim diminuiria o uso de drogas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já se tentou imaginar uma sociedade sem tráfico... sem corrupção policial, sem armas contrabandeadas, sem propinas para advogados e juízes? E, sem tráfico de drogas, como ficaria a lavagem de dinheiro praticada por muitas empresas? Outra pergunta: o tráfico é coordenado por quem? Será que os chefes do exército do tráfico são aqueles garotos de olhos esbugalhados que ficam lá no alto dos morros dando tiros sem saber em quem e pra quê? O filme não fala nada sobre essa parte da realidade. Então, não venham me dizer que o filme refletiu a realidade. Não. Re- fletiu a parte da realidade que queria ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra foi deixada no escuro e não vai ser vista por quem o assistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem que fica é a do morador de favela, traficante. Esse tem que morrer, porque os heróis que o filme apresenta para nossa sociedade idolatrar, os Bope, vestidos de preto, continuam cantando que sua “missão é entrar na favela e deixar corpo no chão”. Corpo de pobre, evidentemente. Não daqueles que vivem da guerra dos meninos do tráfico contra os homens de preto, que rende bilhões de dólares anuais para os verdadeiros chefões do tráfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vito Giannotti é coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-7466877323284234702?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/7466877323284234702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=7466877323284234702' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/7466877323284234702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/7466877323284234702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/11/de-acordo-com-o-filme-tropa-de-elite.html' title='De acordo com o filme “Tropa de Elite”, “favelado bom é favelado morto”'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-1910632993967392702</id><published>2007-11-01T14:01:00.003-02:00</published><updated>2008-11-28T20:48:57.144-02:00</updated><title type='text'>A Religião é o Ópio do Povo</title><content type='html'>"O sofrimento religioso é, a um único e mesmo tempo, a expressão do sofrimento real e um protesto contra o sofrimento real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de condições desalmadas. É o ópio do povo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Karl Marx, "Uma Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel" (1844)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você vai perceber de imediato duas coisas. Primeiro, Marx não diz que a religião é o narcótico, o entorpecente do povo, mas sim que é o ópio -- um narcótico específico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caracterizar a religião como uma droga que anestesia a dor, por mais chocante que seja para muitos, hoje, foi ainda mais radical em sua época. E no entanto, mais do que condenando a religião em si, Marx na verdade estava criticando a condição de uma sociedade que levaria as pessoas a um entorpecimento. De qualquer modo, a partir daí, não paramos de ouvir as críticas aos comunistas sem Deus, implicando que o pensamento marxista não tem valores nem moralidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não é bem verdade. O que Marx queria dizer é que a religião funciona no sentido de pacificar os oprimidos; e a opressão é definitivamente um erro moral. A religião -- dizia ele -- reflete o que falta na sociedade; é uma idealização das aspirações do povo que não podem ser satisfeitas de imediato. As condições sociais da Europa nos meados do século passado tinham reduzido os trabalhadores a pouco mais que escravos; as mesmas condições produziram uma religião que prometia um mundo melhor na outra vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda segundo Marx, a religião não é apenas uma superstição ou uma ilusão. Ela tem uma função social: &lt;strong&gt;distrair os oprimidos da realidade de sua opressão&lt;/strong&gt;. Enquanto os explorados e espezinhados acreditarem que seus sofrimentos lhes granjearão liberdade e felicidade no futuro, estarão considerando a opressão como parte de uma ordem natural -- um fardo necessário e não uma coisa imposta pelos outros homens. É isso o que Marx queria dizer ao chamar a religião de "ópio do povo": ela alivia sua dor, mas ao mesmo tempo, torna-os indolentes, nublando sua percepção da realidade e tirando-lhes a vontade de mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Marx queria? Ele queria que as pessoas abrissem os olhos para as duras realidade do capitalism0 burguês do século dezenove. Os capitalistas estavam extraindo mais e mais lucros a partir do trabalho do proletariado, ao mesmo tempo que "alienavam" os trabalhadores de sua auto realização. O que os trabalhadores mereciam, e poderiam obter se acordassem de sua sonolência, era o controle de seu próprio trabalho, a posse do valor que geravam com esse trabalho e, conseqüentemente, auto estima, liberdade e poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para atingir esse fim, Marx clamava pela "abolição da religião como felicidade ilusória do povo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele queria que eles buscasse a "felicidade real", que na filosofia materialista de Marx era a liberdade e a realização neste mundo. Já que os ricos e poderosos não iriam entregar isso de graça, as massas teriam de tomá-lo. Daí, luta de classe e revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja em: &lt;a href="http://www.geocities.com/Athens/4539/opiodopovo.htm"&gt;http://www.geocities.com/Athens/4539/opiodopovo.htm&lt;/a&gt;&lt;a class="spip_out" href="http://drauziovarella.ig.com.br/"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-1910632993967392702?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/1910632993967392702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=1910632993967392702' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1910632993967392702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1910632993967392702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/11/religio-o-pio-do-povo.html' title='A Religião é o Ópio do Povo'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-8460928936543061503</id><published>2007-11-01T13:45:00.000-02:00</published><updated>2007-11-01T13:59:25.739-02:00</updated><title type='text'>Abrir a “caixa preta” das comunicações no Brasil</title><content type='html'>MOBILIZAÇÃO Campanha dos movimentos sociais defendem participação da sociedade civil no debate da renovação das concessões de rádio e TV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O DIA 5 de outubro de 2007 é uma data emblemática. Depois de 15 anos, vence o prazo de concessão de várias emissoras privadas de televisão no País como as cinco retransmissoras da Rede Globo (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Belo Horizonte), Band, Record, Gazeta, entre outras. A data foi escolhida pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), organização que reúne os principais movimentos populares e sindicais do País, para o lançamento da “Campanha por democracia e transparência nas concessões de rádio e TV”. Estão previstas mobilizações em 11 capitais brasileiras. A iniciativa, sob o mote “Concessões de rádio e TV: quem manda é você”, pretende denunciar as irregularidades dos processos de renovação das outorgas de exploração de serviço de radiodifusão, que desrespeitam o caráter público das concessões de rádio e TV. No mesmo dia das mobilizações, serão entregues ao Ministério Público Federal representações contra emissoras que veiculam publicidade 24 horas por dia – o que desrespeita a legislação. Também serão encaminhados ao Ministério das Comunicações pedidos de informação sobre as emissoras com outorgas vencidas. A questão não se resume às concessões que vão vencer. Hoje, diversas emissoras de rádio e TV funcionam com a outorga expiradas e contam com o consentimento do poder público. O Ministério das Comunicações faz mais do que vistas grossas e trata a informação como sigilosa. No início de 2007, retirou de sua página na internet a listagem que relacionava prazos de vencimento dos concessionários da rádio e TV. A falta de fiscalização por parte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) facilita a prática irregular dessas emissoras. O que favorece as cerca de oito famílias que hegemonizam as comunicações no Brasil configurando um oligopólio poderoso na formação de opinião da população brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Democratizar a mídia&lt;br /&gt;Os movimentos sociais que compõem a CMS avaliam que há uma “caixa-preta” a ser desvendada em todo o processo de renovação. De acordo com Rosana Berttoti, diretora de comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), esta é uma pauta estratégica para os movimentos sociais. “A forma com que a mídia criminaliza os movimentos sociais fez com que nós encampássemos esse debate das concessões para que pudéssemos discutir que rádio e televisão no Brasil é concessão pública, logo precisa ser tratada como tal”, explicou. A reivindicação central da CMS é por um novo marco regulatório para as comunicações. A proposta é que sejam contemplados mecanismos de participação da sociedade civil na hora de se conceder um canal de TV ou uma potência de rádio. “É preciso que se tenham critérios de participação na hora de conceder e um processo de avaliação durante (o tempo de vigência), ou seja, que sejam respeitados os movimentos sociais, as mulheres, os negros, as minorias”, disse Rosana. processo de renovação de outorga de concessão ocorre a cada 15 anos, no caso da TV, e a cada 10 anos, no caso de rádios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discurso conservador&lt;br /&gt;A maior dificuldade dos movimentos sociais é se contrapor à ladainha do medo, entoada pelos grupos empresariais, de que cobrar critérios para a renovação de concessão é uma “discussão autoritária” ou uma “ameaça à democracia”. A retórica dos oligopólios, no entanto, não se sustenta à luz da própria Constituição que determina ao poder Executivo a competência de renovar e outorgar uma concessão. Mesmo assim, as empresas elaboram um discurso pelo qual se apropriam de um serviço público – o de radiodifusão – e rejeitam a participação da sociedade na definição daquilo que a compete, em uma democracia: a definição nos destinos do que pertence, justamente, ao povo. “Isto não é, nem nunca foi, uma democracia. Isso se chama oligarquia. As concessões não deveriam ser dadas por órgãos estatais, mas por um órgão de majoritária participação popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Conselho de Comunicação Social deveria ser um órgão de Estado, mas com participação popular e poder de dar ou negar as concessões”, disse o jurista Fábio Konder Comparato. Para Comparato, é preciso estabelecer uma série de controles para que o interesse público seja respeitado na ótica dos direitos humanos. “O Ministério Público deveria atuar sobre programas de rádio e televisão racistas. É preciso criar ouvidorias populares sobre a rádio e televisão. Os ouvidores deveriam ser eleitos e não ter nenhuma ligação com o poder Executivo. É preciso que os órgãos de comunicação de massa sejam democratizados, o que significa que não podem ser propriedade de empresas particulares”, defendeu o jurista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mayrá Lima - Brasília (DF)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-8460928936543061503?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/8460928936543061503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=8460928936543061503' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/8460928936543061503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/8460928936543061503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/11/abrir-caixa-preta-das-comunicaes-no.html' title='Abrir a “caixa preta” das comunicações no Brasil'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-148228698594627065</id><published>2007-11-01T13:40:00.000-02:00</published><updated>2007-11-01T13:45:05.086-02:00</updated><title type='text'>Uma Difícil Opção: Reformar o Capitalismo ou Ruptura Socialista?</title><content type='html'>O mundo que emergiu da Segunda Guerra Mundial favoreceu a classe operária. Se antes o comunismo e o socialismo haviam se expandido bastante entre o operariado, após a guerra, a adesão tornou-se avassaladora. A esse enorme crescimento dos partidos comunistas europeus, somou-se a presença mundial da União Soviética, que saiu da guerra como potência militar e econômica de primeira grandeza. Um setor mais lúcido da burguesia compreendeu então que, se batesse de frente com o operariado, o mundo iria pelos ares. Objetivamente, não havia mais condições para manter políticas econômicas baseadas numa doutrina econômica responsável por duas carnificinas mundiais e pela maior crise econômica da história do capitalismo. Para evitar o pior a burguesia aceitou – sempre a contragosto e sempre resistindo ao máximo – a intervenção do Estado na economia, com a finalidade de promover o desenvolvimento e de reduzir as desigualdades entre as regiões e as classes sociais. Surgiu então o Estado de Bem-Estar Social, que incorporou várias reivindicações da classe trabalhadora: jornada de oito horas, repouso semanal, salário mínimo, férias, estabilidade - tudo o que constava das pautas do movimento operário antes da guerra. Esse período durou 25 anos e, enquanto durou, as condições de vida dos operários melhoraram substancialmente. Contudo, o mais importante não foi conseguido: apesar da enorme força dos sindicatos e dos partidos operários, não se conseguiu derrotar politicamente a burguesia e substituir o modo de produção capitalista pelo modo socialista. Em meados dos anos de 1970, o Estado de Bem-Estar Social entrou em crise. Saiu dela, dez anos depois, com a contra-revolução liberal – agora sob a roupagem de neoliberalismo. Essa contra-revolução, que é mundial, atingiu o Brasil com toda força, a partir de 1990, quando FHC declarou que iria virar a página da Era Vargas. De lá pra cá, os trabalhadores não conseguiram sequer uma vitória importante. Só perderam direitos e benefícios sociais. A derrota causou perplexidade e divisão entre a classe trabalhadora. Alguns partidos e movimentos procuram reviver o Estado de Bem-Estar Social, propondo reformas na estrutura do capitalismo brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros consideram que não se pode voltar atrás o relógio da história e que não existem condições internacionais e internas para que a burguesia brasileira (brasileira?) seja reformada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hora seria, portanto, de formular uma estratégia de ruptura socialista, no contexto de um processo internacional. Mais dia, menos dia, os trabalhadores terão de optar entre essas duas estratégias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Plinio Arruda Sampaio é advogado, ex-deputado constituinte, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra) e diretor do jornal Correio da Cidadania&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-148228698594627065?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/148228698594627065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=148228698594627065' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/148228698594627065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/148228698594627065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/11/uma-difcil-opo-reformar-o-capitalismo.html' title='Uma Difícil Opção: Reformar o Capitalismo ou Ruptura Socialista?'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-2218248616894851359</id><published>2007-11-01T13:36:00.000-02:00</published><updated>2007-11-01T13:38:15.970-02:00</updated><title type='text'>As Tropas das Elites</title><content type='html'>EM MEIO a acirradas polêmicas e uma efervescente projeção na mídia, estreou nos cinemas do Rio e São Paulo o filme “Tropa de Elite”, de José Padilha, cujo maior mérito, pelo visto, foi saber explorar como poucos o caótico quadro de (in)segurança pública nos grandes centros urbanos de Bruzundangas. A produção já era conhecida do grande público bem antes do seu lançamento, graças à onda de DVDs piratas que os incansáveis camelôs venderam Brasil afora antes da estréia oficial (uma pesquisa do Datafolha afirma que 19% dos paulistanos já tinham visto a obra antes da estréia). Em cena, o Bope – a tropa da PM que invade as favelas com o temível Caveirão –, um vilão que já posa de herói no turbulento imaginário da classe média, sempre repleto de ícones de Hollywood B. Não resta dúvida de que o tema virou comoção nacional. E, quando os bobos da corte se revoltam – como fez Luciano Huck, que clamou pelo Bope depois que roubaram seu singelo Rolex dourado nas ruas de Sampa –, a histeria só tende a crescer. Contudo, tratemos de recorrer ao crivo da razão para não sucumbir de vez à barbárie neoliberal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, é absolutamente impossível comparar o atual quadro de violência social com aquele que existia nos primeiros anos da ditadura militar, em que a vertiginosa transfiguração da fisionomia espacial do país – para a qual concorriam o surto de industrialização, a expansão da “fronteira agrícola” e o êxodo crescente dos lavradores espoliados pelos grandes proprietários – já criava imensos bolsões de excluídos nas entranhas das metrópoles, conforme tão bem nos ilustram as páginas de nossa literatura, desde a prosa contundente de Graciliano Ramos em Vidas Secas, ou o antológico poema “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, até o recente romance Cidade de Deus, de Paulo Lins. Nos cárceres da ditadura, por sinal, quadros das organizações de esquerda travaram um precário contato com alguns cérebros da criminalidade comum, o que teria inspirado a criação de facções criminosas articuladas sob o molde dos partidos clandestinos, com uma estrutura piramidal típica do centralismo democrático leninista. Segundo nos relatam escritores como José Louzeiro, autor de “Lúcio Flávio, o passageiro da agonia”, assim teria surgido o famoso Comando Vermelho nas prisões do Rio de Janeiro, com o sugestivo lema de “Justiça, paz e liberdade”. Hoje, porém, na hipertrofiada sociedade de consumo que medrou à sombra de nosso capitalismo periférico, não há lugar para qualquer Robin Hood tropical. O narcotráfico, bem o sabemos, opera sob a lógica corporativa do capital, sem nenhum laivo de ética ou idealismo social. E se Brasília não dá exemplo de comportamento gregário, nem os varejistas das drogas, espalhados entre o morro e o asfalto, tampouco os atacadistas, comodamente instalados à beiramar, conhecem algum código de honra... Não idealizemos, pois, a bandidagem (do asfalto ou do Planalto), que deve ser punida com o rigor da lei. Da mesma forma, ninguém se iluda com o aparato de repressão estatal. Quando os sem-teto de Recife saem às ruas em busca de solução para o drama da moradia popular nas cidades, cujas Secretarias de Habitação em geral são invadidas pelos magnatas da especulação imobiliária, lá está a PM, pronta para dispersá-los. Enquanto o governador tucano José Serra, para alegria dos fazendeiros, propõe equacionar o conflito fundiário no Pontal do Paranapanema mediante a regularização a toque de caixa de vastos hectares de terras griladas, não faltam tropas da PM para acossar os sem-terra que continuam a resistir à avassaladora expansão do agronegócio em plagas tupiniquins. E até mesmo quando a fazenda de FHC, o sociólogo dos príncipes, foi ameaçada de ocupação pelo MST, para lá acorreram os tanques do Exército, a fim de “dissuadir” os lavradores de qualquer ação mais incisiva contra o “patrimônio” de um típico coronel da pós-modernidade tropical. Por isso, uma velha questão ecoa em Bruzundangas: a quem servem as tropas das elites?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Luiz Ricardo Leitão é escritor e professor adjunto da UERJ. Doutor em literatura latino-americana pela Universidade de La Habana, é autor de Lima Barreto: o rebelde imprescindível (Editora Expressão Popular).&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-2218248616894851359?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/2218248616894851359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=2218248616894851359' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/2218248616894851359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/2218248616894851359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/11/as-tropas-das-elites.html' title='As Tropas das Elites'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-471155839890583101</id><published>2007-10-31T14:29:00.000-02:00</published><updated>2007-10-31T15:39:05.783-02:00</updated><title type='text'>Degradação Familiar</title><content type='html'>"A burguesia rasgou o véu sentimental da família, reduzindo as relações familiares a meras relações monetárias"&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Karl Marx&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-471155839890583101?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/471155839890583101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=471155839890583101' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/471155839890583101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/471155839890583101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/10/degradao-familiar.html' title='Degradação Familiar'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-3542674568438249801</id><published>2007-10-31T14:25:00.000-02:00</published><updated>2007-10-31T15:39:57.489-02:00</updated><title type='text'>Liberdade</title><content type='html'>"Os capitalistas chamam "liberdade" a dos ricos de enriquecer e a dos operários para morrer de fome. Os capitalistas chamam liberdade de imprensa a compra dela pelos ricos, servindo-se da riqueza para fabricar e falsificar a opinião pública"&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Lenin&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-3542674568438249801?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/3542674568438249801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=3542674568438249801' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/3542674568438249801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/3542674568438249801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/10/liberdade.html' title='Liberdade'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-5853710386946888276</id><published>2007-10-31T14:14:00.000-02:00</published><updated>2007-10-31T15:40:30.470-02:00</updated><title type='text'>Até Quando</title><content type='html'>Não adianta olhar pro céu, com muita fé e pouca luta.&lt;br /&gt;Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve,&lt;br /&gt;você pode, você deve, pode crer.&lt;br /&gt;Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver.&lt;br /&gt;Se liga aí que te botaram numa cruz e&lt;br /&gt;Só porque Jesus sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer.&lt;br /&gt;Até quando você vai ficar usando rédea? Rindo da própria tragédia?&lt;br /&gt;Até quando você vai ficar usando rédea? (Pobre, rico, ou classe média).&lt;br /&gt;Até quando você vai levar cascudo mudo?&lt;br /&gt;Muda, muda essa postura.&lt;br /&gt;Até quando você vai ficando mudo?&lt;br /&gt;Muda que o medo é um modo de fazer censura.&lt;br /&gt;Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)&lt;br /&gt;Até quando vai ficar sem fazer nada?&lt;br /&gt;Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)&lt;br /&gt;Até quando vai ser saco de pancada?&lt;br /&gt;Você tenta ser feliz, não vê é deprimente, seu filho sem escola, se velho "tá" sem dente.&lt;br /&gt;"Cê" tenta ser contente e não vê que é revoltante, você ta sem emprego e a sua filha "tá" gestante.&lt;br /&gt;Você se faz de surdo, não vê que é absurdo, você que é inocente foi preso em flagrante!&lt;br /&gt;É tudo flagrante! É tudo flagrante!&lt;br /&gt;Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)&lt;br /&gt;Até quando vai fica sem fazer nada?&lt;br /&gt;Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)&lt;br /&gt;Até quando vai ser saco de pancada?&lt;br /&gt;A polícia matou o estudante, falou que era bandido, chamou de traficante.&lt;br /&gt;A justiça prendeu o pé-rapado, soltou o deputado... e absolveu os PMs de vigário!&lt;br /&gt;Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)&lt;br /&gt;Até quando vai fica sem fazer nada?&lt;br /&gt;Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)&lt;br /&gt;Até quando vai ser saco de pancada?&lt;br /&gt;A polícia só existe pra manter você na lei, lei do silêncio, lei do mais fraco:&lt;br /&gt;ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco.&lt;br /&gt;A programação existe pra manter você na frente, na frente da TV,&lt;br /&gt;que é pra te entreter, que é pra você não ver que o programado é você.&lt;br /&gt;Acordo, não tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar.&lt;br /&gt;O cara me pede o diploma, não tenho diploma, não pude estudar.&lt;br /&gt;E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado, que eu saiba falar.&lt;br /&gt;Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá.&lt;br /&gt;Consigo um emprego, começa o emprego, me mato de tanto ralar.&lt;br /&gt;Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar.&lt;br /&gt;Não peço arrego, mas onde que eu chego se eu fico no mesmo lugar?&lt;br /&gt;Brinquedo que o filho me pede, não tenho dinheiro pra dar.&lt;br /&gt;Escola, esmola! Favela, cadeia! Sem terra, enterra!&lt;br /&gt;Sem renda, se renda! Não! Não!!&lt;br /&gt;Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)&lt;br /&gt;Até quando vai fica sem fazer nada?&lt;br /&gt;Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)&lt;br /&gt;Até quando vai ser saco de pancada?&lt;br /&gt;Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente.&lt;br /&gt;A gente muda o mundo na mudança da mente.&lt;br /&gt;E quando a mente muda a gente anda pra frente.&lt;br /&gt;E quando a gente manda ninguém manda na gente.&lt;br /&gt;Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura.&lt;br /&gt;Na mudança de postura a gente fica mais seguro,&lt;br /&gt;na mudança do presente a gente molda o futuro!&lt;br /&gt;Até quando você vai ficar levando porrada,&lt;br /&gt;até quando vai ficar sem fazer nada?&lt;br /&gt;Até quando você vai ficar de saco de pancada?&lt;br /&gt;Até quando você vai levando?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gabriel - O Pensador&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-5853710386946888276?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/5853710386946888276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=5853710386946888276' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5853710386946888276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/5853710386946888276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/10/at-quando.html' title='Até Quando'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-9212616589514793606</id><published>2007-10-31T13:36:00.000-02:00</published><updated>2007-10-31T15:44:32.619-02:00</updated><title type='text'>Perguntas de Um Trabalhador que Lê</title><content type='html'>Quem construiu a Tebas das sete portas?&lt;br /&gt;Nos livros constam os nomes dos reis.&lt;br /&gt;Os reis arrastaram os blocos de pedra?&lt;br /&gt;E a Babilônia tantas vezes destruída&lt;br /&gt;Quem ergueu outras tantas?&lt;br /&gt;Em que casas da Lima radiante de ouro&lt;br /&gt;Moravam os construtores?&lt;br /&gt;Para onde foram os pedreiros&lt;br /&gt;Na noite em que ficou pronta a Muralha da China?&lt;br /&gt;A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.&lt;br /&gt;Quem os levantou?&lt;br /&gt;Sobre quem triunfaram os Césares?&lt;br /&gt;A decantada Bizâncio só tinha palácios&lt;br /&gt;Para seus habitantes?&lt;br /&gt;Mesmo na legendária Atlântida,&lt;br /&gt;Na noite em que o mar a engoliu,&lt;br /&gt;Os que se afogavam gritaram por seus escravos.&lt;br /&gt;O jovem Alexandre consquistou a Índia.&lt;br /&gt;Ele sozinho?&lt;br /&gt;César bateu os gauleses,&lt;br /&gt;Não tinha pelo menos um cozinheiro consigo?&lt;br /&gt;Felipe de Espanha chorou quando sua armada naufragou.&lt;br /&gt;Ninguém mais chorou?&lt;br /&gt;Fredrico II venceu a Guerra dos Sete Anos.&lt;br /&gt;Quem venceu além dele?Uma vitória a cada página.&lt;br /&gt;Quem cozinhava os banquetes da vitória?&lt;br /&gt;Um grande homem a cada dez anos.&lt;br /&gt;Quem pagava as despesas?&lt;br /&gt;Tantos relatos.&lt;br /&gt;Tantas perguntas.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bertolt Brecht&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-9212616589514793606?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/9212616589514793606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=9212616589514793606' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/9212616589514793606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/9212616589514793606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/10/perguntas-de-um-trabalhador-que-l.html' title='Perguntas de Um Trabalhador que Lê'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-1002427734161996575</id><published>2007-10-31T11:21:00.000-02:00</published><updated>2007-10-31T15:45:26.383-02:00</updated><title type='text'>O Analfabeto Político</title><content type='html'>O pior analfabeto&lt;br /&gt;É o analfabeto político,&lt;br /&gt;Ele não ouve, não fala,&lt;br /&gt;Nem participa dos acontecimentos políticos.&lt;br /&gt;Ele não sabe o custo da vida,&lt;br /&gt;O preço do feijão, do peixe, da farinha,&lt;br /&gt;Do aluguel, do sapato e do remédio&lt;br /&gt;Dependem das decisões políticas.&lt;br /&gt;O analfabeto político&lt;br /&gt;É tão burro que se orgulha&lt;br /&gt;E estufa o peito dizendo&lt;br /&gt;Que odeia a política.Não sabe o imbecil que,&lt;br /&gt;da sua ignorância política&lt;br /&gt;Nasce a prostituta, o menor abandonado,&lt;br /&gt;E o pior de todos os bandidos,&lt;br /&gt;Que é o político vigarista,&lt;br /&gt;Pilantra, corrupto e lacaio&lt;br /&gt;Das empresas nacionais e multinacionais.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bertold Brecht &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-1002427734161996575?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/1002427734161996575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=1002427734161996575' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1002427734161996575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/1002427734161996575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/10/o-analfabeto-poltico.html' title='O Analfabeto Político'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-3080636632536061605</id><published>2007-10-30T14:15:00.001-02:00</published><updated>2008-11-28T21:12:13.123-02:00</updated><title type='text'>Ilha da Fantasia - COPA 2014</title><content type='html'>O Brasil foi eleito sede para a COPA 2014, o que seria lindo, se não fosse ridículo !!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos em um país, no qual milhões de pessoas vivem em condição de miséria, sem moradia, alimentação, habitação, saúde pública, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O investimento para a construção dos estádios, melhorias no transporte e segurança chegará a cifras absurdas, e poderia ser revertido para ajudar a seca no Nordeste, para habitação daqueles que vivem em favelas, moradores de rua, sem terra, sem teto, sem emprego...blá..blá...blá....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o nosso Governo Federal por se tratar de uma "Mula" prefere viver na sua "ilha da fantasia", levando alguns ilustres "brasileiros" para representar a nação verde amarela. Na apresentação para a FIFA, mostraram um PAÍS LINDO, com crianças felizes, Amazônia, jacaré, Cristo Redentor, pessoas dançando frevo, cachoeira, montanhas, etc Esqueceram de mostrar a guerra nas favelas do RIO, mas isso é detalhe, a fome no Nordeste, a saúde pública falida, os lindos moradores de rua sem comida, e outras precariedades do nosso Brasil não vêm ao caso ....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BASTA DE HIPOCRISIA !!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil não tem condições de sediar nem "Campeonato Mundial de Peteca"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos primeiro resolver os nossos problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ACORDA BRASIL!!!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-3080636632536061605?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/3080636632536061605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=3080636632536061605' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/3080636632536061605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/3080636632536061605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/10/ilha-da-fantasia-copa-2014.html' title='Ilha da Fantasia - COPA 2014'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-6220427435352920199</id><published>2007-10-30T13:45:00.000-02:00</published><updated>2007-10-31T15:49:00.275-02:00</updated><title type='text'>Sérgio Cabral e a criminalização dos pobres</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quem viu as imagens do helicóptero atirando em supostos narcotraficantes imagina o que fazem em áreas pobres da cidade?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Cabral, governador do Estado do Rio de Janeiro, é uma das figuras políticas da atualidade das mais nefastas. A todo o momento ele justifica a (visível) violência policial em áreas pobres desta cidade. A última desse senhor, que é um dos responsáveis pelo agravamento do quadro de violência na cidade do Rio de Janeiro, é dizer que os moradores de favelas, quando reclamam da ação policial, são pagos pelo tráfico. Ou seja, de antemão, a política de Estado que gera a truculência policial é justificada. Diariamente, os jornais eletrônicos mostram imagens de policiais subindo morros com suas metralhadoras em busca de traficantes. De antemão, qualquer cidadão que venha a morrer em um suposto confronto é traficante. Se for trabalhador, como volta e meia tem acontecido, não importa, as autoridades da área de segurança vão justificar a violência sob qualquer preço e condenar quem, das áreas pobres, denunciar a violência policial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando isso acontecer, ou alguma entidade ilibada, como a Ordem dos Advogados do Brasil, seção RJ, criticar a ação policial, Cabral convoca o gaúcho José Mariano Beltrame, um cidadão do gênero acima de qualquer suspeita, para responder, sempre de forma arrogante e autoritária, como se o ideal de um Secretário de Segurança fosse impor respeito pelo medo e ameaças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A área de segurança do Estado do Rio - que recebeu o apoio do ministro da Defesa, Nelson Jobim (*), o relator-falsificador de dispositivos da Constituinte, segundo o próprio admitiu, não usando o termo falsificador - está adotando uma política de confronto com os narcotraficantes por entender que essa é a melhor forma de combater a delinqüência. É o esquema Bope, Tropa de Elite (ou será da elite?) em ação, agora contemplado no cinema, que dá voto na classe média senso comum, a mesma que depois de ler Veja, O Globo e ver o Jornal Nacional, defende a matança indiscriminada. Na prática, embora não tenha coragem para afirmar, o que defendem é a filosofia do “pobre (bandido) bom é o pobre (bandido) morto", seguindo a lei do deus mercado, cujo único conceito de cidadania é o do consumidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os vôos rasantes que Brizola proibia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Matança indiscriminada, é isso mesmo, ou será que alguém tem dúvidas a respeito? Quem viu as imagens nos telejornais da Globo na favela da Coréia de um helicóptero atirando em dois supostos narcotraficantes, mesmo admitindo-se que fossem narcotraficantes, completamente fora de combate, pode imaginar o que os agentes da lei andam aprontando nas áreas pobres da cidade de difícil acesso? Como nos velhos tempos da ditadura quando os homens da lei afirmavam, depois de matar opositores, que eles morreram em confronto. Até porque, vale sempre repetir, que a maioria dos que vivem em áreas pobres, não são traficantes, mas sim trabalhadores ou gente a procura de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem não tem memória fraca lembra que o então governador Leonel Brizola, satanizado pela mídia conservadora e pelos mesmos setores senso comum que hoje aplaudem o Bope, proibia os vôos rasantes de helicópteros da polícia nos espaços das favelas. Agora, com Cabral e mesmo com outros governadores, essa prática passou a ser de rotina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Governo do Estado do Rio de Janeiro, depois das andanças de Sérgio Cabral pelo mundo, principalmente na Colômbia, radicalizou no confronto imaginando que a violência estatal vai acabar com a violência dos narcotraficantes. E, nessa guerra absurda, quem mais sofre é a população dos bairros pobres, que vive sobressaltada, tanto pela violência policial como a dos narcotraficantes pé-de-chinelos, pois os grandões, os da Vieira Souto, continuam fazendo das suas nos paraísos fiscais, lavando, traficando ou aprontando impunemente o que melhor lhes convém para aumentar os lucros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Corrida desenfreada pela audiência&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É isso aí. E no meio desse panorama lamentável, a mídia conservadora cumpre o seu papel, como uma espécie de guardiã do senso comum. Nesse turbilhão sangrento, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro queima a imagem da própria categoria ao incentivar e aplaudir a realização de um curso de segurança para “cobertura jornalística em área de risco”, ministrado por um instrutor militar com experiência no Afeganistão e Iraque. O conservador O Globo também aplaudiu a iniciativa conjunta do sindicato dos jornalistas e dos sindicatos patronais de jornais, rádios e TVs. Coisa boa não pode ser, até porque, trabalhador e patrão é igual a água e azeite, não combinam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro em vez de se posicionar contra a política de criminalização dos pobres embarca numa canoa furada para supostamente proteger os jornalistas que fazem reportagens nas chamadas áreas de risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cursos dessa natureza, ainda por cima ministrados por instrutor militar que não se identifica, segundo O Globo, por “questão de segurança”, dá, no mínimo, para desconfiar. Afinal, depois de circular no Afeganistão e no Iraque junto às tropas de ocupação, o tal instrutor, de nacionalidade inglesa, no mínimo teria contas a ajustar em um tribunal penal internacional, que o ocupante-mór daqueles dois países, os Estados Unidos, se recusa a reconhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como se não bastasse, a prática dessa iniciativa não é só inócua, como também está associada à corrida desenfreada pelo ibope. E por que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro silencia diante da prática de repórteres em área de risco, estimulados por mega-empresários midiáticos atrás do lucro fácil, que usam como escudo a própria polícia e às vezes tiram fotos ou filmam no interior do Caveirão? Repórteres que na prática se espelham nos jornalistas estadunidenses que acompanhavam as tropas invasoras em cima dos tanques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essas e muitas outras, inclusive na área de meio ambiente, que vale um outro comentário (não é mesmo secretário Carlos “eucalipto” Minc?), dá para afirmar em alto e bom som que o governo do Estado do Rio de Janeiro é um desastre sob todos os pontos de vista. Tem mais, a continuar a política de confronto como vem sendo colocada em prática pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, as perspectivas para a cidade do Rio são assustadoras. Quem conseguir viver, e não for vítima de bala perdida, verá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim: quem ainda se lembra das declarações de um oficial da PM, de charuto na boca dizendo que o maior sonho dele era combater no Iraque, claro, ao lado das tropas de ocupação que invadiram aquele país do Oriente Médio em busca de petróleo? O referido deve continuar a cumprir as missões de sempre, ou seja, atacar alvos nas áreas pobres do Rio de Janeiro. E, se bobear, daqui a pouco Beltrame, Sérgio Cabral e outros da cúpula estadual fluminense de segurança farão visitas relâmpagos ao Iraque aprender a lição de combate. Não será surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Quando foi deputado federal e na Constituinte, Jobim introduziu na Constituição da República artigos que escreveu e não submeteu à votação do Parlamento. Um dos dispositivos é o que estabelece o princípio da independência entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Confessou a fraude e permanece impune. Segundo os professores Adriano Benayon e Pedro Dourado de Rezende, Jobim adicionou três incisos ao artigo 172 da Carta Magna, para proibir que os recursos destinados ao "serviço da dívida (isto é, ao pagamento de juros aos bancos) pudessem ser remanejados no Orçamento”. O estudo dos dois professores revelou que, com a falsificação, essa não confessada por Jobim, o serviço da dívida foi multiplicado, para gáudio do capital financeiro internacional. Dá para entender porque ele é tão badalado pela mídia conservadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mário Augusto Jakobskind é jornalista.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-6220427435352920199?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/6220427435352920199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=6220427435352920199' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/6220427435352920199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/6220427435352920199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/10/srgio-cabral-e-criminalizao-dos-pobres.html' title='Sérgio Cabral e a criminalização dos pobres'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3558285411082764530.post-7597122736242847207</id><published>2007-10-17T13:56:00.000-02:00</published><updated>2007-10-31T15:50:33.572-02:00</updated><title type='text'>Tempos Difíceis</title><content type='html'>Eu vou dizer porque o mundo é assim&lt;br /&gt;Poderia ser melhor mas ele é tão ruim&lt;br /&gt;Tempos difíceis, está difícil viver&lt;br /&gt;Procuramos um motivo vivo, mas ninguém sabe dizer&lt;br /&gt;Milhões de pessoas boas morrem de fome&lt;br /&gt;E o culpado, condenado disto é o próprio homem&lt;br /&gt;O domínio está em mão de poderosos, mentirosos&lt;br /&gt;Que não querem saber&lt;br /&gt;Porcos, nos querem todos mortos&lt;br /&gt;Pessoas trabalham o mês inteiro&lt;br /&gt;Se cansam, se esgotam, por pouco dinheiro&lt;br /&gt;Enquanto tantos outros nada trabalham&lt;br /&gt;Só atrapalham e ainda falam&lt;br /&gt;Que as coisas melhoraram&lt;br /&gt;Ao invés de fazerem algo necessário&lt;br /&gt;Ao contrário, iludem, enganam otários&lt;br /&gt;Prometem 100%, prometem mentindo, fingindo, traindo&lt;br /&gt;E na verdade, de nós estão rindo&lt;br /&gt;Tempos... Tempos difíceis&lt;br /&gt;Tanto dinheiro jogado fora&lt;br /&gt;Sendo gasto por eles em poucas horas&lt;br /&gt;Tanto dinheiro desperdiçado&lt;br /&gt;E não pensam no sofrimento de um menor abandonado&lt;br /&gt;O mundo está cheio, cheio de miséria&lt;br /&gt;Isto prova que está próximo o fim de mais uma era&lt;br /&gt;O homem construiu, criou armas nucleares&lt;br /&gt;E com o aperto de um botão, o mundo irá pelos ares&lt;br /&gt;Extra, publicam, publicam extra os jornais&lt;br /&gt;Corrupção e violência aumentam mais e mais&lt;br /&gt;Com quais, sexo e droga se tornaram algo vulgar&lt;br /&gt;E com isso, vem a AIDS pra todos liquidar&lt;br /&gt;A morte, enfim. Vem destruição, causam terrorismo&lt;br /&gt;E cada vez mais o mundo afunda num abismo&lt;br /&gt;Tempos... Tempos difíceis&lt;br /&gt;Menores carentes se tornam delinquentes&lt;br /&gt;E ninguém nada faz pelo futuro dessa gente&lt;br /&gt;A saída é essa vida bandida que levam&lt;br /&gt;Roubando, matando, morrendo&lt;br /&gt;Entre si se acabando&lt;br /&gt;Enquanto homens de poder fingem não ver&lt;br /&gt;Não querem saber&lt;br /&gt;Faz o que bem entender&lt;br /&gt;E assim... aumenta a violência&lt;br /&gt;Não somos nós os culpados dessa consequência?&lt;br /&gt;Destruíram a natureza e o que puseram em seu lugar&lt;br /&gt;jamais terá igual beleza&lt;br /&gt;Poluíram o ar e o tornaram impuro&lt;br /&gt;E o futuro eu pergunto, confuso: "como será?"&lt;br /&gt;Agora em quatro segundos irei dizer um ditado:&lt;br /&gt;"Tudo que se faz de errado aqui mesmo será pago"&lt;br /&gt;O meu nome é Edy Rock, um rapper e não um otário.&lt;br /&gt;Se algo não fizermos, estaremos acabados.&lt;br /&gt;Tempos difíceis!&lt;br /&gt;Tempos difíceis!&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Racionais Mc´s&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3558285411082764530-7597122736242847207?l=daniela-godoi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/feeds/7597122736242847207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3558285411082764530&amp;postID=7597122736242847207' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/7597122736242847207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3558285411082764530/posts/default/7597122736242847207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://daniela-godoi.blogspot.com/2007/10/tempos-difceis.html' title='Tempos Difíceis'/><author><name>Daniela Godoi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18296544254221733021</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_4mjeu0Gfn6Q/SBuxRb6m1nI/AAAAAAAAABc/p8mZt-gbTfM/S220/b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
